quarta-feira, 30 de julho de 2008

Como Conhecer a Mulher - Lição 1

Na Maria nº 1548, pag. 53, na secção Páginas de Sexo e Amor

Rapidinhas

"As mulheres adoram masturbar-se na banheira, apontando o jacto de água para o clitóris. Arranje companhia e torne o WC num SPA do sexo."

(OK, não sei se sou closed minded, mas isto parece-me altamente ridículo e só me apetece dizer WHAT THE FUCK?? Acho que conheço muito mal as mulheres. E sim, leio a Maria (como deves imaginar...) na casa de banho (ou WC, que é mais chique). Tinha que por esta no blog, desculpa lá... :D)


segunda-feira, 28 de julho de 2008

AMI - Recolha de óleo alimentar

INFO: E-Mail: reciclagem@ami.org.pt
Internet: www.ami.org.pt

Insónia...

Nem depois de ter mamado 2 comprimidos de 0,5mg de diazepam consigo adormecer... FODAS-SE!!

domingo, 27 de julho de 2008

Reflexão #246

Hoje fui ver um quarto nas Caldas. Outra vez a expectativa, outra vez a duvida, como se voltasse a ter 18 anos e abrisse os olhos para um mundo novo. Um mundo novo não para os olhos, mas para mim, para o meu corpo. Agora posso dizer que me sinto assustada e escrevo isto quando estou sozinha em casa, num daqueles raros momentos. Amanha começo a terapia lá. Tanta coisa nova; quando vim de Lisboa sentia-me invencível, capaz de fazer tudo mesmo com medos. Agora apercebo-me que não é assim tão fácil, ou neste momento de fraqueza julgo isso. Mas preciso de ir com a minha vida para a frente, o tempo não pára à minha espera: na minha cabeça o ano de 2007 não existiu. Tenho de ser forte, mais forte do que alguma vez fui, e digo isto no meio de umas quantas lágrimas de crocodilo. Toda a gente quer ser livre mas poucos o são – a liberdade assusta, é o que tenho a dizer. Toda a gente está ligada a algo, a uma religião, a alguém, a um sítio, nunca estão realmente sós. É que este estado (físico e mental) encerra em si uma solidão imensa… O que estou a sentir, pouca gente sente/ sentiu, e não conheço ninguém que me diga “Eu já passei por isso…”, pois por mais conselhos que eu ouça nunca nenhum está perto de ser útil. Não é querer ser presunçosa, possivelmente estou a sê-lo, mas tenta compreender. Tenho 22 anos e um corpo que não é totalmente meu.
Eu amava dançar, sair, beber, conduzir, viajar. Nada disso faço agora. Umas por medo, outras por complexo, outras porque não posso mesmo fazê-las. Pareço uma velha a lamentar-me quando ontem estive a “dançar”… Na festa do Pêro Neto (uma daquela terriolas perdidas na ainda mais perdida Marinha Grande). Eu gostava de ir a essas festas (cerveja barata, musica pimba e dar um passo de dança com a Rita eh eh) e foi a 1ª vez que fui a uma porque tinha de estar pronta para: 1º passo – Aguentar a música (sim, era má, mas refiro-me ao barulho em si); 2º passo – Arranjar sitio para me sentar; 3º passo – Tentar dançar. A certa altura disse à Rita “se te pisar, é porque não sinto”, ao que ela me respondeu “tu já me pisaste…”.

Hoje pensei outra vez em algo que me anda a martelar a cabeça. Sou a mesma, mas diferente. Falta-me coragem, não sei. Estou passiva, a Marinha faz mal à cabeça das pessoas, era como se vivesse numa ilha pequenina. Tenho demasiado tempo para pensar e pouca oportunidade para fazer. Quero fazer Teatro, é uma audácia arrogante e ingénua, mas é a verdade. Mas depois penso no que o Rogério me disse sobre os corpos acidentados na performance (que não se vêm muitos) e no que o Jonas me disse há uns meses (João Garcia Miguel, coordenador do curso de Teatro na ESAD) “podes sempre tirar um mestrado em encenação ou em dramaturgia”. Não. Eu não quero fazer outra coisa que não seja representar. Ás vezes tenho dúvidas, mas nestes momentos sei o que quero. Quero um corpo novo. Quero que desfaçam o mal que me fizeram. Estou pronta para esperar o tempo que for preciso, as dores que hão-de vir, os anos a passar, mas quero o meu corpo apto para dançar, representar. Ou então tenho que desenvolver um mecanismo que me permita fazer as duas coisas e que me faça sentir bem com elas.

