sábado, 6 de junho de 2015

Portas abertas

Ohh yeahhhh, feeling good and god bastou abrir a porta, meter Doors para alegrar também os vizinhos e, ai tão bom, problemas? Para outra altura. Disse que não à medicação hoje. Ainda ontem estava pronta para me matar e hoje estou pronta viver, os desequilíbrios da mente são deveras interessantes, não para os estudo mas para os gozar (uma pausa - enquanto escrevo a minha gata coloca cada pata no tempo, como um metrónomo, na minha direcção. Instante deveras lindo e indescritível). Coloquei a mesa e uma cadeira no pátio (a gata da vizinha está adormecida no parapeito da janela e deixou cair o rabo que parece um furão branco ás riscas amarelas) virada para o jardim. A música é um dos principais motivos/ pilares da minha escrita, tenho-me apercebido disso. Está aqui sempre, para o bem e para o mal. Estou a pensar numa amiga minha de infância, a Anita, que sempre trabalho nesse ramo. E, como ontem estava a lamentar a minha vida numa conversa com ela, este post vai para ela. Porra, e eu odeio ouvir gente a lamentar-se - desculpa lá Anita, tens sido cinco estrela e de uma paciência invejável. Esperem por novidades :)

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Grito de exaustão

Mão Morta mood. Sinto-me morta há demasiado tempo. À minha procura, perdi-me. Vozes várias são pródigas a aconselhar-me, parece que vivo num inferno de palavras saídas dum reles audiobook. Tem que partir de mim, mas sinto que valho tanto quanto uma folha em branco rasgada. Estou morta. O que será pior, morrer ou viver com o medo?

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Karma

Tive a pessoa certa no momento errado e a pessoa errada no momento certo. O problema de estar no momento certo é que todas as pessoas parecem certas e nós é que estamos errados. Enganamos-nos a nós próprios. A queda na realidade é tão dura, e mais duro é procurarmos a pessoa certa nos outros. Receio que o amor já não me dê outra oportunidade e como castigo estarei para sempre só. É justo.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Memórias (Perdoem-me)

Pata de gato na minha boca. Ouço a Rainha PJ, hoje não foi um dia bom. Estou assombrada pelas memórias, sobretudo após ter passado olhos nalguns posts antigos. Chego à conclusão que nem escrever sei já. Sinto que toda eu sou um nada, nem numero sou. Triste? Pensativa. Perdi muitas coisas boas por minha culpa. Larguei os sonhos por medo, por saber que iria chocar contra a parede. A minha força (ou inconsciência, mas não deixa de ser um impulso) de outrora dissipou-se quase por completo. Esta cidade está-me a consumir, a deixar-me letárgica e quase mentecapta. Sei que alguém me viu. Desconfio de uma alma boa que espero não ter aniquilado. A plantação do passado só agora deu algum frutos e estão carregados de fel. Nunca entendi bem as pessoas, mas quiseram desaparecer por completo da minha vida deduzo que as magoem de formas inimagináveis. Dizem que nunca é tarde para pedir perdão. Dizem também que as desculpas evitam-se. Não sou orgulhosa sem rancorosa e guardo sempre as boas memórias. São essas que ficam, aliás. É por isso que estou condenada à eterna saudade. Talvez até esteja condenada à solidão. Sinto-me confusa por não saber o que sei. Isso doí... É tão mais simples passarmos a pagina à frente daquela que não entendemos, mas pela primeira vez tento ser racional e não o fazer. Mas nunca pensei que a racionalidade nos enlouquecesse. Sinto de novo o ímpeto da fuga, mas não se pode fugir ao peso da idade. Comecei este Blog aos 22, e parece-me que estou no mesmo caminho. Sempre parada em frente não duma bifurcação mas num cruzamento em que cada saída dá para um sem numero de outros tanto em que a escolha certa é apenas uma possibilidade remota. Logo fico parada, à espera que o vento me leve ou a coragem me faça arriscar. Estou pronta, o medo acompanha-me sempre mas não me retêm; apenas sussurra ao ouvido se devo ou não entregar-me. Acho que aprendi finalmente. Sinto tanto a necessidade de ser perdoada! Sei que errei, e provavelmente voltarei a fazê-lo, no entanto em todo este tempo posso dizer que, como dizia o Beckett, FALHA MELHOR. Não digo isto como falhar de uma maneira mais requintada, cruel nem manipuladora. Apenas sei que nem eu nem ninguém pode evitar errar, logo tento não magoar mais ninguém, ou não magoar tanto. As palavras são lâminas, mas os actos são punhais. E o desprezo é um punhal de dois gumes pois perfura tanto o desprezado como quem o comete. Quem despreza guarda também o rosto da outra pessoa, mantêm-a viva em si. Pior que isso, inflama o rosto do desprezado no coração d'outra alma que se abriu para amar. Ninguém merece amar ninguém que traz no peito o semblante de outra pessoa. Porque a página não foi lida. Nunca se saberá como nem porquê as novas almas que se entregam a quem despreza surgiram. Só o desprezado sabe, e isso é um poder imenso. Ninguém sai a ganhar, só a tristeza e o rancor. Pára. Pára. Liberta-me e liberta-te para que possamos seguir os nossos caminhos. E perdoa-me, se conseguires. E isso só fará bem a uma pessoa, a ti. Lembras-te de tudo o bom que vivemos? Procura-o, está bem dentro de ti, debaixo dessa camada imensa de ódio e rancor. Verás, se conseguires sentir-te-ás livre de mim. Talvez não queiras, mas se for esse o caso... Digo-to muito francamente que me queres. Queres-me em ti e não me libertas. Por isso peço-te, imploro-te, liberta-me. Deixo-te aqui, em público, joelhos no chão e olhos pregados na calçada, Perdoa-me.

