domingo, 13 de setembro de 2009

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Enter the Sandman!!!

Só para partilhar deste momento em que os meus pelos se levantaram logo e um arrepio me percorreu a espinha:

Hoje é sexta, como tal tenho que por mão ao trabalho porque tendo a não fazer nada a semana toda. Quando olhei para o meu quarto (e tenho sempre esta visão; a roupa em todo o lado menos no armário e etc...) automaticamente comecei a arruma-lo, triste e abandonada (pobre de mim!), eis que vejo o Black Album meio perdido em cima da minha cómoda; já não o ouvia talvez desde o ciclo, e achei-o na Marinha refundido num monte de cds gravados quando procurava um cd com não-sei-quê (que já me esqueci). Pensei "ei, já não ouço isto há anos!" e trouxe-o.

Quando o Kirk Hammet ainda não tinha aquele ar de chulo e quando o James sabia o que era "passar um bom tempo" fizeram uns quantos trabalhos dignos de receberem o rotulo de "Música dos '90s" (claro que com o "Load" lixaram tudo, e nunca mais fizeram nada de jeito...).

Bom, isto tudo para dizer que gostei de arrumar, trauteando os solos de guitarra. Estou genuinamente feliz, pá.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Mais do mesmo

Precisei de mergulhar na extrema apatia e medo para voltar ao olhar para o passado. Discos rolam, fotos passam pelos meus olhos que valem só por um.

Antes chorava por tudo. Agora não choro por nada. Acho que quanto maior o sofrimento, menos lágrimas há. A coragem foge toda para conseguir passar mais um dia sem enlouquecer.

Deftones. A mascara está-se a desfazer. Tenho um monstro gigante da cama que me entra pelos ouvidos e me come o cérebro. Penso num verão de corvo e loucura. O que me aconteceu?

Shiu… Be quite and drive far away, tão longe que os meus olhos se percam no horizonte e no alcatrão quente. Silencio. Só os órgãos e o motor rangem. 2 anos. 2 anos roubados. Dois anos de aprendizagem obrigatória e dor, dois anos para admitir que doi atrozmente não poder ser a criança que o destino me roubou. Estou condenada a ser adulta e consciente para sempre.

- Eu sou tão de esquerda, tão de esquerda que rejeitei o meu lado direito.
Há nestas piadas um descomprimir de quem não quer ver. No início rezava para que um milagre acontecesse e acordasse como estava. Hoje, as fotos e a música revelaram-se um tónico amargo. Mas é o que tenho, nada mais. Isso e uma boca seca cravejada de aftas. Já não estou habituada a falar. Nem a escrever.

Vegeto. Durmo. Talvez que o dia que aí vier seja melhor. E passos os dias a desejar isso.

sábado, 25 de julho de 2009

200 mensagens e uma valente depressão

A ouvir Bomfunk MC’s. O álbum In Stereo. Foi o primeiro CD que comprei, tinha uns 14, ou menos. Lembro-me de dançar isto, e era tão bom dançar. Depois fui para um grupo de dança, e adorava. Nem importava o que dançasse, acho que dançava tudo o que fosse musica.

Porra.
Boa introdução. Como o “era uma vez…”, tem sempre aquele toque nostálgico, “era uma vez” e acontecia algo de extraordinário, o protagonista acabava sempre com os sonhos realizados. O que líamos nos livros em crianças são isso mesmo, fabulas ou coisas que nunca acontecem. Eu lia um livro e ficava a espera que os animais falassem.

Cheguei à fase em que o mundo caí depressa sobre os meus ombros e fico assombrada com os últimos dois anos e tal da minha vida. Agora sei, começo a compreender as minhas perdas e a avaliar os estragos. Ás vezes sinto que vou enlouquecer, que a verdade é demasiado cruel, tão cruel que prefiro colar-me ao computador a jogar. Não escrevo porque está-se a tornar demasiado doloroso, não quero mexer com a felicidade que vivia apesar de julgar que era o Ser mais infeliz do mundo. Agora mostro-me como o Ser mais feliz do mundo quando na verdade nem consigo chorar sozinha. Tenho vergonha de mim.

Olho para a minha gata, o tempo passa, 11 anos de convívio e depois começo a pensar há quanto tempo conheço os meus amigos, como foi a minha decepção não ter entrado no Conservatório aos 18, e tudo pára enquanto me deleito com umas lagrimazitas nos olhos de tudo o que fiz. Para ver se encontro um fio à meada a que me possa agarrar para desenlear este novelo que paira na minha vida.
Não encontro os alicerces dos objectivos, encontro fins que são sempre os de fugir dos objectivos. Já duvido se devo tirar o mestrado. Cada vez mais dói-me estar num sítio onde tenho recordações em todo o lado, mas também não tenho coragem suficiente para me atirar para a frente, procurar a felicidade. Tenho medo de largar a ancora e de encontrar um mar mais revolto do que o que me fez afundar.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Mais um mas na mesma

7 de Julho de 1998 nasce a Estrela das estrelas... A Gata das gatas... MIMI SIKU, amo-te mil vezes!!!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Novo banner


Claro está, mais uma obra do Gustavo!

domingo, 28 de junho de 2009

Móss, uma vida ocupada é como entrar em ressaca!

Só para partilhar:

2ª a 6ª - Todas as manhãs no Centro a aprender... coisas.
2ªs, 4ªs e 6ªs - Terapia Ocupacional 2h logo a seguir ao almoço.

Consultas e tratamentos periódicos de:

. Medicina Bio-Quântica;
. Oftalmologia;
. Neurologia (onde tenho que levar analises a exames)

Burocracia para tratar:

. Finanças;
. Serviço Social;
. Juntas de Freguesia de todo o lado;
. Bancos;
. Mestrado;
. Papeis da bolsa do Centro;
. ...e tudo o que aparecer.

