quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

"...maybe some faith would do me good..."

Christian Death. Romeo's Distress. Nem a propósito. Olá Re-Cobro, long time no see... Tenho sido incapaz sequer de olhar para a minha caixa de Pandora. É difícil, ela está ali, aberta. Está aberta há tanto tempo que receio bem que até a Esperança a tenha abandonado. Me tenha abandonado. Evito pensar. Evito sentir. Evito chorar. Logo não sorrio, não crio, não tento nada, deixo-me ficar na rotina sem olhar para o espelho. Mas hoje fiz-lo. Fiz-lo numa conversa que, sem querer, me abanou. Não foi à falta das inúmeras conversas que tive de semelhante conteúdo, nunca iniciadas por mim, sempre pelos outros. E eu sempre a puxar o meu pedaço de metal, leve, para as palavras não me atingirem mas, como elas são traiçoeiras... Atingem-me sempre de uma maneira ou de outra, e eu replico com palavras duras para as quais ninguém tem contra-argumentos porque, no fundo, não sabem lidar com elas. Porque não deixo ninguém me tocar sobre isso. Sobre essa merda que me fez escrever este blog. Mas, como dizia, disse nessa conversa coisas que nunca me imaginei dizer, muito menos SER. Se doí? Não sei... Foi como embater numa parede a 200km/h de cabeça e ver tudo claro. Ver-me nua, sem pele nem músculos, órgãos ou ossos. Ver-me tão profundamente que nem o que o comum mortal entende por a alma chega para o definir. Vi-me na imensidão de todas as energias de todas as coisas, vi-me tão cruamente como se estivesse morta. Quando não resta mais nada de nós a não ser um misto de energias de que eu faço parte. A mesma energia que sinto quando mergulho os pés na água o ribeiro de São Pedro de Moel, no meio no pinhal, com os eucaliptos colossais e ao mesmo tempo tão leves que parece que flutuam, a tapar o céu deixando espreitar só alguns raios de sol. E a brisa a fazer oscilar os ramos mais finos que guardam as folhas, numa dança tão doce, tão subtil, um bailado de almas velhas. Vi-me de um modo tão genuíno que era impossível não ficar assustada, sobretudo quando se vê o que eu vi. Posso afirmar, de consciência tranquila, sem vergonha, medo ou dor (até porque isto são factos, e por muito inconvenientes ou dolorosos que sejam não o deixam de ser) que cheguei à conclusão que tenho muito medo da solidão (aliás, tenho muito medo de ter medo), que me tornei numa pessoa influenciável, uma pessoa extremamente carente e, pior que isto tudo, uma pessoa frustrada. A razão destes males não me interessam, até porque sei muito bem quais são e estou cansada de fazer o papel de vitima. Se eu algum dia sonhei, mesmo num pesadelo mais remoto, em tornar-me naquilo que sou... Se há solução? Claro que sim, e é bem simples. Se tenho força de alcançar até as coisas mais simples? (Parei um bom bocado a olhar para o teclado. Só pensava em ir fumar um cigarro, acho que isto demonstra a complexidade que essa pergunta tem. E vou fazê-lo, ás vezes as respostas surgem num bafo.) Venus in Furs e uma resposta. Se tenho força? Tenho. Basta libertar-me daqui e sentir-me novamente dona de mim. Se será difícil? Se sei por onde ou como começar? Sei, de certo modo. E de novo a mesma questão - se terei força? Parece-me que isso são contas de outro rosário. Ou contos para outros posts. Fecho em grande: Fiona Apple - On the Bound "...maybe some faith would do me good...". Creio bem que sim.