domingo, 22 de março de 2015

Passo o que escrevi e a ansiedade esperou por mim. Será mais uma noite em branco. E agora os meus monstros não me fazem companhia - atormentar-me. Amanhã será outro dia de luta contra o que sinto e as minhas expressões faciais.

Não, nunca e talvez.

Still alive but not kicking. A Maria-Homem encontra-se num bar cheio de desconhecidos. A vontade de estar com alguém que não quero ver. Dicotomia estranha, como todas. A raiva do alivio de ter errado é uma sensação estranha. Peço uma folha e escrevo com a caneta que é a única coisa que guardo mas nem isso tem valor. Faço malabarismo para segurar na caneta e no cigarro ao mesmo tempo. Electro hoje não me faz dançar. Nem triste estou, na verdade. Talvez vazia, e pela primeira vez sinto isso como algo bom. Parece que as coisas já não me afligem como dantes. Sinto-me um peixe fora d'água como sempre, mas essa sempre foi a minha cruz e já nem sinto o seu peso. Hoje purguei os meus demónios. 2 - 9 assim. Eu. Menina-Gato, Maria-Homem, seja como for. Sinto apenas saudades de tudo e também irei sentir saudades disto. Pausa - Mão Morta, como a minha, ainda ontem ouvi esta música: "A morta não precisa do teu sim". Nem o amor. Não volto a cair nos mesmos erros, ou se cair caio de forma diferente, contudo são esses erros que me deixam nostagica. Abraço-os, e só me arrependo de uma falha, o mesmo que me persegue há anos. Não posso esperar o perdão de quem amei, mesmo quando me convenci do contrário, mas aprendi que nas relações humanas falham sempre dois. Não posso esperar mais nada de ninguém. Não o posso fazer, nunca tive jeito para as pessoas. Talvez a minha cruz seja estar só, quando sempre ansiei não o estar. E desta sinto bem o peso. Para quê lutar contra este gigante? Vale mais andar ao seu dado do que deixar que me esmague. Sei que um dia esta cruz vai pesar menos, só me resta aguardar. Por enquanto arrasto-a. Os monstros também são amigos, sim. Tenho-os sentados na cadeira vazia à minha frente, e fazem-me companhia ao seu jeito. Sempre fizeram, mesmo quando não queria. Agora sei a sua importância. E é muita. Mais do que qualquer pessoa que tenha passado pela minha vida. Porque eles ficam. Sou carente, talvez pelo meu passado remoto e ninguém tem culpa de isso. Então vou parar de lutar contra isso, nem contra os meus defeitos-virtudes porque sou um pau muito torto e não espero milagres. A vida brincou comigo e ainda estou a aprender. Aceitei isso, mesmo a custo, e vejo hoje que foi uma filha da puta, mas chorar sobre o leite não me faz mais feliz. Sigo, bem ou mal não sei e provavelmente nunca o vou saber. Amadureci à força e isso não foi justo. Deixou-me frágil. Tanta coisa para lidar que meto as mão pelos pés e uma não aguenta nem um passo. E caio demasiadas vezes. Nem a propósito: "É só mais um começo com teus dentes no chão". Todavia este começo foi tão abrupto que ainda não sei bem o por onde começar. Sei que a saudade não me faz bem nenhum mas as expectativas também não. A saudade também magoa, mas a frustração fere. A escolha óbvia será aceitar o que ainda há-de vir - positivo ou não - por melhor que isso nos faça sentir - a ESPERANÇA. As quedas inesperadas são mais fáceis. Há anos escrevia estórias. Hoje escrevo histórias. Dá que pensar, não? Julgava que não me sentia com a idade que tenho, ou velha ou nova, dependente dos momentos, mas afinal estava enganada. O tempo é tão relativo que cheguei à conclusão que não tenho idade, apenas cansaço e muitas histórias para contar. É bom ter histórias, mesmo que não as contemos a ninguém. Sobretudo quando não há ninguém com quem partilhas a mesma história, porque aí temos sempre alguém associado a essa memoria, o que nos faz ter saudades não dos momentos em si mas das pessoas. Quando exprienciamos parece-me mais saudável, corrijam-me se estou enganada. Já não me recordava da paz que sentia quando escrevia em sítios públicos. Deixamos de estar ansiosos. Parece que o mundo pára para dar vez ao jorrar das palavras. Linda Martini e cavo mais um pouco. Todos os meu amores foram combates, talvez seja isso que me dá alento para amar amar. Ou talvez não saiba amar, talvez não lide bem com perdas, talvez seja a paixão que me mantém viva. Talvez seja esse o motivo do meu vicio eterno pela a sua busca desenfreada, o que já provei a mim mesma inúmeras vezes que não corre muito bem. Porque amar verdadeiramente só amei uma vez e esse perdi-o para sempre. Talvez seja esse o motivo que me força a ama-lo.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Maria-Homem