Mesmo assim ainda preciso de:

. Ir para um ginásio (sem merdas, o meu lado direito está a perder massa muscular);
. Ter tomates para aguentar NÃO agredir nenhuma das senhoras da segurança social.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Este peixe está a aprender...

Muitos de vós que lêem o Re-Cobro sabem o que tenho dito sobre escola, teatro e etc. Sem estar com muitos rodeios, dia 19 tive a pensar seriamente no que fazer à minha vida. Dois anos não são nada numa vida mas são muitos numa juventude. A razão para a minha negação é óbvia e como aqui ninguém é burro, também não vou tomar delongas.
Decidi tirar o Mestrado na ESAD, de quê também não interessa a ninguém. Foram vários os aspectos que me levaram a tal decisão, entre os quais o facto de não passar mais tempo no Centro pois nem a curto prazo me daria os frutos que pretendo (conhecer de novo o meu corpo, testar a minha capacidade crítica e memoria, ter conhecimentos relativos ao que gosto, etc), por muito que esteja a aprender coisas novas lá (mais a nível pessoal e de voltar a cumprir horários, o que é neste momento é bastante importante para mim).
Para trabalhar teria de ficar no Centro para encontrar um estágio. Não sei quanto tempo demoraria, mas com o mercado a fechar-se cada vez mais, torna-se ainda mais difícil o que se traduz num aumentar de tempo no Centro. E, correndo o risco de uma má interpretação, não me sinto identificada com os colegas (por mil motivos, mas sobretudo porque 80% deles serem mais novos que eu). Pensei que mal por mal volto para a ESAD onde estão pessoas que me conheceram antes e acompanham o meu processo (ás vezes sinto-me como o Josef K.) e não me olham como um bicho (sim, por incrível que possa parecer os deficientes mentais e/ ou físicos também têm uma espécie de preconceito (é interessante pensar que acabo por não ser carne nem peixe…). Estaria numa espécie de incubadora durante algum tempo (não me obrigo a fazer os dois anos completos, mas assim que estiver preparada bato asas).
Por tudo isto hoje inscrevi-me. A vida é um ciclo meus amigos, aprendam por mim: pela boca morre o peixe.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Daniela's Survial Party



Obrigada amigos por passarem comigo este dia. 19 de Junho, 2 anos. Nasci de novo.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Sou uma pessoa especial (?)

Estou numa aula. Eu, que desde que tive o AVC disse “não quero mais aulas” bem que engoli o que disse. Imagina; uma sala, com uns 10 computadores, cheio de pessoas diferentes. Ao meu lado tenho um senhor de 52anos, que vive em portugal há 28. alguém, do outro lado, diz coisas imperceptíveis. Quando cheguei aqui estava longe de imaginar onde estava, se bem que já no tinham dito. Mas a experiência vale por mil livros e mil canais de televisão, e digo; estou a viver a experiência mais importante/ forte da minha vida (até agora, pois). Estou no Centro de Educação ESPECIAL D. Leonor, uma CERCI. Não te assustes. Ou melhor, quero lá saber...
Comecei na 3ª passada assim, de surpresa. Passo aqui as manhãs. Quando está bom tempo, vou à praia. Nunca me senti tão desperta, com tanta vontade de Fazer. Fazer, não necessariamente arte... amo teatro, mas sinto-me cada vez mais distante dele. Não posso falar do futuro, mas para além de uma vontade esmagadora de sair do país, não posso contar com nada para além do momento. E é o suficiente.
Acho que uma pessoa depois de sair da ESAD não sente tanto choque eheheh.

Há coisas fantásticas. A Marinha faz-me tanto mal que fui capaz de percorrer quatro países de comboio, apanhar três aviões, andar quilómetros por dia com mochilas de 60L ás costas, acordar ás 3h da manhã (4h de lá) e quando chego à Marinha a primeira coisa que faço é ter um parcial (não foi a primeira, foi ontem, mas dá para entender).
Continuo noutro capitulo qualquer...

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Movimento VOTO EM BRANCO

Foi este o "achado" que descobri em Leiria, mesmo no coração da cidade.






Putz, os portugueses todos já votam em branco, não é necessário espalhares o teu analfabetismo por aí...

sábado, 16 de maio de 2009

De 5 a 13 de Maio - Budapest

Na zona dos teatros

Deixo a interpretação desta foto ao vosso critério...


Na manif pró-marijuana na ilha

Baco num labirinto subterrâneo

A parte Buda com os seus maravilhosos edifícios baleados

A nevar sementes...

Eu e o Gustavo com a Ponte das Cordas como pano de fundo

Versão remix

De 3 a 5 de Maio - Bratislava

A criança enfeitada pela musica folk

Russos e a vodka + tipas de teatro = amizade infinita (?)
A maior historia sem nexo que já ouvi na vida

Concordo.

Os ídolos da juventude bratislavense

O verdadeiro Tiger Man

De 30 de Abril a 3 de Maio - Vienna

Numa manif comunista no 1º de Maio

O Quarteirão dos Museus...

...que geralmente causa cansaço.

A melhor exposição da minha vida

No metro

No museu da Marioneta

27 a 30 de Abril - Frankfurt

A navegar num trabalho do Andy Warlod


No zoo

terça-feira, 21 de abril de 2009

Liberdade!!!















No dia 25 vou para o Porto para embarcar numa viagem de uma semi-liberdade que nunca tive tomates para fazer - estava demasiado ocupada a provar que era das melhores (e o que é mais triste é que queria provar a mim própria...).

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Amo-te Neeninha!

Adeus. Há sempre um adeus, não é?
Saudades. Estás aqui dentro, amiga*

“Toma lá que é bem-feita, orgulhosa!”

