sábado, 30 de agosto de 2008

Sódio

Tive consulta de neurologia dia 26. Estava preocupada pois tinha dores de cabeça fortes, tonturas e náuseas. Fiz analises e, pela primeira vez na minha vida, senti que ia desmaiar. A médica ficou contente por me ver, devido ás melhorias que estou a sofrer. Acho que estava bem-disposta. Falei-lhe nas dores de cabeça e ela foi ver o resultado das análises. De repente começo a sentir um olhar fulminante que me penetrava até à nuca. “Tu comes sal?” Nunca comi muito, pois sou uma daquelas miúdas em que a lavagem cerebral funciona. “Não, geralmente não.” Tinha feito analises há um mês, e a minha medica de família tinha dito que estava tudo normal, apesar de estar tudo abaixo dos níveis de referência. “Antes abaixo do que acima”, disse-me ela. Então não entendi logo aquela pergunta.

Pois. Seguiu-se um rol de explicações em voz alta (basicamente em tom de ameaça) que vou tentar resumir: a falta de sódio (entre outras coisas) é perigosa para epilépticos pois aumenta o risco de crises. E eu tinha tido um ataque dia 19.

“O cation sódio ( Na+ ) tem um papel fundamental no metabolismo celular como, por exemplo, na transmissão do impulso nervoso através do mecanismo bomba de sódio. Mantém o volume e a osmolaridade. Participa nas contracções musculares, no equilíbrio ácido-basico e na absorção de nutrientes pelas células.

Sua carência (pela alimentação, extremamente rara) nos humanos pode causar: anorexia, náuseas, depressão, tonturas, dores de cabeça, dificuldade de memorização, fraqueza muscular, perda de peso.” (Wikipédia)

Estou sempre a aprender, hein? Tomara muitos cinquentões ter este problema ehehe.
De facto, isto não tem piada nenhuma. (suspiro…) Estou ao computador com os óculos à meia hora e dói-me já a cabeça. Vou ver tv e comer um pacote de batatas fritas…

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Upgrade de Fotos III - Todas as fotos que tirei para pôr aqui e nunca coloquei

Lugar que uso mais no T.O.M.A. (transpostes urbanos das Caldas. Os condutores da minha linha já me conhecem e sabem o que tive - a curiosidade, aiai - são muito simpáticos para mim eheh)


Sala de espera da Terapia Ocupacional do Hospital Termal das Caldas

Esta marca é a minha favorita :D


1ª vez que cozinhei nas Caldas


É no que dá esperar tempos interminaveis num restaurante...


Sou a única pessoa do Mundo a ter uma camisola da "marca" Swallow (nem de propósito...)


Um visitante muito bem-vindo!


O animal lá de casa (Caldas), Pascoal

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Fresh Start


Ora bem. Estou nas Caldas outra vez. Mas desta vez é diferente; trabalho muito, consumo-me a mim mesma em experiencias de dejà vu, mas em que tudo é diferente. Estou literalmente atirada aos bichos (neste caso, um cão e muitas moscas) e ao mundo. Partilho casa com duas raparigas e um rapaz. Não está quase ninguém que conheça lá. Fresh start, I think. Conhecer a nova Dani (como me chamavam nas Caldas), mais organizada, mais caseira. Não o sou por “estar mais madura e responsável” mas sou-o por necessidade. Agora, quando quero fazer algumas coisas ao mesmo tempo, começo por fazer todas só acabo uma. Só mais tarde é que me apercebo que não fiz quase nada do que queria fazer.
Sei que não é desculpa, mas não tenho net nas Caldas e é por isso que não tenho escrito para ti. Isso e o facto que ficar tão esgotada no dia-a-dia que quando estou na Marinha quero só dormir. Estou a reaprender a ser dona-de-casa (é verdade…) e a aprender como usar este corpo novo. Tenho algumas dificuldades quando tenho que lidar com uma coisa pela primeira vez (por ex., acender o fogão) mas assim que me apercebo de como me dá jeito fazer, faço-o rápido. Acho que demoro a fazer as coisas porque ainda estou numa fase de experimentação.
Tenho muitos problemas em adormecer, quando estou nas Caldas. Acho que me sinto sozinha lá, tenho dias em que não vejo ninguém. Agora Caldas é uma cidade vazia de história, para mim. É um sítio familiar mas oco, o que é bom quando se quer recomeçar pois não há ninguém que olha para ti de uma forma condescendente, por muito que as pessoas não queiram fazer isso. Mas neste momento aceito/ compreendo que as pessoas sejam condescendentes comigo. Ainda há pessoas que me viram uma vez depois do acidente e nunca mais me viram (oportunamente). Não quer dizer que não compreenda essas pessoas, e eu também não quero impressionar ninguém. Bom, mas não me apetece escrever sobre isso porque estou cansada e não quero afastar-me muito do tema. Mas a verdade é que as pessoas que me conhecerem só agora aceitam-me, como é óbvio, pois não conheceram a outra Daniela (por muito que queira, não sou a mesma, mas acho muito prematuro analisar os efeitos que o AVC teve no meu carácter, nem sequer se teve qualquer efeito.

Estou nas Caldas, estou a desenrascar-me bem, a noite é madrasta, ando cansada mas muito feliz. Eu já sabia que qualquer mudança é penosa, mas só quero agora viver um dia de cada vez e passear no parque. Passo sempre pelo parque quando vou para a terapia (vou sempre a pé). Sempre é melhor que o stress da nacional que liga a Marinha a Leiria. Ainda só comecei com a terapia ocupacional no (vê lá o luxo) Hospital Termal (que tem carpetes vermelhas nos corredores e é um edifício antiquíssimo) mas reacendeu a esperança de ficar (dita) normal. Sinto-me com outro fôlego e outro ânimo, e não sinto mais aquele tédio corrosivo que come a alma de uma pessoa de dentro para fora.
Ainda há muitas coisas a contar, mas estou mesmo cansada/ preguiçosa. Deixo-te com uma foto-testemunho de como me sinto agora:

Foto por Gustavo Santos