quinta-feira, 27 de março de 2008

Dia D - Versão da Rebeca

Nessa noite tinhamos planeado fazer o trabalho para Historia, cheguei á casa da Daniela e ela ti nha-me preparado uma sopa especial, sem batata, estava deliciosa. Conversamos normalmente. Ela estava um pouco em baixo porque se tinha chateado com a mãe antes . Depois derigimo-nos ao quarto para o trabalho. Estavamos cm muitas ideias, mas tudo muito numa cena mt improvisada. Derepente ela começou a sentir se mal, eu estava calma, devo confesssar que não entro facilmente em stress neste tipo de situações. Mas também fiquei mt surpreendida, disse lhe para se acalmar porque ela me tinha dito que tinha tendência para ataques de pãnico. Depois comecei a sentir me "paralizada", ela começou a queixar se do braço, depois a fala começou a tornar se muito estranha, parecia mesmo como se ela ficasse paralizada. Depois da nossa tentativa frustrada de chamar ambulancia, e do desespero dela chamáma-mos um taxi. Foi tudo tão surreal parecia um filme. Depois de a levar ao Hospital, entrei cm ela a area de urgencia, fomos atendidas, e ela acabou por vomitar e tava praticamente inconsciente, como se estivesse a desaparecer lentamente. Foi me perguntado se ela tinha tomado drogas, se consumia. Neguei lhes e disse lhes que ela consumia outro tipo de medicamentos. Na mesma noite ainda os fui casa dela e trouxe-os. Continuei-me por lado sentir que estava noutra realidade, so epercebi-me completamente do horror quando a vi a ser levada pela ambulância. Foi horrivel vê la tão " pequenina", mas ao mesmo tempo tive a senssação de ela estar em boas mãos. Tive esperanças, que as coisas ficassem bem. A espera foi longa, muito longa .

segunda-feira, 24 de março de 2008

Desabafos a um Estranho #1

Mimi Siku, o meu ídolo, a subjugar o Mundo


20 de Março
"Vi a minha vida num flash e cheguei à conclusão que vivia numa espera que algo de absolutamente fantástico acontecesse. Aconteceu, mas foi algo que não queria, e nem estava pronta. A ingenuidade acabou e sinto-me desencantada. Não parei de sonhar, mas sonho mais perto do mundo.Não me sinto bonita pois o meu corpo se tornou desigual. É triste dizer isto, mas é quase como se tivesse vergonha de mim... E padeço de uma sinceridade brutal que não me permite ver as coisas com cores alegres. O conceito vigente de beleza está cumprido, mas as feridas emocionais demoram muito a sarar, e por dentro ainda vivo com medo. "


21 de Março
"Tive um AVC à nove meses, por isso tenho muito tempo. Não me sinto bonita porque o meu lado direito ficou paralisado, e agora estou a fazer fisioterapia. Estou quase normal, mas agora falta-me a coragem, a paciência, falta-me um ser um pouco quem era. Sinto-me velha e cansada. Achas que me sinto bonita? Respondo-te agora sem rodeios nenhuns, não, não me sinto bonita porque o que quer que eu faça está lá o corpo a lembrar-me que coxeio, que tenho um braço que não se sabe comportar como um braço, não me sinto bonita porque as pessoas olhar para mim com pena e com uma curiosidade estúpida, e não, não sou bonita porque sinto uma raiva dentro de mim que não sai, e fica tudo aqui dentro. E é por isso que falo com estranhos, as pessoas que me rodeiam querem fingir que está tudo bem, por mim e por eles."


21 de Março – parte 2
"Acho que é esse o meu problema, ter de pena de mim. Quando estou sozinha sinto uma revolta tão grande, contra tudo, contra mim, contra as pessoas e, sobretudo, contra esta merda de sorte que me assola, porque por mais que tente ser feliz, não me consigo desligar deste problema porque ele está sempre aqui, nos meus movimentos, nos meus pensamentos. Estou a ficar ansiosa por ficar bem, pois isso significa a minha liberdade, e nunca gostei de ficar presa, nem a pessoas nem a sítios, e, de repente, vejo-me dependente das pessoas, quer a nível motor como sentimental, e não gosto, não gosto mesmo de precisar de alguém. Mas preciso (…) (estou á espera que alguém me venha salvar, salvar de mim própria, mas sei que isso é algo que só eu posso fazer. De certa forma queria partilhar este sufoco com alguém que não me dissesse "tens de ter paciência", foda-se, porque estou farta, farta que as pessoas sejam condescendentes comigo. Quero-me sentir mulher outra vez, e não um bichinho que não matas porque é frágil e não faz mal nenhum). "

