terça-feira, 9 de abril de 2013

O Céu Noctrurno Algarvio

Ás veses sinto-te tão só como o céu nocturno algarvio. Vejo da minha varanda a luz do segurança que me guarda da liberdade. Ele próprio está preso, o guardião da noite. Uns metros afastado de mim está um cadávere que respira. Olho para a minha forca vermelha que vem em forma de fato e tudo deixa de fazer sentido - as humilhações, as ordens, os prazos, as regras. Forcei-me a viver num mundo onde a sociabilização é feita por hipocrisia. Talvez daí eu ame estes momentos de fragil e efémera solitude, onde tenho um pequeno espaço para sonhar. Muitas vezes sinto raiva em forma de dor de cabeça e cansaço. Nos meus braços repousam chagas negras em perfume de éter. Tudo na vida é tão frágil, mas é assustador observar o quão frágil é a nossa própria vida. Chega, penso. Mas olho para tras e vejo tudo o que não consegui alcançar e com os meus quase 27 posso dizer que foram poucas as vitórias. Uma foi grandiosa, mas depois disso só restou a frustração e a dor. Vejo-me e não me sinto. Sou como que um espectro de mim mesma, ou de alguém que já partiu e só deixo cacos do que foi. E eu, com as minhas mãos que abrem quando alcançam algo, vejo-as, sonho e observo-as; e sinto que nunca chegarei lá.