terça-feira, 26 de março de 2013

Reflexões capilares

Sem rodeios, a região pelvica de uma mulher tem, naturalmente, pêlos. Dependente da cultura, isto é um caso sério. Na nossa Velha Europa convencionou-se que os pêlos nessa zona são inesteticos, podendo afectar a auto-estima e confiança de uma mulher, mesmo que mais ninguém tenha acesso (pelo menos visual) ao seu vislumbre. Há variadissimos métodos para se lutar contra os pêlos, controla-los ou diminuindo-los - isso já está ao critério e bolsa de cada um. Eu creio que uso o mais agonizante de todos - depilação. E de todas as zonas, tento consciência que todas elas penosas quando toca a colocar cera quente e tira-la com os malfadados pêlos lá presos, a que que custa mais é a anal. São poucos - creio que uns 10 a 20 pêlos - mas no dito vale a pele grita e eu silênciono-me. Mas que doi, doi. Transpondo isto para o impacto que tem na minha vida, decorre mais ou menos assim: quando entro na esteticista sei que vou sofrer pois já o fiz várias vezes. Mesmo assim tiro a roupa, deito-me na marquesa e aguardo pela tortura. E sei que vou tirar aqueles pelitos do cu, coisa que me custa numa proporção desigual. Tiro-os, mas sei que voltam a nascer e este circulo não pára. Acho que vem daí a expressão "Pain in the ass", pois não há pior que uma dor de cu. As dores que vêm à nossa frente podemos previamente analiza-las e ver o impacto que isso terá nas nossas vidas... Mas a dor de cu não... Sabemos que virá algo penoso, nem que seja pela temperatura da cera, mas não sabemos quando vai doer. Poderemos evitar as dores de cu? Há entendidos que dissem que a depilação a lazer os elimina para sempre. Pois, mas eu como não acredito no conceito de eternidade (se bem que seria engraçado ver um cadaver sem pêlos) continuo com as minhas dores de cu. As mulheres acabam por ficar mais resistentes à dor, mas será mesmo isso ou habituação? Haverá alguma hipotese de acabarmos com as nossas dores? A unica que vejo é ignorar esses pelitos que se acham importantes por conseguirem causar tal descoforto a uma pessoa, e vêm-los crescer, a seu bel-prazer. E vigar-mo-nos apoós a defecação, ao limpar o alegre cu e enche-los de merda. Podem ser grandes, mas não deixam de comer merda.