terça-feira, 12 de outubro de 2010

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4ºC de saudade e frustração. De vestido creme gigante, a puta velha ainda atrai. Todos os dias o antigo comunista russo dá de beber ao mesmo gato à mesma hora, antes de apanhar o trolley. A cidade cheiro a mijo e a perfume de supermercado, o por-do-sol queimado de medo não traz nada de novo. “I'm perfect and my grandfather was a solider. Say it!” repetia o violador com os olhos cravados no odio. O ranho da russa dos poucos dentes de ouro a cair para o chão, o ranho da cor dos olhos dela contam uma historia que não sei qual será. Gestos e punhos presos pela manipulação. A P A T I A. sou daqui e de lado nenhum, sou da manta de roupa suja em que durmo 18h por dia. Tenho uma rosa amarela morta, como o fez o Moliere, à janela. Tenho o cabelo mal-cortado pelas mãos duma cobra que se enrolou à volta do meu pescoço. Amuleto salgado. Paginas que quero queimar mas não consigo. Vi-me a um espelho mais forte que eu e queimei-me. Tira vermelha a lembrar-me que a solidão existe porque a deixo dormir comigo. Sinto a cabeça como um dos solo da versão do “summertime” da Janis, descobri-a num sonho e persegue-me agora, como um véu branco de 200km – cortar, queimar, ter a coragem que o tempo me há-de trazer.
General, baixar armas!