24 de Março
"Meu deus, meu deus, com quanto sofrimento tenho que lutar? Ambos temos dores no corpo e na cabeça para nos fazer lembrar que éramos felizes… A nostalgia é o meu grande conforto e penitência, "lembras-te do quão eras feliz, Daniela? Lembras-te de todos te desejarem como fosses ar? Lembras-te das serenatas entre copos e poesia que te deixavam mais alegre, mais bonita, mais mulher?" Lembro-me disso tudo, e cada dia é mais um recordar. A esperança é real, mas quanto tempo? Quanto tempo mais vou ter de recordar até ter outra vez a minha vida? Engano-me, não quero a minha vida de volta, quero uma nova vida, uma vida que esperei sempre, quero ser vagabundo e amar, amar quem me quiser, o que me quiser. Antes tinha uma âncora imensa que me pesava, era o medo, medo de ser feliz, talvez. Medo de ficar tão feliz e cair. Mas cair já caí eu, e vejo agora que esses medos não me deixaram ser livre. Agora tenho uma âncora que é mais real. Então só me resta dormir e ver os dias a passar, porque cada dia estou mais perto de ser livre, e esta pausa, esta espera só me da vontade de dormir ainda mais para ver se chego lá depressa... Mas chegar lá aonde, e quanto tempo vou ter de esperar?

A espera dá cabo de mim... "Quero ser feliz, porra, quero ser feliz AGORA!!", já dizia o Zé Branco. Eu quero ser feliz agora.........."




Bem-Vinda a Mim!

Esta é a primeira fotografia oficial.
A primeira foto com pose.
(Isto é para as pessoas que receiam ver-me. Continuou tão bonita quanto sempre.)

sábado, 22 de março de 2008

Ataques epiléticos - A Aprendizagem


Foto tirada no dia 27-01-2008, quando estava nas Urgências
após o primeiro ataque epilético.
Desculpa. Mil desculpas por não me apetecer escrever. Dói-me o braço e a perna e o espírito – não quero acordar o fantasma, mas não consigo.

Tive outro foco/ataque/nervos/merda esquisita. Alias, duas vezes, uma no dia 11 e outro no dia 19.No dia 11 estava a fazer Terapia Ocupacional, estava divertida a fazer um jogo de bola, onde tinha que passar a bola entre as pernas e o tronco. De repente, deixo de sentir o lado direito. E aquela confusão… como se o mundo fosse descarregado dentro da minha cabeça, como se, por instantes, soubesse tudo o que há para fazer no universo e a informação fosse tanta que tinha de sair, ou rebentava. Sentei-me e pensei “vou ter outro”. Fiquei nervosa, confesso. Pedi à minha terapeuta Alice para de trazer a mochila. Abri a mochila a tremer e tirei uma metade de um comprimido. A minha mão estava a suar, tive que por o dedo na boca para que o comprimido de soltasse. Meti-o debaixo da língua, como me dissera a medica. E esperei.
(A espera é das coisas mais violenta que sinto…)
E aí começou a luta. “Relaxa, está tudo bem, isto vai passar…” pensei eu num acto de fé, pois era a primeira vez que usei a medicação para parar um ataque. O comprimido dissolvia-se, e eu sentia o sabor a papel por toda a boca, esperando que se fechasse os livros que rodopiavam na minha cabeça. Comecei a ficar sonolenta, tranquila, como se tivesse fumado um charro de erva. Depois veio o frio e a dor de cabeça. Isto significava que tinha acabado. Finalmente.

