quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Pensar na morte

Penso no antigo Hospital Termal das Caldas, no jardim onde tantas vezes os meus pés provaram o orvalho e os meu corpo a frescura das margaridas. Uma agonia aperta-me em dor com este pensamento de pura beleza; saudades, talvez. Medo. Haverá algo mais do que o que vivo? Pairo num sonho frágil que por vezes me deixa cair no chão. E aí não existem margaridas para me suportarem a queda. Quão maravilhoso é deixarmo-nos cair para o buraco! Mas depois de vermos que o sonho é uma doce desilusão a queda deixa de ser uma esperança para se tornar num olhar cansado. Todas as escolhas que fiz sempre pensei que seriam as mais acertadas, e agora que fiz uma que sei que está certa quero afasta-me dela. A minha cabeça distorce os rostos. "Bon courage!" Tento. Na primeira inspiração de cada dia olho para o chão, onde os pequenos raios de Sol espretam. Não consigo ver nada de belo na beleza das coisas simples. Estou-me a tornar num atómato sem forças para remar contra a corrente. As coisas magnificas que já vivi estão a fugir da minha memória, dando espaço para todas as coisas rotineiras e obrigatórias. Obriga-me a ser quem era. Apaga-me as magoas que tenho. O futuro angustia-me tanto que não paro de olhar para trás a procurar culpados pelos meus medos e frustrações. A pergunta "porquê" voltou a corroír-me como ácido. O meu coração grita em taquicardia, o meu cerebro revolta-se em convulsões, os meus olhos vestem-se de negro e eu já não me sinto eu neste corpo. E tu perguntas, porquê continuar? E eu respondo, porque tenho medo de sentir a tranquilidade.