Hoje, assim num segundo, ocorreu-me o pensamento que faz titulo. O que vale é que me consegui aperceber disso 22 anos, 11 meses e 30 dias depois, hein? Ou 1 ano e 9 meses e 30 dias!


A ASSOCIAÇÃO CULTURAL DOS DEPENDENTE DE PESSOAS E DE CULTURA procura membros.

terça-feira, 7 de abril de 2009

30 metros do chão

A noite, que já não vejo há muito tempo

sem ser por uma janela suja 30 metros acima do chão

(o máximo de divindade que senti,

obtuso o ruído dos carros e das pessoas,

faz-me pensar que estou a 30 metros do chão

e mais nada),

aguça-me os sentidos. Na cama, já no escuro,

com 1mg de diazepam a passear-me nas veias,

não cesso de pensar, mas pensar em tudo,

no jogo de computador,

no livro que quero ler (mas nunca o começo),

na musica que não paro de ouvir aqui na ampulheta,

no facto de pensar que tenho que parar pensar na musica

e na vida. Para adormecer. Fico nisto horas a desesperar,

e quando estou a adormecer… Penso que estou a adormecer.


Uma noite, escura como os holofote que a iluminam,

não há muito tempo, o tempo suficiente,

fui para uma sala ainda mais escura

para ouvir palavras ainda mais escuras,

apesar da luz do candeeiro.

Confundida na escuridão não era mais do que uma parte

daquela massa negra sem rosto, como numa acasalamento educado,

pressinto mais rostos e mais rostos juntarem-se àquele carnaval

onde a única lei é estar sentado num banquinho

de 50cm de largura, contudo os cotovelos são livres

de tocarem, mas atenção!, ligeira e brevemente no braço comum,

despertou-me a atenção um rosto negro que fugia com os olhos

de qualquer contacto com os outros,

cabeça baixa, pose submissa como um cão magoado

pelas vicissitudes da vida, sentou-se e desapareceu no escuro.


A noite esconde rostos e viola os segredos

em atitudes corpóreas. Eu sei ler as pessoas tão bem quanto me leio,

as 3h da manha agarrada a um computador a 30 metros acima de mim.

Tento. Não sei ler tudo, mas aquilo que se releva

Ao olhar mais atento. Olhos negros temos todos,

que é a parte que realmente vê. As cores nascem todas do preto,

e mesmo a veste mais negra despe a pessoa que a erga.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Resultado da aposta

Escrevo sempre a ouvir musica. O meu estado de espírito influencia a música que ouço e vice-versa. Estou a ouvir uma banda que encontrei no myspace muito parecida com Mogwai, a grosso modo. Estou deliciosamente lânguida, deitada na cama como estou desde que acordei, as 19h (quem conhece Mogwai sabe do que falo…). Hoje, como todos os dias que tenho terapia, passei pelo jardim, e pus-me a pensar que já tinha visto este jardim assim, colorido, com pessoas nos bancos simplesmente a estar. É muito difícil Estar, nestes dias. É quando suspiramos e dizemos “isto é que é vida!” e de imediato apercebemos-mos, em silencio, que a vida nunca é aquilo que se espera. Aos 16 temos uma banda e só pensamos em percorrer o mundo em digressão; ou sonhamos ser médicos ou modelos. Mas chegamos a um ponto de viragem e nem nos apercebemos que, aos poucos, estamo-nos a tornar noutra coisa completamente distinta aos que planeávamos. Mas, durante uns anos, mantemos em paralelo de importância as coisas que TEMOS e QUEREMOS fazer, porque os sonhos compram-se. Ou julgamos isso. Até que chegamos a uma fase na vida em que paramos de sonhar e começamos a ambicionar. Ter mais dinheiro para sair de casa dos pais. Ter mais dinheiro para comprar um carro novo and so on, até chegar à velhice e querer dinheiro para deixar para os filhos.

Mas o que percebo eu da vida, não é verdade? E digo isto sem ironia. É o que vejo, o que sinto. Na vida há sempre coisas que mudam, mas a pessoa em si nunca muda.


E cheguei ao ponto que queria, à APOSTA. Parece que estive enganada este tempo todo, independentemente do resultado da aposta, pois quando perguntei já sabia o que era. Peço desculpa a todos os que votaram e não me conheceram antes, mas este post é para todas as pessoas que conheceram e “antes” e o “agora”… Volto a afirmar uma coisa que, intrinsecamente já sabia, mas a alma esconde muita coisa até ser despertada para o consciente, voluntariamente ou não; eu sou A DANIELA MARIA MORGANIÇA DOS REIS, como vem escrito em todos os documentos que já tive, mesmo quando renovei o BI e a mão que assinou não era a mesma. As pessoas mudam mas não deixam de ser as mesmas. Sei que é difícil de compreender numa primeira análise, pois também eu andei enganada este tempo todo; mas, irremediavelmente, sou a mesma Daniela que conheceram anos atrás, mesmo que custe a aceitar que não me comporto como antes. Fisicamente, volto a dizer (por incrível que pareça – ou não – são os meus amigos mais chegados e a minha família que tem mais dificuldade em aceitar) sou deficiente. Não sei se vou ficar para sempre, mas nunca vou ficar normal da maneira que os habituei. E vão ter sempre a imagem de mim no coma, cheia de tubos e máquinas dentro de mim. A minha mãe tenta não falar no assunto, a minha irmã o contrário. Cada um tem a sua maneira de tentar exorcizar as recordações dessa altura. Eu estou alheia a alguns momentos que eu própria vivi. Para eles morreu qualquer coisa de muito importante que me definia como pessoa, mas acho que essa “qualquer coisa” varia de uns para os outros. Respeito a visão deles, mas começa a magoar-me – embora tente que isso não aconteça – sempre que tento relativizar as coisas e dizer “já passou”. Até porque antes dizia-o com sinceridade e agora digo-o para me convencer a mim própria e, para mim, está só agora a começar…


