segunda-feira, 17 de agosto de 2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Mais do mesmo

Precisei de mergulhar na extrema apatia e medo para voltar ao olhar para o passado. Discos rolam, fotos passam pelos meus olhos que valem só por um.

Antes chorava por tudo. Agora não choro por nada. Acho que quanto maior o sofrimento, menos lágrimas há. A coragem foge toda para conseguir passar mais um dia sem enlouquecer.

Deftones. A mascara está-se a desfazer. Tenho um monstro gigante da cama que me entra pelos ouvidos e me come o cérebro. Penso num verão de corvo e loucura. O que me aconteceu?

Shiu… Be quite and drive far away, tão longe que os meus olhos se percam no horizonte e no alcatrão quente. Silencio. Só os órgãos e o motor rangem. 2 anos. 2 anos roubados. Dois anos de aprendizagem obrigatória e dor, dois anos para admitir que doi atrozmente não poder ser a criança que o destino me roubou. Estou condenada a ser adulta e consciente para sempre.

- Eu sou tão de esquerda, tão de esquerda que rejeitei o meu lado direito.
Há nestas piadas um descomprimir de quem não quer ver. No início rezava para que um milagre acontecesse e acordasse como estava. Hoje, as fotos e a música revelaram-se um tónico amargo. Mas é o que tenho, nada mais. Isso e uma boca seca cravejada de aftas. Já não estou habituada a falar. Nem a escrever.

Vegeto. Durmo. Talvez que o dia que aí vier seja melhor. E passos os dias a desejar isso.