terça-feira, 10 de julho de 2012

Cobaia

É tarde (ou cedo - já dormi esta noite). Há meses que não consigo dormir uma noite seguida, ou deito-me cedo e não consigo adormecer após tomar a medicação, ou se consigo acordo ás 4h da manhã e não consigo dormir mais até ás 7h, 8h - contando que passado uma hora tenho de acordar de novo para tomar a medicação das 9h. Aí tomo o pequeno almoço muitas vezes ainda inconsciente e tomo a medicação para acordar as 11h em pânico sem saber se tomei a medicação ou não. E o dia, o sol magoa-me com a intensidade da sua força. E então cada vez mais me assemelho a um bicho nocturno. Culpa das circunstancias, ou da minha incapacidade de reacção. O que gostaria de culpar não vale o esforço, mas parece-me que pelo menos um pouco de revolta me faria reagir, vomitar tudo cá para fora de uma vez e parar do "não me apetece falar sobre isso". A verdade (e só agora penso nisso) é que nunca quis enfrentar a minha raiva, por muito inútil que fosse talvez continuasse a ser a mulher do contra que sempre fui. Com colhões (perdoa-me a expressão), intransigente, orgulhosa e todos esse defeitos que vejo agora que não havia nada de mal com eles. Ao invés, sou agora uma choramingas, medrosa, sem força e vontade, sem criatividade, sem forças nem vontade para lutar por nada. Vivo literalmente na cama, com o computador na barriga. Tive um parcial no sábado. Dia de aniversário da Mimi. O anterior a esse foi no meu aniversário. Estava fazer conta de lhe fazer uma pequena surpresa mas não fui a tempo. Não tinha a medicação comigo, e ao entrar em casa já estava com espasmos. Deitei-me, já estava a ver o caso mal parado, a minha mãe só teve tempo de me por o comprimido SOS na boca. Mesmo assim foi mau. Tive que gritar repetidas vezes à minha mãe para ela se ir embora. Senti os olhos a revirar. Aos palavras incompreensíveis, a semi-cegueira com os círculos coloridos. Quando parou só tive tempo para me deitar no sofá e o adormecer foi instantâneo. Estava exausta. Acordei umas horas mais tarde com uma dor de cabeça que de prolongou até hoje. A minha mãe estava na cozinha à minha espera. Era meia-noite. Serviu-me o jantar e começamos a conversar. Tentei relativizar a situação e ao falar irrompeu a chorar. Eu não consigo chorar. Ela não merecia que me tenha acontecido isto. Eu, ainda estou para descobrir. E agora sofro com dores. Andei num ginásio comum para não perder massa muscular. Dores surgiram. Fui a dois fisioterapeutas, ambos disseram que não devia ter aumentado massa. Um dia A outro diz B, estou farta, não sou nenhum boneco. Não espero mais milagres, não me vendam gato por lebre! Tirem-me as dores do corpo e da alma e deixei-me em paz. A cada novo médico que vou há um papiro que se estende por quilómetros sobre os benefícios que há em praticar aquela medicina. Sabes o que sou? Uma cobaia barata. Só queria ter um pouco de coragem para fazer o que me der na real gana sem pensar nas consequências.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Segunda Fase

A minha gata cobre no nariz com a pata. Sempre fez isso, e eu continuo a maravilhar-me com isso. Sou de facil encanto, de facil frustração, de difícil entendimento. Julgava que o em recobro já tinha terminado, mas parece que estou a iniciar uma segunda fase, mais penosa por sinal. Na primeira tinha um objectivo, e não tenha muitas escolhas. Agora acontece o inverso e sinto-me um ser insignificante no meio dos sonhos frustrados, dos planos falhados ao ver que o mundo não precisa de mim. Começo a pôr em questão se eu propria preciso de mim. O sentimento de abandono está iminente; fui eu propria que o criei. Fecho-me como numa caixa de Pandora celada, onde permanecem todos os males e a esperança esvaneceu-se. Não sou capaz de eliminar a minha paixão por dramatizar tudo na minha vida. Sinto muita necessidade de ter algo para lutar por, mas sinto-me impotente. Penso, perco-me em pensamentos para chegar sempre ao mesmo ponto. E ponto, agora é o de rotura. Não consigo encarar-me e está a ser cada vez mais difícil fugir.