No parque apercebo-me de como o tempo passa. Todos podem replicar que sou “nova” e que tenho “muito tempo pela frente”. Mas hoje, ao passar no jardim apeteceu-me não ir à terapia, deitar-me descalça na relva e contemplar o céu limpo e sentir a erva húmida que iria trespassar a minha roupa. E diria, “isto é que é vida!”. O invés, fui fazer o que tinha que fazer, com um sorriso nos lábios e a dizer maluqueiras. E logo hoje só me apetecia chorar ao ver um homem que andava completamente apoiado na terapeuta a lembrar-me, pela primeira vez, que quando saí da cadeira de rodas, era assim que eu percorria os corredores do Hospital de Santo André, encavalitada na minha mãe, desde a ambulância até à fisioterapia.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Parabéns!!

Eu sou uma irmã daquelas que se esquecem dos aniversários dos irmãos...
Três dias de atraso...
Mas o que vale é...

Benjamin, as manas amam-te muito!!
Feliz aniversario!

sábado, 28 de março de 2009

Equinócio da Primavera

Não cheguei a falar no meu Equinócio. Eu e o Gustavo tínhamos pensado, meses atrás, acampar para dar as boas vindas à Primavera, ás flores tímidas que anunciam sempre mudança. Não fomos porque o tempo voa mais depressa que as cores das flores e, quando dou por mim, é sexta e estou nas Caldas. Arranjo um bilhete para ir ao teatro. Vou sozinha, como sempre. O vermelho sem intenção, faz jus à estação. No teatro um mar de caras conhecidas.

Em palco, um amigo. Uma energia estranha. Uma conversa que me fez estalar o escudo. Senti-me fraca e nua em mim mesma.

Budapeste chama por mim, eu chamo por Budapeste com bilhete de ida. E volta. Para tentar lutar este estado letárgico agudo. Primavera, e eu continuo cada vez mais amarga, cada vez mais ofendida por tudo e com todos. A vida é o reflexo das nossas vitórias e falhas. Eu passei uma vida a tentar ser a melhor em tudo. Para provar, não aos outros, mas a mim que era capaz de ser outra pessoa, uma pessoa melhor. Sempre senti medo de não agradar. Tinha um plano de vida muito bem elaborado. Tenho um curso muito jeitoso, na teoria. E vivi entre esse curso, entre tremoços e vinho mau, risos e lágrimas sentidas. Recordo agora com os poucos amigos que ficaram dentro de mim, os momentos que ficaram, e eram tão simples como comer uma sopa alentejana num café ou ir a um armazém de roupa em segunda mão admirar os vestidos dos anos 70, que parecem ter saído de um guarda-roupa de um teatro. Do que aprendi na escola, pouco me lembro. Mas lembro-me de como se costura à maquina, como se modela balões, como se prepara pasta de grão.



(Estou farta de escrever sobre isto. Isto tudo.)

terça-feira, 24 de março de 2009

Ampulheta

Tenho a cabeça quase entulhada. Como uma ampulheta que passa grão a grão, e quando esvazia, torno-o a girar. Ás vezes um grão maior, ou dois inoportunos entopem e não deixam os outros grão passarem. E é a pressão que faz com que eles saem, não à medida desejadas, mas à medida que é humanamente possível. Há quem tenha ampulhetas maiores com areia mais fina, depende do seu auto conhecimento.

Só agora me apercebi da minha, que é pequena e bloqueia muitas vezes, por isso escrevo cada vez menos. Tento ficar alheia ao meu sofrimento, fingir que tenho cada vez mais energia e estar cada vez mais forte. Mas quando a minha ampulheta se liberta… Ninguém vê. E desapareço. E por muito que tente ficar à tona, mergulho ainda mais dentro de mim, como se a agua reclamasse o seu direito a lavar-me, e lá as lágrimas não são mais que iguais que o elemento em que estou.


Pouco de cada vez. Para me curar desta dor inimaginável.


Torno à superfície para que, inconscientemente, só para girar outra vez, para mergulhar de novo e, de repente, boiar como um naufrago feliz porque, no meio da tempestade, está ali, vivo. E a ampulheta vai-se tornado cada vez maior e com a areia mais fina, até que não preciso de a girar de novo. Não sei quanto tempo demora. Anos, provavelmente. Até lá só tenho que ganhar coragem para lidar com o que vier. Porque a verdade é sempre dura de ver mas é sempre o caminho da verdadeira liberdade. Se se quiser ser livre, há que ter coragem e coração aberto, até para receber a dor.


Para um siamês que chorou comigo e que me fez ter coragem. Para ele, que me fez compreender isto tudo que acabei de escrever.


“Teatro vazio. Em cena um actor
Que morre segundo as regras da sua arte
Com o punhal na nuca. O ardor retomado
Um último solo, para pedir os aplausos.
E nem uma mão. Num camarim vazio
Como o teatro, um fato esquecido.
A seda sussurra o que o actor grita.
A seda tinge-se de vermelho, o fato torna-se pesado
Com o sangue do actor que na morte se derrama.
Sob o esplendor dos lustres, que faz empalidecer a cena
O fato esquecido bebe e esvazia as veias
Do moribundo, que não se assemelha mais do que a ele mesmo
Perdida a alegria e o terror da metamorfose
Seu sangue uma mancha de cor sem retorno.”

Escrito por Adolfo Luxúria Canibal, da musica “Morte do Teatro”

terça-feira, 17 de março de 2009

A piada de hoje...