Hoje enchi um lago. E tenho mais para um oceano. Acho que não tenho muito jeito para o animal humano. A minha armadura está ferrugenta e a espada, partida. Parece-me que estou próxima de vestir o colete de forças. Os meus fartos jantares (dignos de reis) são as pedras da calçada. Acordei com as minhas dores de estimação mas deram-me outra para acarinhar. É selvagem, tenho que a domar com todas as minhas forças e (nem sei onde tenho este poço delas mas arranjo sempre um pouco para me socorrer naquele instante) da garganta não passa. Pelo menos quando o quero. Lutamos, até, um pouco. Mas por fim adormeceu, sabendo que quando abrir os olhos daqui a um instante, ele está já acordado e a olhar para mim, em pose de ataque. E quando me olhar ao espelho ele estará espelhado no relevo dos meus olhos e na profundidade dos mesmos. E será mais um dia de combate, até ele ficar no canto dele e olhar para mim só para me relembrar do que é. Porque o é. E eu não queria mais nenhum - nunca se quer, mas para viver as alegrias felizmente tem que se receber um. Quando as orquídeas viram rosas. Tudo tem a sua beleza, por isso gostamos do sal que fica - por muitos que os espinhos nos sangrem. Até nos picamos pelo prazer na dor. Portanto não é tudo mau. Apenas não gosto de pontapés na cara quando já se está no chão. Chega-se ao ponto da bota te atravessar até ao teu âmago, e sentes o teu ser a dissolver-se em moléculas. Aí tudo é tão mais difícil de se recompor... Não impossível, mas leva tempo, e o tempo a apanhares-te do chão, assim, tão pequeno, e tu, tão incompleto, parece demasiado. Maria-Homem, pensei no outro dia. Estava sentada ao balcão do café, cigarro, bica, e a minha solidão. Como em tantos dias. Como todos os dias. Maria-Homem, eu. Velha como o Sr. Zé que vai ao café e faz exactamente a mesma coisa que eu. Chega. Vou dar o nó aos meus pensamentos e apagar-me o máximo que conseguir (mesmo com as palavras que me cortaram a ecoarem lá dentro). Sustem o fôlego! -----------------------------------