Estou a olhar para o meu braço. Ele assusta-me. Sinto que ele se quer mexer (não consigo explicar melhor, mas é como se tivesses um braço engessado ou preso e ele quer-se soltar mas pode). Ao invés, ele está aqui pousado no meu colo.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Never Trust in Doctors

Eu tenho de aprender a NUNCA CONFIAR NUM MÉDICO. Tenho dito.
Ontem saí das Caldas completamente arrasada. “Ai e tal não temos T.O. aqui pois só temos 2 terapeutas e uma vai-se embora e a lista de espera é grande, podemos é pôr-te a fazer fisioterapia para que o choque não seja tão grande (tipo 15 tratamentos e um chuto no cú), e isto e aquilo e tudo e tudo e tudo, somos uns desgraçados, vou chorar aqui em cima do teu ombro se não tem importas, snif, obrigada, já me sinto melhor, já agora, não me pareces deficientes nenhuma, não vais recuperar mais, por isso não vale a pena darmos-te terapia porque vais ficar assim para sempre, seu Ser desprezível e inútil, nem serves para trabalhar nas televendas, e agora se não te importas, afasta essa canastro do meu gabinete.” (Não foi assim, mas eu gosto de dramatizar…) Saí dali a pensar que ia ficar outro ano parada à espera do Godot.
Fartei-me de chorar, a coitadinha que nunca tem nenhuma sorte na vida. Fui dormir e hoje acordei com os olhos inchados e muito mal-humorada. Preparei-me para ir para a terapia (em Leiria) e qual não foi a minha surpresa quando verifiquei que já não estava ninguém à minha espera, tinha as guias de tratamentos fechadas pois não tinha marcado nenhuma consulta ao fisiatra para renovar as guias. Parece-me que houve uma falha de comunicação qualquer, pois eu pensava que eram eles a marcar e afinal não. Marquei a consulta de fisiatra o mais próximo possível (dia 26… de Agosto!) e estava já a preparar-me para umas ferias forçadas. Quando chego a casa a minha mãe diz que o Hospital das Caldas tinha telefonado lá para casa e que a Terapia Ocupacional iria começar no dia 28 às 11h. Fiquei atónita; sem casa, sem tempo, desatei a telefonar para o meu pessoal das Caldas e lá arranjei onde ficar até ao fim do mês, mas tenho de arranjar um quarto para passar o mês de Agosto (conheces alguém que me possa ajudar?). Não tenho certezas de nada, podem-me mandar embora ao fim de 15 ou 20 tratamentos. Mas isso é outro stress com que me tenho de preocupar mais tarde.

Estou tão atarantada que ainda nem tive tempo de sentir medo. That’s this, I’m going to live alone, like I was eighteen again. Wish me luck!

terça-feira, 22 de julho de 2008

Um passo no mesmo sitio

Acho que não preciso dizer mais nada (porque nem me apetece).

Reflexões #245 e Troca o Passo

Amanhã tenho consulta nas Caldas. Vão avaliar o meu caso, para ver se consigo ir para o Hospital Termal fazer terapia. Estou a sofrer uma mudança brutal, sem me aperceber. Ou não quero perceber. Vou com a corrente e o que for, será. Mas não deixo de estar assustada com isto tudo… Isto tudo é tão grande e violento, uma imensidão de sentimentos contraditórios que me fazem sentir livre. Livre no sentido lato da palavra.