Estava a falar com o Gustavo, que não acredita em nada que não possa ser provado.
Eu falava-lhe de medicina quântica [ver definição aqui]. Vou começar a fazer tratamentos.
Eu tento tudo o que me possa pôr melhor.

A piada foi... (que triste) ele é céptico. Eu sou anti (do contra). Não quero arruinar o meu nomes ainda mais... Façam um esforço. Até tem piada... por ser podre :D

domingo, 15 de março de 2009

Aposta

OK. O Re-Cobro está a ser censurado por mim directamente e por todos vocês indirectamente. “A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é isto verdade? Quer isto dizer, há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular! Somos todos muita bons no fundo, né?” (FMI)

Hum, mais um dia de mau humor, Daniela?

O meu pai disse-me, no outro dia ao telemóvel, “Daniela escuta-me, não há uma Daniela de antes e uma Daniela de agora.” Façam as vossas apostas.

terça-feira, 3 de março de 2009

Estou com um tédio pegajoso… Hoje é segunda, dia 2. Sei porque vi no PC. Esta semana, desde dia 24 até hoje não fiz muita coisa… Sinto falta de conduzir, de poder ir a qualquer lado, nem que seja tomar um café em Leiria (fica a 13km daqui e já não lá vou há meses…). A culpa é minha, não consigo dobrar o orgulho e pedir aos meus pais para me levarem lá. É que isso, de uma forma, faz-me sentir mais dependente.

Quero ir a Budapeste “sempre a rock & rollar”. Estou no limite da minha sanidade mental, o meu pijama está colado à cama e o meu cabelo espreme sebo. Tenho os dentes verdes e as olheiras comeram-me a cara. Chorei em frente da minha mãe, hoje. Amanhã tenho terapia e pergunto-me o que ainda faço ali. Tento escrever para ti e não tenho tesão que chegue. ERASE ----------

Não me exprimo de forma nenhuma. Passo horas a ouvir Siouxie ou Mão Morta. Horas a ver viagens low coast. Horas a pensar que não tenho nada para além de um curso que agora odeio. Há quem diga que estou em “denial”. Alias, toda a gente diz isso, “ah, e o Miguel Seabra?” pois, mas eu não sou o Miguel. Amo VER teatro. Agora o meio não. Não tenho paciência, nada que me agarre aqui a não ser a minha família. Não tenho nada a não ser uma vontade que me doma e que eu quero cumprir cegamente. Já não basta estar presa ao meu corpo, estou também presa ao caralho de uma cidade viscosa que baba fastio para cima de mim… NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO QUERO ESTAR MAIS DEPENDENTE, NÃO QUERO MAIS PENA, E NÃO QUERO – SOBRETUDO – A PENA VOMITADA PELO PRECONCEITO DOS OUTROS. ESQUEÇAM A DANIELA QUE CONHECERAM, ELA ACABOU, SIM SOU DEFICIENTE, COM PAPEL PASSADO E TUDO E NÃO ME ENVERGONHO NADA.

Sabes que mais? Vão todos pó caralho com as vossas condescendências bem-educadas com o palavreado politicamente correcto. “Handicap” são vocês que não vêm nada para além do vosso próprio olho do cu.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Parabéns (atrasados...) Re-Cobro!!!!


Como não tenho o meu "ilustrador de serviço" (Gustavo Santos, o homem que anda a escavar ossos de leprosos do sec. XVI) fui ao Deviantart "pedir emprestado" à ma4u4a (é assim que ela se apresenta) um desenho para celebrar o aniversário daqui do nosso menino!!!

Sou uma "mãe" orgulhosa!! Ele está IGUALZINHO A MIM!! SNIF!!!

(CARA DE PÂNICO/ SURPRESA/ ORGULHO ESTUPIDO )

Depois de ter comprado mil coisas para combater as aftas, decidi pôr em prática uma solução antiga (também por puro desespero): BOCHECHAR ÁGUA E SAL GROSSO. Ontem, correu ás mil maravilhas; depois da dor insuportável, lábio a tremer para não cuspir aquilo tudo, olhos a lacrimejar e nariz vermelho e depois de ter cuspido mais um quarto de hora de dor, eis que surge a tão desejada paz! A afta de branca passou a cor-de-lábio-do-lado-interior, uma cor saudável, que muito me agradou. Durante quase 24h horas já não tive dor e pude comer e falar sem parecer uma afectada.

Armada em heroína, hoje fiz o mesmo procedimento, água e sal grosso, chamei a minha mãe, irmã e gata para a casa-de-banho, mostrei a afta e disse "está branca, não está?" ao que a minha mãe fez uma cara de sofrimento e a minha irmã de nojo (a minha gata estava no bidé a pedir água...). Lá meti aquilo na boca e tal, mostrei a afta com todo o orgulho (a minha mãe entretanto tinha saído). "E agora, hein?" ao que a minha irmã respondeu "estás a sangrar!!".

Escrevo agora, com o sabor a sangue na boca para te dar em primeira mão esta noticia... Desta vez não tenho fotos para documentar tamanha parvoíce.

Desistir

Estou a ouvir os concertos que estão a dar na esad. Eu estou na cama. Tentei lá ir; descansei, vesti-me, maquilhei-me (coisa que não faço desde... ui, Março?) e meti-me a caminho com a Inês, uma moça que vive comigo. Dois pares de calças; três camisolas, uma delas de lã, comprida; um blusão mega quente impermeável; dois pares de meias, a de dentro com bolsinhas para os dedos e a de fora, térmica.
Queria mesmo ir à festa. Sinto falta de pessoas, sinto falta de pertencer a algo, fugir de vez em quando e esquecer as minhas limitações por muito intrínsecas que sejam. Realmente estas semanas têm sido difíceis, por isso evito escrever. Ainda estou a processar isto tudo que é de uma magnitude que não consigo abarcar. Sinto-me um pouco derrotada pelas circunstâncias. E hoje pense “quando caí” – quando tive o AVC – “estava longe de imaginar as mudanças que isso implicaria na minha vida”. Porra. Tenho medo, não dos ataques nem dos AVCs, mas de perder a esperança. E ela vai-se desvanecendo cada dia que passa. Pela primeira vez, tenho medo de desistir.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Por ISTO é que não tenho "digo" nada...