No dia 19 foi muito diferente. Estava em casa, a preparar-me para sair, e senti, antes de tudo, aquela confusão que come tudo, como se fosse um grande buraco negro a sugar-me para dentro de mim. Só tive tempo de me sentar e tomar o comprimido, pois o meu corpo estava a ser sacudido em ondas, pescoço – peito – nádegas – pernas – e vice-versa, e o lado direito recusava o movimento. Estava à espera daquilo, mas não tão hardcore. A minha mãe só deu conta quando foi ao quarto e viu que estava deitada ao contrário e com as luzes apagadas. “Está tudo bem, mãe, mas por favor vai-te embora porque me deixas ansiosa”, mas claro que ficou alarmada, a fazer-me perguntas. Quando estás a ter um ataque epiléptico começas a ouvir mal, como se a tua voz tivesse sumido e todos os outros ruídos fossem mais intensos, e é por isso que não gosto nem de falar nem de ouvir nada nessas alturas. Antes que me descontrolasse, mandei-a embora com um gesto brusco a apontar para a porta. Deve ser difícil para uma mãe não poder controlar o sofrimento duma filha. Da mesma forma que é difícil para uma filha apaziguar a sua mãe. No fim, veio a dor de novo, mas esta estendeu-se por 3 dias, e durante três dias eu senti-me mais lenta, menos perspicaz, mas o corpo deu sinais de tréguas; não sei que tem a ver ou não, mas cada vez que tenho uma crise, há algo que melhora. Por exemplo, já consigo escrever com a mão direita sem o apoio que torna a caneta mais grossa. E assim, de um dia para o outro.

Como vês, estou mais caustica que antes, em que estava feliz só por estar viva. Não quero ser mal-agradecida, mas preciso de mim de volta.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Gravação #1

Nos meses em que não conseguia escrever fiz uma série de gravações (com muita má qualidade, pois gravava no meu MP3) a falar do que sentia. Nesta altura perdia facilmente o raciocínio, e quanto mais falava mais me perdia. Numa parte riu-me porque tinha-me esquecido do que estava para dizes, o que acontecia regularmente. Já no fim, estava cansada e um pouco frustrada por não ser capaz de exprimir-me, e era esse o problema que estava a focar. Não ser capaz de me exprimir, o que pensava, os meus medos, ou simples ordem, como pedir uma caneta. Transcrevi o texto, pois ele é quase imperceptível. OUVIR MUITO ALTO!

(Até parece mentira, que eu estivesse assim... )


“Bom, eu estou na cama e não sei o que quero falar. Sei lá… eu sou a Daniela, tenho 21 anos, e tive um A.V.C. há pouco tempo, há dois meses, mais ou menos. Não consigo falar muito bem, não consigo ler muito bem, também, não consigo escrever, só copiar, tenho uma perna toda… está… está mais preguiçosa, e também o braço e também um bocado da face. Mas de resto está tudo bem, já fui operada e… e… pronto! (riso) Mais… Não sei quando (imperceptível) … Desculpem… Eu às vezes não consigo falar, mas eu tento (expressar-me) falar, mas eu não consigo eu agora não consigo… (expressar-me) não consigo… Ah… Não dá… Agora não consigo escrever poesia, nem consigo performance, também não consigo ver teatro, nem coisas que eu gosto, mas não faz mal porque às vezes… eu estou fixe, mas às vezes fico mais… Deixa estar. “


Agosto de 2007

segunda-feira, 17 de março de 2008

Reflexão #2

As pessoas fizeram coisas inacreditáveis por mim. Coisas que só um afecto de um adolescente conseguiria. Numa altura, tive uma grande paixão por um guitarrista, que vivia para a música, numa daquelas febres cósmicas que deixava toda a gente perplexa. A sigularidade disto é que ele fez uma música para mim. E hoje, quatro anos depois, e alheio ao que nos tormanos, encontrei-a. E foi um achado precioso, que ocorreu no momento exacto. É que agora estou a passar uma fase nostálgica tão pura como perturbadora, uma fase que me faz ter saudades da paixão e do erro, da mágoa e da fascinação. Isto tudo para dizer que me sinto desoladamente só.
Eu não sou, definitivamente, a mesma pessoa que era, para o bem e para o mal, mas continuo a amar como uma adolescente. E escrevo isto às três horas da manhã, numa urgência obtusa porque passei a tarde a falar do metafísico com o meu amigo Manuel e só estou descansada agora. O "pior" disto tudo é que começo a ter saudades da minha vida e não, não quero ter paciência ou calma, neste momento quero estar nesta languidez nostálgica e pensar "que bom eu não ter aproveitado aquele momento" que bom ser imprefeito, sim, pois agora posso recorda-lo de coração mole. Estou feliz por ter falhado aquela relação, e grata por ter falhado outras tantas, pois agora, de vez em quando, encontro testemunhos deles. E como ele fez essa música para mim, não hesito em coloca-la aqui. Para tu a ouvires e também mergulhado nesta coisa que é uma saudade sem ânsia, saudade apenas, sem pretensões. Até porque se o voltasse a ver, esta magia desparecia, e deixava de ser uma relíquia para ser uma coisa qualquer. O nome desse guitarrista é Miguel, e quando ele fez essa música ele tinha 17 ou 18 anos. Espero que a compreendas tão bem quanto eu.

sábado, 15 de março de 2008

"Oi, Tudo Bem?", dos Garotos Podres

Hoje faço deles as minhas palavras...