Tenho que falar do que aconteceu na residência. Ainda não digeri muito bem o que isto significou para mim, mas também não faço o esforço. Foi o que simplesmente foi, quero gozar este sentimento de liberdade, pois para mim o Dogma permitiu-me ser livre, mas como outra coisa qualquer. Quando vivemos numa prisão (física, refiro-me) tudo o que acontece é um desafio, e estás sempre a testar os teus limites, sempre para voares o mais possível. Senti-me tão bem naquele palco, como se pertencesse lá (isto é uma coisa arrogante de se dizer?), não como artista ou actriz ou performar ou outra coisa qualquer, também porque eu não sou nenhumas dessas coisas, sou a Daniela ou a Né. E a Né sempre precisou dos outros, como num estado de dependência estúpida, eu preciso mais do público do que eles de mim. Digo-te isto com todo o meu coração, pois é a minha verdade, e não me interessa debater o “porquê”. Passei muito tempo a pensar. Quero fazer coisas do coração e não da cabeça. Se me apetecer despir em palco, faço-o, e não me interessa se é gratuito ou não, simplesmente é. Todas as coisas acontecem por um motivo, logo nada é gratuito.
Mas não sei se quero palco, não sei mais nada do eu este momento em que estou a escrever para ti. Não sei qual será o meu futuro, mas não tenho pressa. Tenho que me explicar melhor noutra altura. Hoje não. Amanha vou dar um passo à frente de todos os que dei para trás.

Upgrade de Fotos - ZDB











sexta-feira, 18 de julho de 2008

Como Foder um Ensaio (em 3 passos)

Nós não temos net na ZDB (temos, mas é muito complicado arranjar cabo) então não tenho escrito para ti por causa disso. Hoje dormi em casa do Rogério (não, não se tornou hetero), pois isso estou a escrever da casa dele, com uma receita infalível de:

Como foder um ensaio
(em 3 passos)
  1. Deitar-se no chão em pânico e dizer "Vou ter um!!!", pedir para apagar as luzes e pedir um comprimido
  2. Não ter controlo no corpo durante um tempo
  3. Começar a tremer desalmadamente e dizer "Já passou..."

(Este processo deve demorar cerca de 30 minutos)

Et Voilà!!

(Ai a puta da minha sorte...)

terça-feira, 15 de julho de 2008

Pub

Satisfator

Uma agência de Katja Fillann

video

I am a Stroke - Sharon Stone

AHAHAHAHAH!!!
Sugestão do Rogério.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Rogério Made Me Do This! 2

Lista das coisas que gosto de ver/ fazer:

- estar sozinha
- fazer o calor na TO
- acariciar animais
- passar pela Ponte Nova (pinhal denso onde a estrada está coberta por arvores)
- estar na praia
- viajar de comboio
- estar com o Gustavo
- acordar com o sol
- comer marisco ou ir a um restaurante e a comida ser mesmo boa
- ouvir musica
- tirar fotografias
- ver sitios novos ou olhar para os velhos outra vez
- sentir-me desejada
- abraços (de toda a gente)
- ficar na preguiça na cama quando acordo
- ver a minha gata a fazer maluqueiras
- ir ás compras (menos c a minha mae)
- dar presentes inesperados
- ver fotos antigas
- que me tratem como se nao tivesse problema nenhum
- vozes graves (tipo Tom Waits)
- ouvir o aspirador ou o secador quando estou quase a adormecer
- ver o por do sol
- dormir
- ver montras de angencias de viagens
- ver mapas, voos, dos paises que quero visitar
- estar numa esplanada com pouca gente

(Isto é tudo mentira)

Rogério Made Me Do This!

O quê?
Um AVC.

Quem?
A mim.

Quando?
Dia 19 de Junho de 2007.

Onde?
Nas Caldas da Rainha.

Porquê?
Devido a uma malformação .

Como?
Estava a fazer um trabalho com uma amiga, de repente comecei a sentir-me mal, caí, deixei de conseguir falar, fui para o Hospital e entrei em coma. Acordei 12 dias depois e no dia 10 ou 11 de Julho fui operada para corrigir essa malformação.

