sexta-feira, 27 de junho de 2008

Terapia Ocupacional Home Made


Não, isto não é uma foto artística de uma corrente estética qualquer. Isto é a minha caixa mágica; a minha caixa de SOS T.O. - por exemplo, a minha terapeuta ocupacional foi de férias e tenho de continuar a fazer exercícios senão sinto-me atrofiada. Só para a mão, tirando a bola de massagem (uma bola com 8cm de diâmetro com uns picos em volta de toda a bola, serve para estimular a sensibilidade) gasto cerca de 30 minutos com esta caixa.
Esta caixa tem molas da roupa e grão-de-bico seco. Começo com o grão-de-bico – tento apanha-los dedo a dedo para a caixa. Depois passo para as molas - tento apanha-las entre os dedos para a caixa. Se não estiver muito cansada ainda ponho as molas na caixa (como fosse apanhar roupa) e tiro-as.
Antes de passar para a mão faço uns exercícios para o braço, para ganhar musculo e para outra coisa qualquer.
Total de tempo da sessão: 45 minutos (isto porque já fiz o calor na fisioterapia). É o suficiente para não me sentir mal, com um com um corpo estranho pendente a que as pessoas chamam de “braço”.

E pronto, agora estou com dores nas articulações. A minha terapeuta Alice (T.O.) diz que é bom, que é sinal de estar a recuperar a sensibilidade. Podia doer menos…

quinta-feira, 26 de junho de 2008

A expectativa deixa-me doente

A puta da vida tem muita piada. Andava ansiosa que as férias começassem, e eu dizia “quando o trabalho acabar, vai ser praia todos os dias!”. Pois. Desde o inicio desta semana não fui uma única vez à praia. “Porquê?” poderás estar a pensar. Bom, vou-te explicar.

Quando eu pensava em ir á praia, nunca me pus a pensar no COMO. Acontece que estou mesmo farta de boleias, de me sentir dependente, de precisar de pessoas para fazer seja o que for. Já consigo conduzir, o problema está no braço – tenho de olhar muitas vezes para a mão direita (manipulo das mudanças) para me certificar que tenho a mudança posta ou não, porque eu não sinto o suficiente para me aperceber disso. Se tivesse um carro automático o problema estava resolvido, mas conduzir o meu Feijãozito (um Renault Clio de ’95, a gasolina) é old school, e apesar de amar conduzir carros difíceis, lets face it – não sei se algum dia poderei voltar a conduzi-lo. Eu creio que sim, até porque ainda há dois meses nem o pé sentia no carro (não sabia onde ele estava, como se tivesse um pé cego, e falhava os pedais ou ficava com o pé preso debaixo deles) e agora comporta-se quase como um pé normal. Mas o braço está fraco, e a sensibilidade profunda não está lá grande coisa. A mão é das coisas mais complicadas de recuperar, sempre me disseram isso.

É que não me sinto confortável em pedir sempre aos meus pais para me levarem seja onde for. Já me levam ao hospital todos os dias, e não me apetece estar sempre a pedir-lhes que me levem a este e aquele sitio. É que eu moro na Marinha, ou seja, tudo se passa onde não é a Marinha Grande, e mesmo insistido em está aqui, moro numa ponta da cidade, o que quer dizer que vivo longe de tudo. A Marinha sempre me sufocou, e agora é que estou a compreender o porquê; uma pessoa que não tenha forma se sair daqui está literalmente lixado. Não existe sequer um escape, as pessoas cá vivem, vivem para trabalhar, e quando querem cultura vão a Leiria, por muito duvidosa que seja. Estou revolta sim, porque tenho 22 anos, tenho carta há 3, vivi sozinha durante 3, e agora sinto-me como se tivesse 16, a ansiar pelos 18 para sair daqui. A merda da insatisfação surgiu nesta cidade, e é graças a ela que me tornei (pseudo) artista. Muito obrigada, Marinha Grande!

(Tirei esta foto em 2005, no meu primeiro anos da faculdade. a minha casa é perto da estação de comboios, bastava atravessar um descampado, onde havia uma fábrica pequena. Para onde quer que olhasse só via fábricas. E o arame farpado... É como me sentia antes de ir para Caldas, e como me sinto agora. Presa.)

A expectativa deixa-me doente.


Televizors

Este cabrão fez-me sentir falta do palco...

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Prenda III

Eu na visão de Gustavo Santos.

Dia 19 de Junho - parte II






Tento em conta que há um ano estava quase a morrer... Cerveja sem alcool não é assim tão mau... (desculpa lá o video... again!!)




A felicidade é feita de pequenas coisas...
- Como imaginar que se está a beber uma bela Sagres... Com alcool, claro -

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Olha o que encontrei!!

Adoro esta foto. Sinto-me tão assim...