Para tu veres melhor, um close up...

NOTA: O dedo que segura o lábio não é o mindinho... É o INDICADOR!!!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

NEL MONTEIRO in HEAVY ARKITEKTURE

Sugestão o novo leitor (acho eu) JVN

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Nel Monteiro e a Arte de Escrever Música

Foi um amigo meu (que está a viver há anos em Londres) que me apresentou esta bela obra de arte...

Só tenho uma coisa a dizer... o_O (nem me saem as palavras...)

Revolta e Rendição

Esta é um post sobre revolta.


Passo horas na net. A maior parte do tempo, a ver viagens. Sinto-me um cão amarrado à trela em que só se pode afastar de casa uns metros. Fico nervosa quando saio sozinha à rua. Sinto que a trela me está a asfixiar, como os cães que dão muitas voltas à corrente e depois fica só com 30cm que só servem para se sentar. E ficar a ver se alguém repara que está preso. Horas. Dias. Provavelmente a sua maior satisfação era correr um pouco no parque, comer lixo e mijar em todas as árvores. Mas ele já desistiu, e passa o tempo a não se debater para não enrolar a corrente.

E fica a ver a chuva na casota. E o calor abrasador que o faz deitar-se na terra. Mija-se quando uma criança o afaga. Olha para o horizonte sem saber o que é.


É a vida que teve. Lembra-se de quando era cachorro e andava sempre com os donos. Gostava de pôr a cabeça fora da janela e levar com o vento até lacrimejar. Gostava de vadiar horas infinitas com os amigos, à procura de divertimento. Gostava de ir até ao monte da igreja de Nossa Senhora à noite.


As coisas simples.


Ladrar da janela do carro parvoíces em Leiria. Ir a uma bomba de gasolina comprar cerveja, batatas fritas e chocolates. Tomar um café. Jantares regados a vinho carrascão. Os miúdos. Andar de mochila ás costas enquanto chove. O fogo nas correntes que manuseava. Aquela tarde na Figueira da Foz, sentada na areia, com oito bolas a sobrevoar o espaço. Tantas outra a beber katempo e a comer tremoços ás 4ªs feitas à noite. Sudoeste 2001. O almoço em que decidi não comer mais carne. O meu 18º aniversário com a Inês a conduzir a 120 km/h enquanto o Pida cantava “o bacalhau quer alho”.


São tudo fragmentos. Cacos espalhados numa memória selectiva que teimam em não se unir e dizer “podes continuar a tua aventura”. Ou será que não tenho ainda coragem suficiente para olhar para um futuro? Sonhar e acreditar que as coisas irão acontecer?

Estou cansada. Tenho que dormir. Amanhã, terapia. Sábado, não sei. (Tive agora a imagem de uma pessoa que anda, e cada pedra lhe vai sendo posta quando os pés estão assentes na ultima pedra. Consegues imaginar? Como num jogo de computador…)

Isso não importa quando temos um objectivo na viva. Andar pé ante pé, porque sabemos mais ou menos onde vamos chegar. Eu tenho um novelo e mil pedras confusas para seguir.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Aprender a Comer com Talheres #1, by Daniela Reis

Fig 1 - Isto é uma figura do pé...

Fig 2 - Isto é uma figura da mão!!!




Sopa (colher):


- O braço tem que subir a 90º para fazer chegar a colher à boca

- Pegar na colher com os três dedos (polegar, indicador e médio, enquanto o anelar e mindinho suportam a colher) ou com o dois (polegar e indicador)

- Os dedos que suportam a colher devem estar fechados (falanges dobradas - fig 2)

- Os dedos que ficam por cima da colher são os que movimentam a colher

- O pulso faz um ligeiro movimento (da palma da mão em direcção à boca, o suficiente para lá chegar)

- Para que a sopa verta para a boca, levantar só um pouco o braço

- Voltar a colocar o braço a 90º e tirar a colher da boca

(Acho que está tudo... Mas como não sou terapeuta... Pensa nisso enquanto estiveres a comer sopa e diz-me como fazes eheh)

Nota

Quando uma porta (por exemplo, a do prédio que é pesada) não fecha bem é sinal que, provavelmente, tens um dedo que não o deixa fechar...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Acho que ganhei qualquer coisa...


"Com o Prémio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, étnicos, literários, pessoais, etc. Que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web."

Vou o Nuno que me deu este prémio.
Agora tenho que escolher 15 blogs e avisa-los do prémio. Épah...

http://ocaovaimasnaoperdeonorte.blogspot.com/
http://www.sabesguardarsegredo.blogspot.com/
http://altos-saltos.blogspot.com/
http://www.sereioreturns.blogspot.com/
http://somepoppieseeds.blogspot.com/
http://ideiasmix.blogspot.com/
http://euzito.blogspot.com/
http://bazardemarte.blogspot.com/

http://pntzro.blogspot.com/
http://www.aquijazo.blogspot.com/
http://5asecphoto.blogspot.com/
http://rifreckles.blogspot.com/
http://ninguemeomonstro.blogspot.com/
http://www.assacinicos.blogspot.com/
http://festasdotedio.blogspot.com/

Qualquer coisa

(ela está na cama, num quatro pequeno, atolado de mobília, sentada e tapada com cobertores. Tem o computador no colo e escreve com uma mão. A outra está escondida debaixo dos cobertores. Enverga um pijama e um casaco de lã. Ouve musica de circo [dark cabaret])


Ela – Meus queridos leitores, de tão aborrecida que estou, coisa que dura há ano e meio treze dias e algumas horas, junta-se uma vontade tão grande de fazer fazer fazer, mas dou-me ao prazer de não fazer nada porque no fundo sou um caracol que foi meio pisado e não tem sitio onde dormir. Um saltimbanco sem o ser, um analfabeto de vontades. Não vou estar com rodeios, a culpa deste aborrecimento crónico é minha e só minha. O aborrecimento também pode se tornar no ócio, e o ócio desculpa tudo.