"- Oi, tudo bem?
- Tudo Bem......Fora o tédio que me consome, todas as 24 horas do dia, fora a decepção de ontem a decepção de hoje e a desesperança crônica no amanhã, tenho vontade de chorar, raiva de não poder, quero gritar até ficar rouco, quero gritar até ficar louco, isso sem contar com a ânsia de vômito, reação a tal pergunta idiota...Fora tudo isso, tudo bem."

terça-feira, 11 de março de 2008

O Internamento

As coisas más
A minha estadia nos covões não foi tão dramática como alguns amigos meus pensaram. Não sei porque, talvez porque fui tratada muito bem por todos. O meu caso era grave, embora não tivesse consciência disso. A primeira semana (fora dos C.I.) foi calma, até porque não pensava muito. Passava o tempo a dormir e a ver televisão (num estado vegetativo – não me interessava o que estivesse a dar. Desde que estivesse a dar qualquer coisa…). A primeira vez que me apercebi que estava “presa” num hospital foi um momento, à noite, em que as auxiliares apagaram a televisão eram talvez 22h. Não tinha sono e então comecei a pensar… e a chorar. Mas da minha voz saiam uns esgares horríveis, e quanto mais eu me ouvia, mais chorava. Devo ter acordado a rapariga com quem eu partilhava o quarto, não sei, mas aquele foi o momento em que me senti mais pequena, frágil, vulnerável, impotente, sei lá mais o quê do cosmos inteiro.

(Pausa para respirar…)

Eu fui operada de novo na 3ª semana. Tiveram que me fazer exames, um dos quais uma ressonância. Outro momento difícil. Primeiro meteram-me uma coisa qualquer por uma veia da virilha até à cabeça. Depois colocaram-me numa maca especial e deram-me uma injecção, disseram que era qualquer coisa para fazer o contraste, para de verem as veias no ecrã. Mas isto não me custou nada… Quando a maquina começou a trabalhar, isso sim, eram dores! Porque quando a radiação começava (para “tirar fotos” ao meu cérebro) começava a sentir a cabeça tão quente, mas tão quente que parecia que ia rebentar. E não foi só uma vez…
No dia antes da operação chorei um pouco. Lágrimas de crocodilo, estava com um receio inconsciente de qualquer coisa. Mas estava bem, confiante. No dia da operação estava um pouco nervosa quando me levaram para a sala em que preparam as coisas todas e me anestesiaram. Cheguei e vi que havia pessoas que, como eu, estavam a ser preparadas e outras que saiam do bloco. (Parecia hora de ponta…) Nem sei a que horas fui operada, lembro-me que era ainda de dia. A anestesia foi diferente (eu já tinha sido operada ao apêndice…) do que me recordava, foi mais lenta, e estava a ver a dobrar. Lá uma enfermeira (?) disse-me para fechar os olhos.
Acordei com a cabeça ligada e com uma dor miudinha por toda a cabeça, e achei que era melhor dormir. No dia seguinte acordei bem, estava feliz de ver a minha família lá.

As coisas boas (se é que se pode falar em coisas boas…)
Sempre fui muito bem tratada, por toda a gente. Falavam comigo, brincavam comigo. O apoio da minha família também foi muito importante, todos os dias esperava que viessem, com o seu cheiro a casa e com histórias da Mimi Siku (a minha gata). Fiquei surpreendida com o facto de amigos meus, alguns nem os via a anos, me virem visitar. Eram sempre uma surpresa agradável, traziam-me livros, bolos, sumos, mimavam-me até mais não. Foram todos eles que contribuíram para a minha confiança “Vai correr tudo bem”, e correu o melhor possível. Também houve amigos que não conseguiram ir ao hospital (ou por impossibilidade ou por medo) mas que sentia que eles estavam a transmitir energias positivas. Tenho de agradecer…

Ultimo dia
Eu não estava à espera de sair tão chego, mas ainda bem, pois começava a ficar ansiosa. Alguém veio ter comigo e disse-me que ia ter alta. Em altas estava eu! A minha mãe ficou confusa, eu ainda tinha agrafos na cabeça (33) e ela não sabia o que fazer comigo. Uma enfermeira esclareceu-a, e “ala que se faz tarde”! E ela continuou com medo… Isso já é assunto para outro post.