Katja Singing a Jingle for Me!

video

Day 3

12-07-08

Acordei de mal com a vida porque na noite anterior tinha perdido tudo que tinha no meu PC (sim, desde Fevereiro que não faço backups do meu PC). Estive a manhã e a tarde a actualizar o PC. Contudo houve uma coisa que aconteceu de manhã que despertou a minha atenção. Já toda a gente tinha reparado que a Katinka não estava bem, não sei se ela tem só problemas com o Dogma mas também problemas pessoais. Ao pequeno-almoço (altura de preparação do dia e reflexão do dia anterior) a Katinka começou a falar dos problemas que a estava a preocupar em relação ao Dogma, que lhe faziam sentir presa e não sabia qual o passo a dar a seguir. A Katja concordou e referiu ainda que se estava a sentir de parte pois muitas vezes falavamos em português. Achei que devia dizer alguma coisa, mas não naquele momento e não na casa então, à hora do almoço eu, o Alexandre e a Katja fomos almoçar ao mesmo sitío e a conversa surgiu. Aproveitei a oportunidade para dizer que compreendia a situação dela, porque se estivesse noutro país que não conhecesse a língua a fazer um projecto para o qual eu fora convidada também me iria sentir assim. Falamos sobre outras coisas mas que não importa escrever aqui.


A tarde foi quase dedicada só ao meu PC (actualizações e coisas assim) por isso não trabalhei muito no projecto, mas à noite fizemos um "jogo" que consistia no seginte: cada um de nós tinha autocolantes, 4 folhas com 12 autocolantes cada. Escrevemos as nossas iniciais nos autocolantes e olhavamos para cada um dos projectos e para cada uma das palavras que tinhamos escrito no brainstorming de dia 11 e colocavamos um autocolante (ou vários, dependente da importancia da palavra) nas palavras que consideravamos mais importantes. Depois selecionavamos as 5 mais importantes e escreviamos-las numa folha.

domingo, 13 de julho de 2008

Dia 2 - Masturbação mental frustrada

Day 2
11-07-08

(Organizar o pensamento é difícil, cada vez me apercebo mais disso.)

Tomamos o pequeno-almoço juntos e esse é, para mim, o verdadeiro momento de preparação do trabalho que vamos fazer. Surgem conversas estonâneas sobre tudo, mas invariavelmente acabamos por falar no trabalho, abordamos o Dogma e os nossos projectos e as nossas preocupações com isso. Pessoalmente, na parte das preocupações, eu não participo. Não tenho tantas dúvidas como os meus colegas porque - já tinha um pouco essa noção, mas agora tenho a certeza - acho que ainda não recuperei a minha capacidade crítica (nem sei se vou alguma vez recuperar, não sei de nada para além deste momento em que estou aqui). Compreendo o que eles dizem, mas para mim não se passa o mesmo porque aceito tudo. Estou muito perdida, ou então estou a simplificar - a minha cabeça está em delay, e precisa de simplificar tudo. Não sei se isto é bom ou mau, corro o risco de fazer um trabalho muito naif, mas por outro lado não corro o risco de complicar as coisas e fazer algo que não seja facilmente compreensivel. Eu quero que o público me preceba, todo o tipo de público, e não só uma elite.
Depois do pequeno almoço, o Alexandre apresentou ou seu projecto, "Vou a tua casa e não estás".


A tarde foi um pouco mais dura para mim. Comecei a perguntar aos meus amigos por MSN "O que é o Tempo?" e obtive algumas respostas interessantes, especialmente com uma amiga minha, Raquel Monteiro. Ela respondeu-me "vida". Abrodamos a questão da existência e da vida - se podia haver existência sem haver necessariamente uma vida (por ex., uma pedra existe e não tem vida) - a crença entre outras coisas. Foi deveras interessante ter uma conversa assim, pois esses pensamentos para mim não passavam de monólogos. Gravei a conversa para te dar a ler, mas a vida tem coisas do caralho, e o meu PC, que é um VAIO XPTO, com o Vista cheio de paneleirices, que comprei em Fevereiro por cerca de 1500€ não arrancava. Putz. Tive de o formatar para ter pc para o outro dia... (Desabafo...)