(chega um gato dengoso e gordo que se aninha junto a ela)


Bem, vejo que o meu discurso atrai gatos, não sei se por eles serem seres divino que entendem as magoas do Homem ou se por serem gatos e gostarem do quentinho. Tento ser eloquente mas não há nada de eloquente ou transcendente. Somos animais e fazemos as coisas por prazer e não por um propósito.


(a gata sai da cama para ir comer um vomitado que deixou espalhado no chão. Ela repara que cheira mal da boca.)


Preciso de tomar um banho e cortar os pêlos das pernas. E arrancar o bigode também. Cortei as unhas porque já não conseguia pegar nas coisas. E vocês pensam “ela fala a sério?” Compete a vocês determinarem isso, como leitores atentos ou não atentos.

Ainda não entendi o que faz uma pessoa ler as coisas dos outros.

Ainda não entendi o que me faz escrever para os outros. (risos) Estava ansiosas para escrever o que eu já sei tão bem – esta troca de prazeres entre o exibicionista e o voyeur é de salutar; é algo que acontece desde o inicio dos tempos. Só que agora existe em conceito.

E quero agradecer ás pessoas que ainda me lêem; porque, de facto, não estou a escrever nada de extraordinário. É fácil parecer que se sabe muita coisa quando não se sabe nada. Basta escrever muito; a maior parte das pessoas desiste logo no início; os mais resistentes, ou os mais críticos, insistem em ler até ao fim, só para ver se aquilo vai dar em alguma coisa. Comparando ao “Processo” de Kafka, o que escrevo é assim também, uma pescadinha de rabo na boca; quando pensares que vai acontecer alguma coisa não vai acontecer nada. Se não leste “O Processo” não perdeste nada, digo-te já; a estória acaba como se iniciou. E pronto – acabei de cometer um suicídio literário; vão chover mil comentários de apaixonados fervorosos. É sinal de que chegaram até aqui.

Estou aborrecida. Isto é o meu aborrecimento. Escrever coisas ao acaso.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Muito tempo livre...

1ª Etapa


2ª Etapa



3ª Etapa


Resultado Final!!!!!

Estou tão orgulhosa de mim!! SNIF!!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Bastidores

Vi-o e comecei a pensar em como as pessoas olham para mim. Ouvi-o e pensei nesta voz que tenho agora. Detectei todos os sinais que também tenho. Olhei para ele, vestido de palhaço, e pensei: “eu não me conheço”. A cabeça não acompanha o meu corpo, não sei o que realmente posso fazer, o que posso fisicamente usar. Pensei “devia ir a umas aulas do 1º ano”, depois pensei “acho que não me ia sentir à vontade, devia começar sozinha”. Finalmente caí em mim “eu nem saio de casa, quanto mais ir à escola”…

Quando vim para as Caldas quase que nem conseguia ir para a terapia. Para ir ás comprar tinha de ir de autocarro. Depois comecei a fartar-me de esperar pelo autocarro que nunca vinha a horas, e passei a ir a pé, primeiro com sacos leves, depois com tantos que tinha que usar a mão direita para me ajudar. Aos poucos, sem dar por isso, andava mais do que andava na escola. Mas o Outono veio manso e o Inverno chegou a rasgar e arrasou com tudo, marcha, sensibilidade, músculos. Deixou-me com os músculos tão contraídos que nem consigo andar mais ou menos. Arrasto a perna, anca perdida, braço pêndulo… Isto, claro está, acontece quando tenho os membros frios, o que ocorre quase sempre. Remédio? Ficar na cama. Eternidades na cama. Só à espera… No fundo, à espera que o tempo passe para que veja o resultado final, não sei, mas lá no fundinho só quero sentir-me livre. Por isso tenho de ver o meu corpo em movimento, num espelho ou numa gravação…

Porra, e esperar.

Eu gosto da minha voz assim. O meu novo corpo libertou-me de uma série de preconceitos. Entre os quais, a perfeição. Aprendi a ter calma, e a esperar. Nem tudo é mau, nisto. E quando olhei para o Miguel Seabra vi um palhaço. No meio de tantos actores clown, pródigos em teatro físico, vi um palhaço que usava todo o corpo para falar. Ouvi pessoas atrás de mim “ele está a representar ou é mesmo assim?” e congratulei-me por o ver naquele palco, a fazer o que sempre quis, e a fazê-lo bem.

No final, fiquei um pouco. Vi os técnicos a desmontar o cenário. Lembrei-me dos ensinamentos do Daniel, que foi da minha turma e era exímio nas questões técnicas. Apeteceu-me saltar para o palco e ajudá-los a enrolar cabos e a arrumar os adereços. Senti que pertencia ali. Não no palco, mas nos bastidores. Não sei representar, ou já não quero representar. Os meus amigos dizem que estou em negação mas desde o início, quando decidi estudar teatro, que digo que fico sempre feliz dentro de um teatro, nem que seja a varrer o palco. E digo a verdade, só que nunca tinha pensado nisto.

domingo, 18 de janeiro de 2009

"VLCD! Do lugar onde estou já me fui embora"

Criação Teatro Meridional Direcção Cénica Nuno Pino Custódio Interpretação Carla Maciel, Fernando Mota, Luciano Amarelo, Miguel Seabra Espaço Cénico e Figurinos Marta Pedroso Música Original e Espaço Sonoro Fernando Mota Desenho de Luz Miguel Seabra Montagem e Operação Técnica Rui Monteiro Direcção de Produção Narcisa Costa Produção Teatro Meridional

Eu fui ver. A Torres Novas.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

domingo, 11 de janeiro de 2009

Nasceu!!!

