domingo, 18 de setembro de 2016

bOrDeRlInE

Dói-me a inspirar. A ansiedade comprime-me os pulmões - por vezes o sal agarra-se à minha face, Era bom que o fizesse copiosamente, dessa forma talvez conseguisse respirar mais um pouco. O desejo visceral de ver o ferro jorrar e a luta para não o usar. Olho para a minha mão e diz-me que está velha e cansada e farta. Continua em riste, em punho erguido contra tudo, todos e eu. Sinto o peito a explodir devagar como se de um buraco negro se tratasse, e vai acabar por me consumir. Se é que já não o fez.
A Terra tem, sobre mim, um efeito dissemelhante, puxa-me tanto para si que cavo uma cova a cada passo que dou. Posso cair para o lado que a minha sepultura fica automaticamente pronta. O mundo não precisa de me ouvir, sou um acidente que o destino tento corrigir. Não compreendo porquê este amor pela minha sobrevivência - no fundo é apenas o medo da morte que me coloca aqui. Tento construir algo que se desvanece com a mais pequena das ondas. E repito o processo incessantemente apesar de saber que, no fundo, o mar vai engolir as minhas construções. Só a mim não me leva. Engole-me e cospe-me, como tudo e todos. A vida não é justa, nem tem de o ser. Desencantada, caminho só no meio da multidão. E aí os meus fantasmas vêm visitar-me.
Só o ferro salva. Mesmo que por momentos, só o ferro salva. A medicação... Serve apenas para enganar os lúcidos

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Carta para vós.

Mau mau Maria. Assim não. A nostalgia faz mal à pele e eu não quero ter rugas. Mas aquele bichinho... que pica e pica e pica, não dói mas incomoda, consegues viver a vida toda a pensar que lutaste o suficiente e não conseguiste. Mas não lutaste. Nem lá perto.
A tua vida começou a correr mal no dia em que lhe quiseste dar um rumo. Perdeste amores honestos, amigos sinceros e, sobretudo, deixaste escapar por entre os dedos a tua paixão. Vives remediada, acostumada, amedrontada, fazes questão de ser ignorante para não doer tanto, ne c'est pa vrai? Ranjo os dentes de frio e de excitação, vi a luz! A merda do problema não está nem nunca esteve nos outros, mas em mim. Ein, mas que grande velhaca me tornei... e a cada dia que passa cedo um pouco mais à frustração e torno-me mais amarga e solitária.
Vê este blog. Vê as pessoas que me liam. Desisti e também elas desistiram, e então fui destronada do palco e deixei-me ficar no chão. Estou a acordar, quero acordar mas sem amparo é difícil. Hoje é, das coisas que sinto mais falta é da minha arrogância e obstinação que nunca me deixavam desistir. Mas fi-lo um dia, e quando se cai e se é frágil a tendência é partir algo. Mas a minha raiva é uma luta constante contra o tempo. E contra o tempo ninguém vence.

23 Maio 2016

Música: The Killer's Vanilla, Amon Tobin

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Carta #3

Amo como um homem, jogo como um - check-mate queres? Deixo o teu rei avançar. Faltar-me-á paciência para seduzir? Óh meu caro, sem sombra de duvida.
Danço sozinha, danço bem. Danço sozinha, danço melhor. Fecho os olhos - o meu corpo vibra à semelhança das vibrações das colunas, tudo se compõe e estou de novo a beijar o linóleo. Toda eu sou música e tesão, independente de saber se está aqui ou não. Solidão? Não. Apenas alheamento propositado. Poucas palavras sairão da minha boca, terás que as arrancar. Queres que te massaje o ego? Claro. Queres que te ouça? Com certeza. Deita-te no divã que faço maravilhas. Sou a melhor psiquiatra de sempre. Amiga, peço perdão. No fundo, nem me importo tanto com mais nada.
Supra-autómato de emoções, aprendemos a fazê-lo nos joguinhos de teatro, em que em palco amamos e fora dele desprezamos. A carga de ter que representar na vida é dura, mas mais duro é esperar sempre pelo melhor. Godot. Daí depreendi que o melhor a fazer é sorrir e acenar e guardar a verdade amarga cá dentro.
Se te dissesse quem és... arrancavas o teu estômago pela boca de tão transparente me pareces. E é assim que te perco antes de te ter.

