sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Parabéns (atrasados...) Re-Cobro!!!!


Como não tenho o meu "ilustrador de serviço" (Gustavo Santos, o homem que anda a escavar ossos de leprosos do sec. XVI) fui ao Deviantart "pedir emprestado" à ma4u4a (é assim que ela se apresenta) um desenho para celebrar o aniversário daqui do nosso menino!!!

Sou uma "mãe" orgulhosa!! Ele está IGUALZINHO A MIM!! SNIF!!!

(CARA DE PÂNICO/ SURPRESA/ ORGULHO ESTUPIDO )

Depois de ter comprado mil coisas para combater as aftas, decidi pôr em prática uma solução antiga (também por puro desespero): BOCHECHAR ÁGUA E SAL GROSSO. Ontem, correu ás mil maravilhas; depois da dor insuportável, lábio a tremer para não cuspir aquilo tudo, olhos a lacrimejar e nariz vermelho e depois de ter cuspido mais um quarto de hora de dor, eis que surge a tão desejada paz! A afta de branca passou a cor-de-lábio-do-lado-interior, uma cor saudável, que muito me agradou. Durante quase 24h horas já não tive dor e pude comer e falar sem parecer uma afectada.

Armada em heroína, hoje fiz o mesmo procedimento, água e sal grosso, chamei a minha mãe, irmã e gata para a casa-de-banho, mostrei a afta e disse "está branca, não está?" ao que a minha mãe fez uma cara de sofrimento e a minha irmã de nojo (a minha gata estava no bidé a pedir água...). Lá meti aquilo na boca e tal, mostrei a afta com todo o orgulho (a minha mãe entretanto tinha saído). "E agora, hein?" ao que a minha irmã respondeu "estás a sangrar!!".

Escrevo agora, com o sabor a sangue na boca para te dar em primeira mão esta noticia... Desta vez não tenho fotos para documentar tamanha parvoíce.

Desistir

Estou a ouvir os concertos que estão a dar na esad. Eu estou na cama. Tentei lá ir; descansei, vesti-me, maquilhei-me (coisa que não faço desde... ui, Março?) e meti-me a caminho com a Inês, uma moça que vive comigo. Dois pares de calças; três camisolas, uma delas de lã, comprida; um blusão mega quente impermeável; dois pares de meias, a de dentro com bolsinhas para os dedos e a de fora, térmica.
Queria mesmo ir à festa. Sinto falta de pessoas, sinto falta de pertencer a algo, fugir de vez em quando e esquecer as minhas limitações por muito intrínsecas que sejam. Realmente estas semanas têm sido difíceis, por isso evito escrever. Ainda estou a processar isto tudo que é de uma magnitude que não consigo abarcar. Sinto-me um pouco derrotada pelas circunstâncias. E hoje pense “quando caí” – quando tive o AVC – “estava longe de imaginar as mudanças que isso implicaria na minha vida”. Porra. Tenho medo, não dos ataques nem dos AVCs, mas de perder a esperança. E ela vai-se desvanecendo cada dia que passa. Pela primeira vez, tenho medo de desistir.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Por ISTO é que não tenho "digo" nada...



Para tu veres melhor, um close up...

NOTA: O dedo que segura o lábio não é o mindinho... É o INDICADOR!!!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

NEL MONTEIRO in HEAVY ARKITEKTURE

Sugestão o novo leitor (acho eu) JVN

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Nel Monteiro e a Arte de Escrever Música

Foi um amigo meu (que está a viver há anos em Londres) que me apresentou esta bela obra de arte...

Só tenho uma coisa a dizer... o_O (nem me saem as palavras...)

Revolta e Rendição

Esta é um post sobre revolta.


Passo horas na net. A maior parte do tempo, a ver viagens. Sinto-me um cão amarrado à trela em que só se pode afastar de casa uns metros. Fico nervosa quando saio sozinha à rua. Sinto que a trela me está a asfixiar, como os cães que dão muitas voltas à corrente e depois fica só com 30cm que só servem para se sentar. E ficar a ver se alguém repara que está preso. Horas. Dias. Provavelmente a sua maior satisfação era correr um pouco no parque, comer lixo e mijar em todas as árvores. Mas ele já desistiu, e passa o tempo a não se debater para não enrolar a corrente.

E fica a ver a chuva na casota. E o calor abrasador que o faz deitar-se na terra. Mija-se quando uma criança o afaga. Olha para o horizonte sem saber o que é.


É a vida que teve. Lembra-se de quando era cachorro e andava sempre com os donos. Gostava de pôr a cabeça fora da janela e levar com o vento até lacrimejar. Gostava de vadiar horas infinitas com os amigos, à procura de divertimento. Gostava de ir até ao monte da igreja de Nossa Senhora à noite.


As coisas simples.


Ladrar da janela do carro parvoíces em Leiria. Ir a uma bomba de gasolina comprar cerveja, batatas fritas e chocolates. Tomar um café. Jantares regados a vinho carrascão. Os miúdos. Andar de mochila ás costas enquanto chove. O fogo nas correntes que manuseava. Aquela tarde na Figueira da Foz, sentada na areia, com oito bolas a sobrevoar o espaço. Tantas outra a beber katempo e a comer tremoços ás 4ªs feitas à noite. Sudoeste 2001. O almoço em que decidi não comer mais carne. O meu 18º aniversário com a Inês a conduzir a 120 km/h enquanto o Pida cantava “o bacalhau quer alho”.