sábado, 14 de março de 2015

Duval

Uso o gorro para tapar o nariz mas no fundo serve para fintar a tristeza e a raiva. Acho que a tristeza e a raiva quando se aglutinam dá-se o nome de "frustração". Mas como posso eu estar frustrada de algo que não controlo? Seja como for, tenho o peito a expelir aranhas de entre as minhas vísceras e isso faz com que sinta uma vontade sobrenatural de ser violenta, provocar o desacato, gritar que o ódio mora em mim e que em mim morreu a paz. Não é frustração, afinal. É vergonha. Toda eu estremeço, frio, ressaca, dor, raiva, um deles ou todas ao mesmo tempo. Bem-dito Adolfo que me compreende! É o desprezo. É isso. É exactamente isso que me mata, e só o cigarro me impede de gritar, e o choro... engole-se. É cedo para expandir-me em epifanias. Vou aproveitar - é Sábado. Preparei a minha máscara e o taco está a postos. Hoje chamo-me Duval.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

"...maybe some faith would do me good..."

Christian Death. Romeo's Distress. Nem a propósito. Olá Re-Cobro, long time no see... Tenho sido incapaz sequer de olhar para a minha caixa de Pandora. É difícil, ela está ali, aberta. Está aberta há tanto tempo que receio bem que até a Esperança a tenha abandonado. Me tenha abandonado. Evito pensar. Evito sentir. Evito chorar. Logo não sorrio, não crio, não tento nada, deixo-me ficar na rotina sem olhar para o espelho. Mas hoje fiz-lo. Fiz-lo numa conversa que, sem querer, me abanou. Não foi à falta das inúmeras conversas que tive de semelhante conteúdo, nunca iniciadas por mim, sempre pelos outros. E eu sempre a puxar o meu pedaço de metal, leve, para as palavras não me atingirem mas, como elas são traiçoeiras... Atingem-me sempre de uma maneira ou de outra, e eu replico com palavras duras para as quais ninguém tem contra-argumentos porque, no fundo, não sabem lidar com elas. Porque não deixo ninguém me tocar sobre isso. Sobre essa merda que me fez escrever este blog. Mas, como dizia, disse nessa conversa coisas que nunca me imaginei dizer, muito menos SER. Se doí? Não sei... Foi como embater numa parede a 200km/h de cabeça e ver tudo claro. Ver-me nua, sem pele nem músculos, órgãos ou ossos. Ver-me tão profundamente que nem o que o comum mortal entende por a alma chega para o definir. Vi-me na imensidão de todas as energias de todas as coisas, vi-me tão cruamente como se estivesse morta. Quando não resta mais nada de nós a não ser um misto de energias de que eu faço parte. A mesma energia que sinto quando mergulho os pés na água o ribeiro de São Pedro de Moel, no meio no pinhal, com os eucaliptos colossais e ao mesmo tempo tão leves que parece que flutuam, a tapar o céu deixando espreitar só alguns raios de sol. E a brisa a fazer oscilar os ramos mais finos que guardam as folhas, numa dança tão doce, tão subtil, um bailado de almas velhas. Vi-me de um modo tão genuíno que era impossível não ficar assustada, sobretudo quando se vê o que eu vi. Posso afirmar, de consciência tranquila, sem vergonha, medo ou dor (até porque isto são factos, e por muito inconvenientes ou dolorosos que sejam não o deixam de ser) que cheguei à conclusão que tenho muito medo da solidão (aliás, tenho muito medo de ter medo), que me tornei numa pessoa influenciável, uma pessoa extremamente carente e, pior que isto tudo, uma pessoa frustrada. A razão destes males não me interessam, até porque sei muito bem quais são e estou cansada de fazer o papel de vitima. Se eu algum dia sonhei, mesmo num pesadelo mais remoto, em tornar-me naquilo que sou... Se há solução? Claro que sim, e é bem simples. Se tenho força de alcançar até as coisas mais simples? (Parei um bom bocado a olhar para o teclado. Só pensava em ir fumar um cigarro, acho que isto demonstra a complexidade que essa pergunta tem. E vou fazê-lo, ás vezes as respostas surgem num bafo.) Venus in Furs e uma resposta. Se tenho força? Tenho. Basta libertar-me daqui e sentir-me novamente dona de mim. Se será difícil? Se sei por onde ou como começar? Sei, de certo modo. E de novo a mesma questão - se terei força? Parece-me que isso são contas de outro rosário. Ou contos para outros posts. Fecho em grande: Fiona Apple - On the Bound "...maybe some faith would do me good...". Creio bem que sim.