16 Maio 2016 - 22h25
Música - 1940, The Submarines

terça-feira, 10 de maio de 2016

Carta #2

Uma gargalha envolta em vómito curva-me. Anseio por um cigarro, tens?
Não, eu seu que não sou prefeita. Já o fui, e sê-lo acaba por ser aborrecido. Salto para não pisar o conteúdo dos meus armários que se estendem pelo chão. Não adianta meter tudo em ordem. Nem quero ordem, quero entregar-me ao caos pois ele leva-me nas suas aventuras loucas. Para quê o amor? Será apenas uma amarra, mordaça, cinto de castidade. Nada mais. O amor deita-se com o inimigo logo não o quero mais.
Sou livre dentro deste corpo que me prende. Não deixo de o ser. Nem as pessoas que passam pela minha vida me apanham. Não fujo mais de mim pois sei bem quem sou. Consciente, com um olhar cansado sobre as pessoas e as suas ligações, pairo sobre todos como se fosse invisível. Como que a fintar a chuva; acabamos molhados. A diferença é que olho para o céu para sentir com violência a queda das gotas que me arrefecem os glóbulos oculares.
Já aprendi a cair. Caio como os gatos, velozmente me ergo e sacudo o sangue das mãos. E, de cabeça baixa, olhos no céu, pairo sobre ti e sobre mim e sobre todos os outros seres e sobre todas as outras coisas pois uma vez não existi.      

10 Maio 2016 - 22h35
Musica - Burning Skies - Tones on Tail

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Carta #1

Fazes-me escrever. De novo o suplicio prazeroso da auto-mutilação cerebral. Esta é uma carta de amor. Uma carta de amor a um desconhecido, e quem ama o desconhecido não padece dos receios da vida comum. Então, rosto branco, amo-te ao ver a tua inexistência. Sabes, isso reconforta-me. Não sei lidar com o amor. Amo desenfreadamente, desesperadamente, destemidamente, e depois morre. Só não morre em mim. Ao olhar-te vejo-me tão pequena no brilho da tua pupila dilatada. Olhas-me de frente, como se de um desafio se tratasse. Penetro os meus olhos na tua nuca e violo-te sem dares conta. Faço silêncio e finjo que não sei como será o fim. E assim beijo-te a testa enquanto repousas no meu colo.
Os meus lábios estão sedentos. 
Os meus lábios estão sedentos de ti. 
Os meus lábios estão sedentos de ti em mim.
Vagueia no turbilhão dos teus pensamentos enquanto marcas o tempo com os teus passos. Dás-te conta de que os sapatos têm um peso enorme. Descalço-te e levo-te para a relva húmida. Fechas os olhos e sorris. É essa a imagem que guardo e guardarei. O amor é simples quando não se ama. E é essa a sua beleza. Nunca sentiste que estavas enamorado por nada? É ele, que rebenta do peito e caí na nossa boca.

Carta #1 – 4 Maio 2016 – 3.16 
Musica: Blond Redhead – Magic Mountain

sábado, 6 de junho de 2015

Portas abertas

Ohh yeahhhh, feeling good and god bastou abrir a porta, meter Doors para alegrar também os vizinhos e, ai tão bom, problemas? Para outra altura. Disse que não à medicação hoje. Ainda ontem estava pronta para me matar e hoje estou pronta viver, os desequilíbrios da mente são deveras interessantes, não para os estudo mas para os gozar (uma pausa - enquanto escrevo a minha gata coloca cada pata no tempo, como um metrónomo, na minha direcção. Instante deveras lindo e indescritível). Coloquei a mesa e uma cadeira no pátio (a gata da vizinha está adormecida no parapeito da janela e deixou cair o rabo que parece um furão branco ás riscas amarelas) virada para o jardim. A música é um dos principais motivos/ pilares da minha escrita, tenho-me apercebido disso. Está aqui sempre, para o bem e para o mal. Estou a pensar numa amiga minha de infância, a Anita, que sempre trabalho nesse ramo. E, como ontem estava a lamentar a minha vida numa conversa com ela, este post vai para ela. Porra, e eu odeio ouvir gente a lamentar-se - desculpa lá Anita, tens sido cinco estrela e de uma paciência invejável. Esperem por novidades :)

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Grito de exaustão

Mão Morta mood. Sinto-me morta há demasiado tempo. À minha procura, perdi-me. Vozes várias são pródigas a aconselhar-me, parece que vivo num inferno de palavras saídas dum reles audiobook. Tem que partir de mim, mas sinto que valho tanto quanto uma folha em branco rasgada. Estou morta. O que será pior, morrer ou viver com o medo?