Vida/ Existência
Então vou só escrever as coisas que tirei para mim, coisas que me lembro. O tempo é a existência e não necessáriamente a vida. A vida é a medida do Homem, o que ele consegue compreender, porque a existência é algo que não é comensurável. Vida = medida do Homem, Existência = modida do Universo. Para o Homem, o tempo é a vida, para o Universo o tempo é a existência. Para combater o receio da morte, existem crenças, religiões, mas o Homem não consegue entender que a vida não acaba, só a morte existe. Há sempre vida no Mundo, quem nós estejamos vivos ou não. A morte é algo que o Universo percisa que haja, para uma expansão do próprio Universo. É difícil fazer o Homem compreender que a vida exista para além dele mesmo, mas se algum dia deixar de existir qualquer tipo de vida no planeta, ainda existe a propria Existência. Só quando o próprio Universo deixar de existir é que deixa de haver Existência.



Eternidade
A Eternidade existe quando alguém vivo e racional toma conhecimento que aquela pessoa existiu (por ex., um escritor, ou umas ossadas de outras civilização). A Eternidade não é para o sujeito que viveu, mas para o sujeito que nesse momento toma conhecimento da existência de alguém. O sujeito tem conhecimento da Eternidade como conceito, mas como objecto ela não existe, ou seja, a Eternidade tal como nós a entendemos, não existe. A Eternidade é algo que o Homem inventou para não sentir medo da morte, e até sentir conforto na morte.



Crença
A Eternidade está completamente ligada à Crença, seja ela religiosa ou não. Uma pessoa que crê em qualquer coisa (seja no destino, seja no passado) acredita em coisas que não sabe. Comprovam-nos coisas (como a Terra ser redonda) mas o que existe é só o que estamos a ver naquele preciso momento (por ex., eu estou no quarto e ouço as pessoas a falar, mas não as vejo logo não existem). Todo o Ser Humano crê, porque sabe que é verdade e não tem dúvidas disso, tanto faz acreditar numa realidade ou numa ficção (pois para essa pessoa as duas são reais).
Tempo
Então descobri que à minha pergunta "O que é o Tempo?" a resposta já está incluida, o Tempo é um ciclo tão simples, é fim da Existência", ou o fim do próprio Tempo. Lembrei-me agora de um trava-línguas que aprendi na escola e é a verdade:



"O Tempo perguntou ao Tempo quanto tempo o Tempo tem, o Tempo respondeu ao Tempo que o Tempo tem o tempo que o Tempo tem."
Foda-se é tão simples quanto isso!


À noite estivemos a fazer um brainstorming em grupo sobre cada um dos projectos (e o Tempo andava a martelar-me a puta da cabeça...)



Resumo do 2º e 3º dias

Day 2
11-07-08
Dia da masturbação mental.


Day 3
12-07-08
Dia de actualizar o PC filho da puta e começar a organizar pensamento.


(Nota: Serei mais exaustiva assim que o Mestre Curador me der TEMPO!!!!)

sábado, 12 de julho de 2008

How not to make bread

Sugestão do Alexandre, participante #16

Explain My Project in One Single Sentence

My project is about the physical and mental recovering from a crisis situation.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Comentario de Gustavo Santos

