segunda-feira, 30 de março de 2009

Parabéns!!

Eu sou uma irmã daquelas que se esquecem dos aniversários dos irmãos...
Três dias de atraso...
Mas o que vale é...

Benjamin, as manas amam-te muito!!
Feliz aniversario!

sábado, 28 de março de 2009

Equinócio da Primavera

Não cheguei a falar no meu Equinócio. Eu e o Gustavo tínhamos pensado, meses atrás, acampar para dar as boas vindas à Primavera, ás flores tímidas que anunciam sempre mudança. Não fomos porque o tempo voa mais depressa que as cores das flores e, quando dou por mim, é sexta e estou nas Caldas. Arranjo um bilhete para ir ao teatro. Vou sozinha, como sempre. O vermelho sem intenção, faz jus à estação. No teatro um mar de caras conhecidas.

Em palco, um amigo. Uma energia estranha. Uma conversa que me fez estalar o escudo. Senti-me fraca e nua em mim mesma.

Budapeste chama por mim, eu chamo por Budapeste com bilhete de ida. E volta. Para tentar lutar este estado letárgico agudo. Primavera, e eu continuo cada vez mais amarga, cada vez mais ofendida por tudo e com todos. A vida é o reflexo das nossas vitórias e falhas. Eu passei uma vida a tentar ser a melhor em tudo. Para provar, não aos outros, mas a mim que era capaz de ser outra pessoa, uma pessoa melhor. Sempre senti medo de não agradar. Tinha um plano de vida muito bem elaborado. Tenho um curso muito jeitoso, na teoria. E vivi entre esse curso, entre tremoços e vinho mau, risos e lágrimas sentidas. Recordo agora com os poucos amigos que ficaram dentro de mim, os momentos que ficaram, e eram tão simples como comer uma sopa alentejana num café ou ir a um armazém de roupa em segunda mão admirar os vestidos dos anos 70, que parecem ter saído de um guarda-roupa de um teatro. Do que aprendi na escola, pouco me lembro. Mas lembro-me de como se costura à maquina, como se modela balões, como se prepara pasta de grão.



(Estou farta de escrever sobre isto. Isto tudo.)

terça-feira, 24 de março de 2009

Ampulheta

Tenho a cabeça quase entulhada. Como uma ampulheta que passa grão a grão, e quando esvazia, torno-o a girar. Ás vezes um grão maior, ou dois inoportunos entopem e não deixam os outros grão passarem. E é a pressão que faz com que eles saem, não à medida desejadas, mas à medida que é humanamente possível. Há quem tenha ampulhetas maiores com areia mais fina, depende do seu auto conhecimento.

Só agora me apercebi da minha, que é pequena e bloqueia muitas vezes, por isso escrevo cada vez menos. Tento ficar alheia ao meu sofrimento, fingir que tenho cada vez mais energia e estar cada vez mais forte. Mas quando a minha ampulheta se liberta… Ninguém vê. E desapareço. E por muito que tente ficar à tona, mergulho ainda mais dentro de mim, como se a agua reclamasse o seu direito a lavar-me, e lá as lágrimas não são mais que iguais que o elemento em que estou.


Pouco de cada vez. Para me curar desta dor inimaginável.


Torno à superfície para que, inconscientemente, só para girar outra vez, para mergulhar de novo e, de repente, boiar como um naufrago feliz porque, no meio da tempestade, está ali, vivo. E a ampulheta vai-se tornado cada vez maior e com a areia mais fina, até que não preciso de a girar de novo. Não sei quanto tempo demora. Anos, provavelmente. Até lá só tenho que ganhar coragem para lidar com o que vier. Porque a verdade é sempre dura de ver mas é sempre o caminho da verdadeira liberdade. Se se quiser ser livre, há que ter coragem e coração aberto, até para receber a dor.


Para um siamês que chorou comigo e que me fez ter coragem. Para ele, que me fez compreender isto tudo que acabei de escrever.