terça-feira, 17 de junho de 2008

Novo Dia 19

Estou a ser seguida na fisioterapia por um estagiário. É diferente, ele tem uma energia nova, puxa por mim, apesar de ainda não saber muito bem o que deve fazer comigo. Mas não é disso que quero falar; hoje ele e o outro estagiário estiveram a tirar-me medidas, tanto da amplitude do meu lado direito como comparar a massa muscular do lado direito com o lado esquerdo. Confesso que sempre tive curiosidade de saber quais as diferenças físicas entre os dois lados aliás, pedi-lhe que me facultasse esses dados para mim (e consequentemente, para ti também).
Deitei-me no colchão, passiva, com os dois estagiários de volta de mim, a falar um com o outro, e a pedirem-me coisas (como dobrar a perna). Um deles falava para mim no dialecto terapeuta – doente (falam mais alto, como se nós fossemos mentecaptos, como se nós não ouvíssemos nada excepto aquele dialecto. Esse dialecto tem qualquer coisa de condescendente…), que não gosto mesmo nada.
O meu terapeuta não fala assim comigo (uf!...). O meu terapeuta tem 21 anos. Foda-se… Estou a ficar velha, e sem notar. Claro que não sou velha, mas estou-me a aperceber do tempo que passa, que passou, não só desde o AVC mas desde que me sinto eu. Desde que assumi a minha posição perante a vida. Tenho 22 anos. Tenho amigos casados, amigos com filhos, amigos que vivem fora do país. Eu não tenho nada a não ser uma vontade enorme de ver o mundo, mas que não passa disso. “O tempo é de cada um”, dizia a Carina, e nunca mais me vou esquecer disso. Isto do Tempo dá-me a volta à cabeça.

Vou então, se não te importas, falar para todos vocês em geral:
NA NOITE DE 19 PARA 20 DESTE MÊS QUERO QUE VENHAM TOMAR CAFÉ COMIGO E CELEBRAR.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Primeiros Planos

Nunca estive tanto tempo sem escrever. Mas todos os dias me lembrava de ti, e que tinha de te escrever… Mas “porque o tempo não corre a meu favor e não pára, não pára, não pára de correr...” (como diz o poeta António Cova dos Assacínicos), eu cambaleio atrás do tempo para ver se retomo o ritmo que tinha. Sou como um cão vadio que corre atrás dos carros, só para o alcançar e pensar “sou mesmo rápido!”. Não me convenço que faço as coisas mais devagar… Mas vejo o carro tão perto de mim! Penso sempre que “é desta!”, e quando falta um centímetro para o alcançar o meu lado esquerdo recusa-se a continuar. Aí é que me lembro. Lembro tudo o que aconteceu. Não com mágoa; ás vezes irritada por não conseguir ser livre como queria (nunca fui paciente), mas agora que tomei uma decisão, as coisas parecem mais leves, mais fáceis de aguentar. Vou atirar-me aos bichos. Vou voltar para as Caldas.

Esta decisão foi muito ponderada. Por um lado tenho medo de recomeçar, fazer tudo sozinha, voltar a ter responsabilidades, por outro é isso exactamente que quero. Estou assustada mas cheia de vontade de abraçar o mundo, o meu mundo, não um mundo que foi meus mas que já não me pertence. Tenho que ter a coragem de mudar de casa, mas principalmente de Hospital, mas todas as minhas terapeutas estão de acordo; tenho de sair de casa. Estou-me a sentir angustiada por estar na Marinha Grande, mesmo com o trabalho. Tenho que dar este passo em rumo da minha independência, aprender a contornar as dificuldades, ter o meu espaço – sinto-me oprimida nesta redoma de vidro que a minha família pôs sobre mim. Compreendo os seus receios, mas já é altura do pássaro partir, mesmo que voe diferente.

Planos
Então, pela primeira vez, tenho planos. Já me apercebi que gosto de viver com um pouco de stress à mistura… Talvez seja isso que me faz sentir viva, não sei. Este blog devia-se chamar “RE-BORN”, não Re-Cobro, pois sinto-me a renascer, não só fisicamente, mas principalmente mentalmente e espiritualmente.
Mas voltando aos planos. Acabo de trabalhar no dia 19 deste mês. No dia 4 de Julho estou de partida para a residência Oportunidade do Espectador (já faço uma nota a explicar o que é), em Lisboa. O tempo que vai até Agosto vou procurar uma casa perto o Centro Hospitalar das Caldas da Rainha. Aí não sei como vai ser. Não sei ainda se vão haver mestrados na ESAD (a minha antiga escola), mas se não houver, vou trabalhar. Vou manter-me lá até ter alta, mas a vida dá muitas voltas, por isso não me fio a 100% nos planos. Muita coisa pode acontecer, mas espero mais 2 anos para recuperar totalmente. Se não recuperar totalmente, fico com défices.

Esperança
Andei um tempo abatida, cinzenta como o tempo que fazia. Acho que, por instantes, não acreditava que ia recuperar mais do que estou. Inconscientemente preparei toda a gente para essa possibilidade (ver “Freak Show”), mas de repente senti que algo estava a mudar, não sabia o quê. De um momento para o outro comecei a andar quase na perfeição; de um momento para o outro a minha mão ficou mais disponível, fazia as coisas mais automaticamente (embora não as fizesse na perfeição). As minhas terapeutas disseram-me que era a sensibilidade profunda que devia estar a regressar. De um momento para o outro pensei que ainda havia esperança. Lembrei-me das palavras da minha Neurologista “ah, ela vai recuperar totalmente!...”. Tenho de acreditar nisso todos os momentos, segundos…

Nota
Este blog é um plano inserido no projecto “A Oportunidade do Espectador”, do criador (ou destruidor, eheh) Rogério Nuno Costa. De momento estou só a recolher dados, memorias, etc, que possam ajudar para a criação de qualquer coisa (um vídeo, uma performance…). Sugiro, se estás interessado em saber mais, que vás ao vouatuacasa.blogspot.com. Desculpa não explicar melhor, mas está tudo nesse blog, e aborrece-me fazer copy – paste. Já fiz disso que chegue na escola.


É tempo de viver. Como diz a minha terapeuta Alice, não posso continuar a viver para a terapia. E, confesso-te… todo o tempo livre que tenho é exclusivamente dedicado a uma coisa que não faço como deve de ser há anos (e que me parecia estúpido, enfim…)


Praia!!!!!!!!!