Ao ler a tua ideia, reflecti um pouco e surgiu-me isto na cabeça. Espero que te sirva de algo... assim que me ocorrer mais alguma coisa, coloco aqui. Bem, aqui vai (desculpa o meu português pois isto foi escrito online):É também o universo dos altos e baixos, avanços e recuos, decepção e optimismo lado a lado... resistência e persistência na procura de um futuro melhor, mas acima de tudo o estado de indefinição que leva à suspensão da vida. Não há nada mais frustrante do que uma mente criativa e expontânea, ansiosa por se manifestar para si e para o mundo, mas que não consegue comunicar com o corpo, ou o corpo que não consegue corresponder ás expectativas da mente. A falta de comunicação entre o sujeito e ele mesmo, a sua confusão, e a dos outros ao aperceberem-se que este trava uma luta solitária, pois é acima de tudo um conflito interior. Uma solidão ainda mais penosa, pois até o corpo se afasta dos seus compromissos. Resta apenas a mente e a sua voz interior, o pensamento, a dúvida...o medo... constante e recorrente. O questionar de uma nova realidade (e da realidade em si... a sensação que se irá acordar de tudo isto e regressar à realidade segura e normal que dantes era conhecida - pois tudo o que se passou é demasiado repentino, absurdo, incompreensível para ser realmente verdadeiro, não?), que põe em causa o Tempo que passou e o que ainda está para vir.um cansaço recorrente de toda esta situação suspensa e da impotência que põe em causa as capacidades e valores pessoais.A angústia por não se conseguir sair de uma prisão tão depressa quanto se deseja, como alguém submerso que tenta nadar para a superfície para respirar livremente, mas encontra sempre fitas de algas que lhe vão prendendo os pés e adiando a sua subida.Uma suspensão claustrofóbica da mente, da voz interior que anseia por se poder manifestar com a realidade, tanto sua como dos outros.

11 de Julho de 2008 15:08


Desenho de Gustavo Santos

Holden - Ce Que Je Suis

J'ai bien le droit
j'ai bien le droit aussi
de faillir, défaillir
jusqu'à mesurer le prix
mais qu'est ce qu'il m'arrive
je ris aux larmes
je larmorie
mais qu'est ce qu'il m'arrive
je dors au bord de mon lit

oh comme je regrette
je ne suis pas ce que je suis
les murs ont des oreilles
les murs parlent trop
oh comme je déteste
je ne suis pas ce que je suis
la lune qui me surveille
la lune est dans mon dos

j'ai bien le droit aussi
de railler, dérailler
épuiser toutes mes envies
mais qu'est ce qu'il m'arrive
j'oublie, je bois,
je bois l'oubli
mais qu'est ce qu'il m'arrive
je dors au bord de mon lit

oh comme je regrette
je ne suis pas ce que je suis
les murs ont des oreilles
les murs parlent trop
oh comme je déteste
je ne suis pas ce que je suis
la lune qui me surveille
la lune est dans mon dos

j'ai bien le droit aussi
de conduire, d'éconduire
les hommes au bout de la nuit

oh comme je regrette
je ne suis pas ce que je suis
les murs ont des oreilles
les murs parlent trop
oh comme je déteste
je ne suis pas ce que je suis
la lune qui me surveille
la lune est dans mon dos


(Sugestão da Espectadora Especial Leonor)

"Too Real to Belive..."

Day 1
10-07-08

Não sei se sabes ou não, mas este blog tem um motivo de existência, – lembras-te de ter falado na Oportunidade do Espectador (orientado por Rogério Nuno Costa, seguindo as regras do Dogma’05)? – é um projecto. Eu não gosto de repetir coisas que já estão escritas, clica nos nomes para ficares a par do que é este projecto.

Vim para Lisboa no dia 9, e fui apresentada a duas colegas que já cá estavam, a Katinka e a Katja, de Berlim. Os outros participantes, o Hugo e o Alexandre (que também não conheço pessoalmente) chegam esta semana. Só no domingo é que estamos todos juntos.
Estamos constantemente a ser filmados, porque o que fazemos é já o resultado (ver Dogma’05), podes aceder à casa através do http://www.rogerionunocosta.com/house.html. (Nota: Macs e Firefox não lêem.)

Ontem de manhã o Rogério esteve a falar do que era o Dogma’05 e o que era. Já tinha lido sobre essas regras, mas assim tivemos a oportunidade de esclarecer alguns pontos e dúvidas. O dia foi dedicado a brainstormings e apresentações dos projectos. Eu não sabia o que ia fazer. Senti-me perdida e confusa, a nadar num mar de experiencias e sentimentos, e não conseguia sequer pensar. Tirava apontamentos só para não me esquecer das coisas, e não para reflectir nelas. Discutiu-se tanta coisa que tinha a impressão de não ter apanhado nada.
E eis que surge uma ideia, hoje de manhã ao acordar, e anotei no telemóvel o seguinte:


“O universo da espera, do tempo, da paciência – suspensão da vida, pausa – a dimensão do tempo. O sentimento de impotência, frustração e a conformidade.”