“Teatro vazio. Em cena um actor
Que morre segundo as regras da sua arte
Com o punhal na nuca. O ardor retomado
Um último solo, para pedir os aplausos.
E nem uma mão. Num camarim vazio
Como o teatro, um fato esquecido.
A seda sussurra o que o actor grita.
A seda tinge-se de vermelho, o fato torna-se pesado
Com o sangue do actor que na morte se derrama.
Sob o esplendor dos lustres, que faz empalidecer a cena
O fato esquecido bebe e esvazia as veias
Do moribundo, que não se assemelha mais do que a ele mesmo
Perdida a alegria e o terror da metamorfose
Seu sangue uma mancha de cor sem retorno.”

Escrito por Adolfo Luxúria Canibal, da musica “Morte do Teatro”

terça-feira, 17 de março de 2009

A piada de hoje...

Estava a falar com o Gustavo, que não acredita em nada que não possa ser provado.
Eu falava-lhe de medicina quântica [ver definição aqui]. Vou começar a fazer tratamentos.
Eu tento tudo o que me possa pôr melhor.

A piada foi... (que triste) ele é céptico. Eu sou anti (do contra). Não quero arruinar o meu nomes ainda mais... Façam um esforço. Até tem piada... por ser podre :D

domingo, 15 de março de 2009

Aposta

OK. O Re-Cobro está a ser censurado por mim directamente e por todos vocês indirectamente. “A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é isto verdade? Quer isto dizer, há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular! Somos todos muita bons no fundo, né?” (FMI)

Hum, mais um dia de mau humor, Daniela?

O meu pai disse-me, no outro dia ao telemóvel, “Daniela escuta-me, não há uma Daniela de antes e uma Daniela de agora.” Façam as vossas apostas.

terça-feira, 3 de março de 2009

Estou com um tédio pegajoso… Hoje é segunda, dia 2. Sei porque vi no PC. Esta semana, desde dia 24 até hoje não fiz muita coisa… Sinto falta de conduzir, de poder ir a qualquer lado, nem que seja tomar um café em Leiria (fica a 13km daqui e já não lá vou há meses…). A culpa é minha, não consigo dobrar o orgulho e pedir aos meus pais para me levarem lá. É que isso, de uma forma, faz-me sentir mais dependente.

Quero ir a Budapeste “sempre a rock & rollar”. Estou no limite da minha sanidade mental, o meu pijama está colado à cama e o meu cabelo espreme sebo. Tenho os dentes verdes e as olheiras comeram-me a cara. Chorei em frente da minha mãe, hoje. Amanhã tenho terapia e pergunto-me o que ainda faço ali. Tento escrever para ti e não tenho tesão que chegue. ERASE ----------

Não me exprimo de forma nenhuma. Passo horas a ouvir Siouxie ou Mão Morta. Horas a ver viagens low coast. Horas a pensar que não tenho nada para além de um curso que agora odeio. Há quem diga que estou em “denial”. Alias, toda a gente diz isso, “ah, e o Miguel Seabra?” pois, mas eu não sou o Miguel. Amo VER teatro. Agora o meio não. Não tenho paciência, nada que me agarre aqui a não ser a minha família. Não tenho nada a não ser uma vontade que me doma e que eu quero cumprir cegamente. Já não basta estar presa ao meu corpo, estou também presa ao caralho de uma cidade viscosa que baba fastio para cima de mim… NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO QUERO ESTAR MAIS DEPENDENTE, NÃO QUERO MAIS PENA, E NÃO QUERO – SOBRETUDO – A PENA VOMITADA PELO PRECONCEITO DOS OUTROS. ESQUEÇAM A DANIELA QUE CONHECERAM, ELA ACABOU, SIM SOU DEFICIENTE, COM PAPEL PASSADO E TUDO E NÃO ME ENVERGONHO NADA.

Sabes que mais? Vão todos pó caralho com as vossas condescendências bem-educadas com o palavreado politicamente correcto. “Handicap” são vocês que não vêm nada para além do vosso próprio olho do cu.