São tudo fragmentos. Cacos espalhados numa memória selectiva que teimam em não se unir e dizer “podes continuar a tua aventura”. Ou será que não tenho ainda coragem suficiente para olhar para um futuro? Sonhar e acreditar que as coisas irão acontecer?

Estou cansada. Tenho que dormir. Amanhã, terapia. Sábado, não sei. (Tive agora a imagem de uma pessoa que anda, e cada pedra lhe vai sendo posta quando os pés estão assentes na ultima pedra. Consegues imaginar? Como num jogo de computador…)

Isso não importa quando temos um objectivo na viva. Andar pé ante pé, porque sabemos mais ou menos onde vamos chegar. Eu tenho um novelo e mil pedras confusas para seguir.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Aprender a Comer com Talheres #1, by Daniela Reis

Fig 1 - Isto é uma figura do pé...

Fig 2 - Isto é uma figura da mão!!!




Sopa (colher):


- O braço tem que subir a 90º para fazer chegar a colher à boca

- Pegar na colher com os três dedos (polegar, indicador e médio, enquanto o anelar e mindinho suportam a colher) ou com o dois (polegar e indicador)

- Os dedos que suportam a colher devem estar fechados (falanges dobradas - fig 2)

- Os dedos que ficam por cima da colher são os que movimentam a colher

- O pulso faz um ligeiro movimento (da palma da mão em direcção à boca, o suficiente para lá chegar)

- Para que a sopa verta para a boca, levantar só um pouco o braço

- Voltar a colocar o braço a 90º e tirar a colher da boca

(Acho que está tudo... Mas como não sou terapeuta... Pensa nisso enquanto estiveres a comer sopa e diz-me como fazes eheh)

Nota

Quando uma porta (por exemplo, a do prédio que é pesada) não fecha bem é sinal que, provavelmente, tens um dedo que não o deixa fechar...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Acho que ganhei qualquer coisa...


"Com o Prémio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, étnicos, literários, pessoais, etc. Que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web."

Vou o Nuno que me deu este prémio.
Agora tenho que escolher 15 blogs e avisa-los do prémio. Épah...

http://ocaovaimasnaoperdeonorte.blogspot.com/
http://www.sabesguardarsegredo.blogspot.com/
http://altos-saltos.blogspot.com/
http://www.sereioreturns.blogspot.com/
http://somepoppieseeds.blogspot.com/
http://ideiasmix.blogspot.com/
http://euzito.blogspot.com/
http://bazardemarte.blogspot.com/

http://pntzro.blogspot.com/
http://www.aquijazo.blogspot.com/
http://5asecphoto.blogspot.com/
http://rifreckles.blogspot.com/
http://ninguemeomonstro.blogspot.com/
http://www.assacinicos.blogspot.com/
http://festasdotedio.blogspot.com/

Qualquer coisa

(ela está na cama, num quatro pequeno, atolado de mobília, sentada e tapada com cobertores. Tem o computador no colo e escreve com uma mão. A outra está escondida debaixo dos cobertores. Enverga um pijama e um casaco de lã. Ouve musica de circo [dark cabaret])


Ela – Meus queridos leitores, de tão aborrecida que estou, coisa que dura há ano e meio treze dias e algumas horas, junta-se uma vontade tão grande de fazer fazer fazer, mas dou-me ao prazer de não fazer nada porque no fundo sou um caracol que foi meio pisado e não tem sitio onde dormir. Um saltimbanco sem o ser, um analfabeto de vontades. Não vou estar com rodeios, a culpa deste aborrecimento crónico é minha e só minha. O aborrecimento também pode se tornar no ócio, e o ócio desculpa tudo.


(chega um gato dengoso e gordo que se aninha junto a ela)


Bem, vejo que o meu discurso atrai gatos, não sei se por eles serem seres divino que entendem as magoas do Homem ou se por serem gatos e gostarem do quentinho. Tento ser eloquente mas não há nada de eloquente ou transcendente. Somos animais e fazemos as coisas por prazer e não por um propósito.


(a gata sai da cama para ir comer um vomitado que deixou espalhado no chão. Ela repara que cheira mal da boca.)


Preciso de tomar um banho e cortar os pêlos das pernas. E arrancar o bigode também. Cortei as unhas porque já não conseguia pegar nas coisas. E vocês pensam “ela fala a sério?” Compete a vocês determinarem isso, como leitores atentos ou não atentos.

Ainda não entendi o que faz uma pessoa ler as coisas dos outros.

Ainda não entendi o que me faz escrever para os outros. (risos) Estava ansiosas para escrever o que eu já sei tão bem – esta troca de prazeres entre o exibicionista e o voyeur é de salutar; é algo que acontece desde o inicio dos tempos. Só que agora existe em conceito.

E quero agradecer ás pessoas que ainda me lêem; porque, de facto, não estou a escrever nada de extraordinário. É fácil parecer que se sabe muita coisa quando não se sabe nada. Basta escrever muito; a maior parte das pessoas desiste logo no início; os mais resistentes, ou os mais críticos, insistem em ler até ao fim, só para ver se aquilo vai dar em alguma coisa. Comparando ao “Processo” de Kafka, o que escrevo é assim também, uma pescadinha de rabo na boca; quando pensares que vai acontecer alguma coisa não vai acontecer nada. Se não leste “O Processo” não perdeste nada, digo-te já; a estória acaba como se iniciou. E pronto – acabei de cometer um suicídio literário; vão chover mil comentários de apaixonados fervorosos. É sinal de que chegaram até aqui.

Estou aborrecida. Isto é o meu aborrecimento. Escrever coisas ao acaso.