A 1ª REALITY BD do MUNDO...
...drama...
...violência...
... sexo...
... OU NÃO!!!
E daí talvez sim...
...CHEGOU!!!

Criada por Daniela Maria Morganiça Reis e Gustavo Macedo Moreira Santos

sábado, 10 de janeiro de 2009

E hoje, para começar bem o dia...

...a minha perna pregou-me um susto tal quando acordei que julgava que não conseguia andar. Os musculos contraíam-se sozinhos, tanto que estava cansada sem ter feito nada.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Merda Sublime


Eu gostavas dos dias frios com sol. Não havia coisa que mais me aprazia do que abri o estore e ver um sol radioso, mesmo que metesse a mão na janela e sentisse um frio de gelar. Os dias têm sido assim, e abro o estore para levar com um dia de esperança. E ponho a mão por uma frincha da janela e vejo; o frio cortante está lá. Mas já não me regozijo a por cachecóis nem gorros nem luvas. Mas eu já sabia, assim que pus os pés no chão. Há quem tenha um mindinho que diz o tempo. Eu tenho meio corpo.

Agasalho-me o melhor possível e vou. Não sinto a perna até ao joelho, e a mão, por mais que a esconda no casaco, dói-me atrozmente. Coxeio de casa até à terapia. Torço o pé. Os olhos lacrimejam. O nariz escorre muco verde que não quis sair na noite anterior. Cruzo-me sempre com o mesmo homem no jardim. Vamos ambos em passo apressado, em sentidos opostos, os dois de fato-de-treino. Se chego atrasada cruzamo-nos junto ao parque infantil, se chego um pouco mais cedo, vejo-o em frente à antiga escola profissional/ palacete sombrio e abandonado mas que teima em ser imponente, mesmo na sua decadência.
Geralmente cruzo-me com o homem perto do café do parque. Ele aparenta ter cinquenta e tal anos, com um bigode digno dos anos 80. Olhamo-nos com interrogações lançadas pela curiosidade de quem se cruza há meses e não sabe mais nada do que especulações. Ele pensa “ela vai para a escola” eu penso “ele está desempregado”. Esta troca dura apenas uns segundos, o tempo de nos cruzarmos. E pensa-se tanta coisa em poucos segundos…
Falo nisto porque são estes poucos segundos que me distraem das dores, do frio que me roí. Não espero clemência de ninguém nem de nada, nem do frio perverso que se diverte ás minhas custas. Só os mais fortes resistem, é a lei da natureza, mas ainda mais forte é a lei da Daniela Furacão. E amanhã repete-se o processo de sofrimento, e depois, e depois, até que os primeiros rebentos surjam na cidade caótica que é atravessada no coração por verde e um enorme palacete feio onde os pombos cagam vezes sem conta, toneladas de merda branca. Se calhar é por isso que o palacete ainda se aguenta em pé, colado com merda de pombo com centenas de anos. Mesmo assim, qualquer pessoa que passe por ali, do turista ao jardineiro, não consegue tirar os olhos daquela magnifica estrutura. Mesmo que feita de pedra e de merda.

(Todas as coisas e seres têm um lado menos sublime para suportar a sua beleza.)

O Hospital é um sonho de criança em que se imagina num baile no Salão Nobre com vestidos vitorianos de cores alegres e margaridas a compor o cabelo comprido e ondulado. Eu pelo menos gostava que assim fosse. Que todos aqueles aparelhos e maquinas dessem lugar a corredores longos de promessas de amor e longas varandas cobertas de hera e tímidas flores brancas. Que médicos e terapeutas e doentes fossem na verdade membros de uma corte imaginaria com sorrisos pintados que nunca mais saíssem, e que os seus corpos exaltassem beleza e juventude, que os seus corpos fossem banhados pelas aguas quentes do interior da Terra em brincadeiras inocentes de quem não mostra o corpo mesmo colado as vestes húmidas.

Há um segurança que me cumprimenta sempre. Subo no elevador. Peço o cartão. Aguardo. Vou para a cabine. A humidade quente dói. Fogo com fogo se extingue. Fisio. T. O. . Ás sextas, também T. Fala. Três vezes por semana. Só três vezes por semana e custa. Preferia estar no Salão Nobre a dançar sem dores. Mas vulgarmente meto-me em auto-piloto e aqui vou eu. Acordo ao meio-dia e meia, e já não penso nem em homens de fato de treino nem em palácios de merda nem em nada. “Ir embora para casa” onde me espera o ócio e lambo as minhas dores como um gato vadio no covil. Não tenho comida na despensa porque não saio. Vou buscar uma sopa à pressa para voltar e como só para manter o estômago sadio, para não sucumbir à quantidade de químicos que como por dia. E durmo… Aí acordo feliz graças ao quente dos lençóis e à quase ausência de dor. Demoro um pouco mais a sair da cama, mas invariavelmente tenho que o fazer pois tenho de alimentar a minha cabeça de merda, não de pombo, mas de drogas lícitas que, ainda bem, me ajudam a não sofrer tanto. Amor com amor se paga. Afinal a lei a Daniela Furacão não passa de um desejo árduo de aguentar esta merda sem ir ainda mais baixo.
A lei da Daniela Furacão diz só isto; DESEMERDA-TE.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Remembering Joe Dassin

Love 'n miss you babe**