Pensamento final
Tive medo, tive dores, tive de lidar com muitos episódios embaraçantes, mas, talvez por não me aperceber do risco que estava a correr, nunca me vi tão optimista na minha vida.

segunda-feira, 3 de março de 2008

A História da Bruxa

Hoje fui falar com a minha médica de Neurologia, para a pôr ao corrente do meu outro foco epiléptico. (Nota: Um foco epiléptico, ou Crise Parcial Simples não é brincadeira nenhuma. Eu fico paralisada do lado direito, que é o mais frágil, deixo de ouvir e o lado direito da garganta começa a apertar. Se quiseres mais informação sobre isto podes ir ao http://www.lpce.pt/doenca.htm.) Até porque tinha uma carta para ela.
Bom, ela tratou-me com tal desdém que até fiquei atónita, como se eu fosse uma hipocondríaca mentecapta. Ela disse-me que o que eu tinha tido era ansiedade e que não podia correr às Urgências cada vez que ficasse nervosa. A mulher nem me deixou falar, até que me perguntou qual era a medicação que eu fazia para a epilepsia:
-“Estou a fazer 2 comprimidos de 0,5 mg antes de dormir”, disse a Menina.
-“Então não te tinha mandado tomar meio, meio, um? Ó Daniela, vamos lá ver uma coisa, assim vai ser difícil, eu não te mandei fazeres meio, meio, um?”, disse a Bruxa.
-“Não, essa medicação deixava-me prostrada e eu passava a vida a dormir, então falei consigo e…”, precipitou-se a Menina.
-“Não foi isso que eu disse! Eu disse meio, meio, um! MEIO, MEIO, UM!!!!” , disse, entre rugidos, a Bruxa. Aí começou arregalar os olhos e a espumar-se e a falar numa língua que só as Bruxas conhecem.
E, de repente, apareceu a fada madrinha, a Consciência, e deve ter-lhe dito:
-“Olha que a miúda tem razão…”.
MORAL DA HISTÓRIA#1: Quando tens razão, deixa-te estar.
MORAL DA HISTÓRIA #2: Às vezes é bom ter médicos privados.
MORAL DA HISTÓRIA #3: Para a próxima leva a tua mãe contigo. As mães têm um poder escondido de provocar simpatia nas pessoas. Daquela simpatia…

sábado, 1 de março de 2008

Desabafo #1

Preciso tanto de ti, tanto, preciso de limpar a minha alma e a minha cabeça, preciso de paz, muita paz, ou então um bocadinho, só, para me manter desperta, para aguentar mais um pouco, só mais um pouco… Queria respirar fundo uma vez só, abrir os olhos e ver-me a dançar como em tantas outras vezes, queria beber até ficar alheada desta merda toda, sim, merda, punhenta, broche, foda, putice, o que eu quiser porque sou eu que sinto, sou eu que vivo isto! Paciência? Paciência??? EU TENHO MONTES DE PANCIÊNCIA, SIM, EU TENHO PANCIÊNCIA, NÃO QUERES SER MEU AMIGO, SIM? Sim? Estou aqui tão sozinha dentro de mim, tão errante, tenho tanto medo! Estou cansada, estou consumida neste pânico, todos os dias o mesmo terror – o meu corpo não me compreende e as pessoas também não, que fazer? Diz-me, ou então rebento - e todos os dias a mesma farsa, “está tudo bem, tudo bem”…
Mais uma noite à espera, à espera de me compreender, mais um cateter, mais um TAC, mais gritos, gemidos, as pessoas sentem-se tão sós nas Urgências, tão assustadas… E eu ali, qual actriz daquela miséria humana, participante daquele ónus infernal, eu, tão pequena como se fosse um pássaro que acabou de sair do ovo. Não existe justiça poética merda nenhuma. E depois que nos apercebemos disso, deixamos estar, pois não existe nada que possamos fazer contra a puta de sorte que nós temos. Foda-se.