Consegues perceber? É agora que preciso mesmo de ajuda para organizar esta cabeça.
Aceitam-se sugestões, devaneios, seja o que for. Agora és tu que entras em cena. Preciso de ti!

terça-feira, 8 de julho de 2008

A minha voz antes do AVC II

Tenho de explicar uma coisa antes; este video não é uma criação do Cesar Monteiro (por muito que pareça). Encontrei este video enquanto andava a recordar com as minhas fotos, e é um video que gravei para escutar a minha voz na preparação de um exame de Voz do 1º ano (2005).

Confesso que estou com alguma vergonha. Mas também, a minha voz agora está mais para o lado do Tom Waits, o que tenho a perder? Mas não sejas muito cruel... É que eu nunca cantei a sério em frente de ninguém para além da minha professora de Voz, e mesmo assim foi muito dificil...

video
Ah, e para além disso tudo, tinha de cantar em françês, uma coisa que não fazia desde o 9º ano, uma música pirosa cheia de sentimentalismos, tirada do musical (e como eu gosto de musicais...) Notre Dame. E pronto, estou traumatizada.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Alguém muito especial


MIMI SIKU
-Parabéns!-
10 anos
Amo-te, sua Rafeira*

Borboleta

Eu costumava viver num grande castelo amarelo, no meio das borboletas que vivem um só dia, longe de tudo, perto de mim. Tão perto que nem falava comigo, porque antes de pensar, já sabia que o ia fazer. Então passava muito tempo só a contemplar as borboletas, que de manha estavam vivaças e a fazer corte, e ao fim da tarde estavam mortas. Passava o tempo sem mim, porque me limitava a sentir, a cheirar, a tocar. Não precisava de mais nada, e era feliz no meu grande castelo amarelo.

No meu castelo via todos os montes silvestres, as árvores e os jardins floridos que o rodeavam. Haviam também Homens, eu sabia que eram Homens pois eram parecidos comigo; os livros da biblioteca diziam o mesmo, mas não me sentia um Homem. Também existem os Pássaros, mas isso não quer dizer que uma andorinha fosse igual a um melro. Sentia-me só Eu. E nada mais importava para além disso tudo. Tudo era tão simples de entender, tão fácil de desfrutar! Todas as coisas eram sempre novas aos meus olhos, e tirava prazer disso, até porque o melro de ontem não era igual ao melro de hoje. Movimentavam-se de forma diferente, bicavam de outro modo, portanto nunca tinha tempo de pensar. Só de descobrir.

Numa tarde de Verão, em que a chuva me tocava através das conversadeiras e as andorinhas faziam voos rasantes ao castelo, comecei a pensar. E se eu fizesse o mesmo? Se eu pudesse voar como as andorinhas e gozar a chuva de uma maneira que nunca tinha experimentado?

Foi a minha primeira questão. E depois seguiram-se muitas outras, umas atrás das outras “porque não tenho asas?”, “porque não sou uma andorinha?” ou “o que estou a fazer?”. Estava a pensar. E, de repente, tudo o que contemplava deixou de ter importância para mim, e comecei a passar os dias trancada na biblioteca a fazer estudos sobre os animais, depois sobre o Homem, posteriormente sobre psicologia, até estudei filosofia, e nenhum desses meus estudos foram proveitosos. Quando finalmente dei por acabados os meus estudos, já tinham passados muitas primaveras sem observar nada para além das letras escritas nos papéis amarelos de velho, como o meu castelo.

