terça-feira, 15 de janeiro de 2013

águas mil

Bom dia noite nova! Vens para me cobrir com a tua companhia severa? Deixa-me respirar um pouco - ajuda-me a manter a cabeça à tona, por favor. Era tão bom se em ti houvesse uma espécie de amor aultruísta, mesmo que hipócrita. As minhas papoilas estão a secar. Anseio que a Primavera chegue para as beijar com o folego de todas as coisas boas que estão para vir. Tomei a medicação em seco. Toda eu sou um ser desidratado. O grito não se solta, está preso na minha garganta, a arranha-la, e toda a minha bocajá está boa de beijar, importas-te com o sangue que escorre? Prova-o mesmo assim, fresco, violento, talvez o seu sabor a metal crie uma corrente entre as nossas bocas. A minha incapacidade de gritar deixa-me afónica antes de o fazer. Esbocei gestos mas não viste e foste. Adeus, que é um adeus defenitivo, porque tudo me foi roubado pela minha propria e genial capaciade de nada poder fazer contra os maleficios do destino, nem contra os maleficios da liberdade. Doêm-me os olhos das lagrimas que não consigo explusar. Dói-me a cabeça do peso dos meus pensamentos. Entro pela porta dos fundos para a felicidade mas ela afinal estava no jardim a gozar os primeiros raios de sol da noite. É que afinal o tempo também dói, os ponteiros cravam-se na minha pele a cada tic-tac que solta. Olha para trás; vê aqueles momentos maravilhosos que tivemos. Sabes? Guardei-os todos numa caixa que atirei ao mar. (A caixa deu à costa minutos depois, com todos eles ensopados com a solução água e sódio. Penso no porquê de o mar não o guardar.) O comboio passa. O frio espera-o com estações vazias de sonhos.