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Karma

Tive a pessoa certa no momento errado e a pessoa errada no momento certo. O problema de estar no momento certo é que todas as pessoas parecem certas e nós é que estamos errados. Enganamos-nos a nós próprios. A queda na realidade é tão dura, e mais duro é procurarmos a pessoa certa nos outros. Receio que o amor já não me dê outra oportunidade e como castigo estarei para sempre só. É justo.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Memórias (Perdoem-me)

Pata de gato na minha boca. Ouço a Rainha PJ, hoje não foi um dia bom. Estou assombrada pelas memórias, sobretudo após ter passado olhos nalguns posts antigos. Chego à conclusão que nem escrever sei já. Sinto que toda eu sou um nada, nem numero sou. Triste? Pensativa. Perdi muitas coisas boas por minha culpa. Larguei os sonhos por medo, por saber que iria chocar contra a parede. A minha força (ou inconsciência, mas não deixa de ser um impulso) de outrora dissipou-se quase por completo. Esta cidade está-me a consumir, a deixar-me letárgica e quase mentecapta. Sei que alguém me viu. Desconfio de uma alma boa que espero não ter aniquilado. A plantação do passado só agora deu algum frutos e estão carregados de fel. Nunca entendi bem as pessoas, mas quiseram desaparecer por completo da minha vida deduzo que as magoem de formas inimagináveis. Dizem que nunca é tarde para pedir perdão. Dizem também que as desculpas evitam-se. Não sou orgulhosa sem rancorosa e guardo sempre as boas memórias. São essas que ficam, aliás. É por isso que estou condenada à eterna saudade. Talvez até esteja condenada à solidão. Sinto-me confusa por não saber o que sei. Isso doí... É tão mais simples passarmos a pagina à frente daquela que não entendemos, mas pela primeira vez tento ser racional e não o fazer. Mas nunca pensei que a racionalidade nos enlouquecesse. Sinto de novo o ímpeto da fuga, mas não se pode fugir ao peso da idade. Comecei este Blog aos 22, e parece-me que estou no mesmo caminho. Sempre parada em frente não duma bifurcação mas num cruzamento em que cada saída dá para um sem numero de outros tanto em que a escolha certa é apenas uma possibilidade remota. Logo fico parada, à espera que o vento me leve ou a coragem me faça arriscar. Estou pronta, o medo acompanha-me sempre mas não me retêm; apenas sussurra ao ouvido se devo ou não entregar-me. Acho que aprendi finalmente. Sinto tanto a necessidade de ser perdoada! Sei que errei, e provavelmente voltarei a fazê-lo, no entanto em todo este tempo posso dizer que, como dizia o Beckett, FALHA MELHOR. Não digo isto como falhar de uma maneira mais requintada, cruel nem manipuladora. Apenas sei que nem eu nem ninguém pode evitar errar, logo tento não magoar mais ninguém, ou não magoar tanto. As palavras são lâminas, mas os actos são punhais. E o desprezo é um punhal de dois gumes pois perfura tanto o desprezado como quem o comete. Quem despreza guarda também o rosto da outra pessoa, mantêm-a viva em si. Pior que isso, inflama o rosto do desprezado no coração d'outra alma que se abriu para amar. Ninguém merece amar ninguém que traz no peito o semblante de outra pessoa. Porque a página não foi lida. Nunca se saberá como nem porquê as novas almas que se entregam a quem despreza surgiram. Só o desprezado sabe, e isso é um poder imenso. Ninguém sai a ganhar, só a tristeza e o rancor. Pára. Pára. Liberta-me e liberta-te para que possamos seguir os nossos caminhos. E perdoa-me, se conseguires. E isso só fará bem a uma pessoa, a ti. Lembras-te de tudo o bom que vivemos? Procura-o, está bem dentro de ti, debaixo dessa camada imensa de ódio e rancor. Verás, se conseguires sentir-te-ás livre de mim. Talvez não queiras, mas se for esse o caso... Digo-to muito francamente que me queres. Queres-me em ti e não me libertas. Por isso peço-te, imploro-te, liberta-me. Deixo-te aqui, em público, joelhos no chão e olhos pregados na calçada, Perdoa-me.

domingo, 22 de março de 2015

Passo o que escrevi e a ansiedade esperou por mim. Será mais uma noite em branco. E agora os meus monstros não me fazem companhia - atormentar-me. Amanhã será outro dia de luta contra o que sinto e as minhas expressões faciais.

Não, nunca e talvez.