Quando saí da biblioteca pela primeira vez, houve qualquer coisa em mim que estremeceu; o castelo já não era amarelo, mas sim cinzento. As conversadeiras estavam gastas do vento e dos anos, e apercebi-me do Tempo. Já não contava as primaveras, mas sim os anos que já pesavam sobre mim. Toquei no meu rosto e apercebi-me que não era mais aquela pele macia e branca, mas cortiça emoldurada por uns cabelos brancos muito fininhos e frágeis. Afinal tinham passados muitos anos, séculos. Sabia tudo o que estava escrito nos livros, mas tinha chegado à conclusão que não havia resposta nenhuma para a minha pergunta. Foi a primeira vez que me senti triste. Outro novo sentimento me alvoraçou; subi à torre de menagem com a dificuldade de quem suporta séculos na alma, a passos lentos, e cada passada o meu coração ficava mais apertado. Quando por fim cheguei ao topo, vi qualquer coisa de medonho. Dei três passos para trás e caí, mas sabia que tinha que sair daquela visão, e desci. Desci numa fúria em câmara lenta, como se estivesse a ser apunhalada nas costas mil vezes de cada vez, numa tortura perversa de quem tem prazer em fazer sofrer. Meio atordoada, sentei-me nas ruínas da capela; eu nunca soube para que esse edifício servia, mas sentia-me reconfortada nele. Esperava eu que aquele sítio tão vistoso e tão belo me trouxesse algum tipo de paz, mas pelo contrário; sentir raiva por ter desperdiçado séculos a ler em busca de uma resposta, e agora velha como aquele sítio que não era mais o meu castelo, senti a cabeça a arder e os olhos inchados, porque tinha estado a chorar. As lágrimas caiam copiosamente na minha cara de velha, e espalhavam-se nas minhas rugas, para que entrassem de novo na minha pele. Senti derrota, e subi de novo para as conversadeiras.

Sentei-me lá, a pensar incessantemente no “e se…?” e no que tinha visto na torre de menagem: o meu castelo, outrora rodeado de montes silvestres, arvores e jardins floridos, estava agora rodeado de casas estranhas, onde viviam Homens e me invadiam o meu espaço. “E se eu pudesse voar para longe daqui, fora do Espaço e do Tempo?” Fiquei a reflectir algum tempo nessa pergunta, até que adormeci. Não sei quantas horas ou anos, mas quando acordei não pensei; estava um dia maravilhoso, com um Sol radiante, que enchia o meu castelo de cor. As andorinhas estavam felizes, e eu também me senti feliz por vê-las tão alegres. Uma delas pousou junto a mim e pude ver os olhos dela, negros, profundos, e cheios de estórias para contar. E ficamos as duas, em silêncio, a escutarmos a respiração uma da outra, até não precisar de mais nenhum sentido que não a audição. Deixei de ouvir os carros a passar, o vento a soprar. Só ouvia o coraçãozinho dela a bater rápido e o meu a ficar cada vez mais acelerado, até se tornar igual ao dela. Por fim abri os olhos, e ela estava a olhar para mim. Ela levantou voo, e eu não pensei mais e fui atrás dela, e atirei-me.

Por um segundo pensei nas borboletas que vivem só um dia, para encantar os olhos dos outros com a sua beleza. Quando abri os olhos estava pronta para morrer, mas algo aconteceu de inexplicável; eu estava a voar junto daquela andorinha, e era igual a ela. Olhei para mim, com as minhas asas negras e segui-a, com os ventos do sul.

sábado, 5 de julho de 2008

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Chantal

Não tenho grandes palavras nem pensamento,
Nem grandes teorias nem argumentos.
Tenho um punhado de expirações, e de diafragmas descontrolados
E de suores frios na espinha.
Não tenho mais nada do que uma esperança e muita raiva,
Confusão e reticencias e amor cego.

O tédio, outrora combatido com vinho barato
E longos monólogos aquecidos por bafos de cigarros,
É agora acompanhado de uma frustração violenta,
Que me rasga sem eu pedir.
O sangue que jorra não é mais o meu,
Mas o de uma rapazinho que fora livre,
Livre para se esconder e tirar gozo disso.

Estou presa no meio de mim
Tenho um tempo que não é humano
A minha cabeça não me reconhece
Sou um monstro sem clemência e sabes que mais?

Odeio escrever.
Quero fornicar com a vida, quero sentir em vez de sonhar.

Chantal, em A Rua de Jim Cartwright (2006)