Still alive but not kicking. A Maria-Homem encontra-se num bar cheio de desconhecidos. A vontade de estar com alguém que não quero ver. Dicotomia estranha, como todas. A raiva do alivio de ter errado é uma sensação estranha. Peço uma folha e escrevo com a caneta que é a única coisa que guardo mas nem isso tem valor. Faço malabarismo para segurar na caneta e no cigarro ao mesmo tempo. Electro hoje não me faz dançar. Nem triste estou, na verdade. Talvez vazia, e pela primeira vez sinto isso como algo bom. Parece que as coisas já não me afligem como dantes. Sinto-me um peixe fora d'água como sempre, mas essa sempre foi a minha cruz e já nem sinto o seu peso. Hoje purguei os meus demónios. 2 - 9 assim. Eu. Menina-Gato, Maria-Homem, seja como for. Sinto apenas saudades de tudo e também irei sentir saudades disto. Pausa - Mão Morta, como a minha, ainda ontem ouvi esta música: "A morta não precisa do teu sim". Nem o amor. Não volto a cair nos mesmos erros, ou se cair caio de forma diferente, contudo são esses erros que me deixam nostagica. Abraço-os, e só me arrependo de uma falha, o mesmo que me persegue há anos. Não posso esperar o perdão de quem amei, mesmo quando me convenci do contrário, mas aprendi que nas relações humanas falham sempre dois. Não posso esperar mais nada de ninguém. Não o posso fazer, nunca tive jeito para as pessoas. Talvez a minha cruz seja estar só, quando sempre ansiei não o estar. E desta sinto bem o peso. Para quê lutar contra este gigante? Vale mais andar ao seu dado do que deixar que me esmague. Sei que um dia esta cruz vai pesar menos, só me resta aguardar. Por enquanto arrasto-a. Os monstros também são amigos, sim. Tenho-os sentados na cadeira vazia à minha frente, e fazem-me companhia ao seu jeito. Sempre fizeram, mesmo quando não queria. Agora sei a sua importância. E é muita. Mais do que qualquer pessoa que tenha passado pela minha vida. Porque eles ficam. Sou carente, talvez pelo meu passado remoto e ninguém tem culpa de isso. Então vou parar de lutar contra isso, nem contra os meus defeitos-virtudes porque sou um pau muito torto e não espero milagres. A vida brincou comigo e ainda estou a aprender. Aceitei isso, mesmo a custo, e vejo hoje que foi uma filha da puta, mas chorar sobre o leite não me faz mais feliz. Sigo, bem ou mal não sei e provavelmente nunca o vou saber. Amadureci à força e isso não foi justo. Deixou-me frágil. Tanta coisa para lidar que meto as mão pelos pés e uma não aguenta nem um passo. E caio demasiadas vezes. Nem a propósito: "É só mais um começo com teus dentes no chão". Todavia este começo foi tão abrupto que ainda não sei bem o por onde começar. Sei que a saudade não me faz bem nenhum mas as expectativas também não. A saudade também magoa, mas a frustração fere. A escolha óbvia será aceitar o que ainda há-de vir - positivo ou não - por melhor que isso nos faça sentir - a ESPERANÇA. As quedas inesperadas são mais fáceis. Há anos escrevia estórias. Hoje escrevo histórias. Dá que pensar, não? Julgava que não me sentia com a idade que tenho, ou velha ou nova, dependente dos momentos, mas afinal estava enganada. O tempo é tão relativo que cheguei à conclusão que não tenho idade, apenas cansaço e muitas histórias para contar. É bom ter histórias, mesmo que não as contemos a ninguém. Sobretudo quando não há ninguém com quem partilhas a mesma história, porque aí temos sempre alguém associado a essa memoria, o que nos faz ter saudades não dos momentos em si mas das pessoas. Quando exprienciamos parece-me mais saudável, corrijam-me se estou enganada. Já não me recordava da paz que sentia quando escrevia em sítios públicos. Deixamos de estar ansiosos. Parece que o mundo pára para dar vez ao jorrar das palavras. Linda Martini e cavo mais um pouco. Todos os meu amores foram combates, talvez seja isso que me dá alento para amar amar. Ou talvez não saiba amar, talvez não lide bem com perdas, talvez seja a paixão que me mantém viva. Talvez seja esse o motivo do meu vicio eterno pela a sua busca desenfreada, o que já provei a mim mesma inúmeras vezes que não corre muito bem. Porque amar verdadeiramente só amei uma vez e esse perdi-o para sempre. Talvez seja esse o motivo que me força a ama-lo.