terça-feira, 21 de abril de 2009

Liberdade!!!















No dia 25 vou para o Porto para embarcar numa viagem de uma semi-liberdade que nunca tive tomates para fazer - estava demasiado ocupada a provar que era das melhores (e o que é mais triste é que queria provar a mim própria...).

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Amo-te Neeninha!

Adeus. Há sempre um adeus, não é?
Saudades. Estás aqui dentro, amiga*

“Toma lá que é bem-feita, orgulhosa!”

Hoje, assim num segundo, ocorreu-me o pensamento que faz titulo. O que vale é que me consegui aperceber disso 22 anos, 11 meses e 30 dias depois, hein? Ou 1 ano e 9 meses e 30 dias!


A ASSOCIAÇÃO CULTURAL DOS DEPENDENTE DE PESSOAS E DE CULTURA procura membros.

terça-feira, 7 de abril de 2009

30 metros do chão

A noite, que já não vejo há muito tempo

sem ser por uma janela suja 30 metros acima do chão

(o máximo de divindade que senti,

obtuso o ruído dos carros e das pessoas,

faz-me pensar que estou a 30 metros do chão

e mais nada),

aguça-me os sentidos. Na cama, já no escuro,

com 1mg de diazepam a passear-me nas veias,

não cesso de pensar, mas pensar em tudo,

no jogo de computador,

no livro que quero ler (mas nunca o começo),

na musica que não paro de ouvir aqui na ampulheta,

no facto de pensar que tenho que parar pensar na musica

e na vida. Para adormecer. Fico nisto horas a desesperar,

e quando estou a adormecer… Penso que estou a adormecer.


Uma noite, escura como os holofote que a iluminam,

não há muito tempo, o tempo suficiente,

fui para uma sala ainda mais escura

para ouvir palavras ainda mais escuras,

apesar da luz do candeeiro.

Confundida na escuridão não era mais do que uma parte

daquela massa negra sem rosto, como numa acasalamento educado,

pressinto mais rostos e mais rostos juntarem-se àquele carnaval

onde a única lei é estar sentado num banquinho

de 50cm de largura, contudo os cotovelos são livres

de tocarem, mas atenção!, ligeira e brevemente no braço comum,

despertou-me a atenção um rosto negro que fugia com os olhos

de qualquer contacto com os outros,

cabeça baixa, pose submissa como um cão magoado

pelas vicissitudes da vida, sentou-se e desapareceu no escuro.


A noite esconde rostos e viola os segredos

em atitudes corpóreas. Eu sei ler as pessoas tão bem quanto me leio,

as 3h da manha agarrada a um computador a 30 metros acima de mim.

Tento. Não sei ler tudo, mas aquilo que se releva

Ao olhar mais atento. Olhos negros temos todos,

que é a parte que realmente vê. As cores nascem todas do preto,

e mesmo a veste mais negra despe a pessoa que a erga.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Resultado da aposta

Escrevo sempre a ouvir musica. O meu estado de espírito influencia a música que ouço e vice-versa. Estou a ouvir uma banda que encontrei no myspace muito parecida com Mogwai, a grosso modo. Estou deliciosamente lânguida, deitada na cama como estou desde que acordei, as 19h (quem conhece Mogwai sabe do que falo…). Hoje, como todos os dias que tenho terapia, passei pelo jardim, e pus-me a pensar que já tinha visto este jardim assim, colorido, com pessoas nos bancos simplesmente a estar. É muito difícil Estar, nestes dias. É quando suspiramos e dizemos “isto é que é vida!” e de imediato apercebemos-mos, em silencio, que a vida nunca é aquilo que se espera. Aos 16 temos uma banda e só pensamos em percorrer o mundo em digressão; ou sonhamos ser médicos ou modelos. Mas chegamos a um ponto de viragem e nem nos apercebemos que, aos poucos, estamo-nos a tornar noutra coisa completamente distinta aos que planeávamos. Mas, durante uns anos, mantemos em paralelo de importância as coisas que TEMOS e QUEREMOS fazer, porque os sonhos compram-se. Ou julgamos isso. Até que chegamos a uma fase na vida em que paramos de sonhar e começamos a ambicionar. Ter mais dinheiro para sair de casa dos pais. Ter mais dinheiro para comprar um carro novo and so on, até chegar à velhice e querer dinheiro para deixar para os filhos.

Mas o que percebo eu da vida, não é verdade? E digo isto sem ironia. É o que vejo, o que sinto. Na vida há sempre coisas que mudam, mas a pessoa em si nunca muda.


E cheguei ao ponto que queria, à APOSTA. Parece que estive enganada este tempo todo, independentemente do resultado da aposta, pois quando perguntei já sabia o que era. Peço desculpa a todos os que votaram e não me conheceram antes, mas este post é para todas as pessoas que conheceram e “antes” e o “agora”… Volto a afirmar uma coisa que, intrinsecamente já sabia, mas a alma esconde muita coisa até ser despertada para o consciente, voluntariamente ou não; eu sou A DANIELA MARIA MORGANIÇA DOS REIS, como vem escrito em todos os documentos que já tive, mesmo quando renovei o BI e a mão que assinou não era a mesma. As pessoas mudam mas não deixam de ser as mesmas. Sei que é difícil de compreender numa primeira análise, pois também eu andei enganada este tempo todo; mas, irremediavelmente, sou a mesma Daniela que conheceram anos atrás, mesmo que custe a aceitar que não me comporto como antes. Fisicamente, volto a dizer (por incrível que pareça – ou não – são os meus amigos mais chegados e a minha família que tem mais dificuldade em aceitar) sou deficiente. Não sei se vou ficar para sempre, mas nunca vou ficar normal da maneira que os habituei. E vão ter sempre a imagem de mim no coma, cheia de tubos e máquinas dentro de mim. A minha mãe tenta não falar no assunto, a minha irmã o contrário. Cada um tem a sua maneira de tentar exorcizar as recordações dessa altura. Eu estou alheia a alguns momentos que eu própria vivi. Para eles morreu qualquer coisa de muito importante que me definia como pessoa, mas acho que essa “qualquer coisa” varia de uns para os outros. Respeito a visão deles, mas começa a magoar-me – embora tente que isso não aconteça – sempre que tento relativizar as coisas e dizer “já passou”. Até porque antes dizia-o com sinceridade e agora digo-o para me convencer a mim própria e, para mim, está só agora a começar…


No parque apercebo-me de como o tempo passa. Todos podem replicar que sou “nova” e que tenho “muito tempo pela frente”. Mas hoje, ao passar no jardim apeteceu-me não ir à terapia, deitar-me descalça na relva e contemplar o céu limpo e sentir a erva húmida que iria trespassar a minha roupa. E diria, “isto é que é vida!”. O invés, fui fazer o que tinha que fazer, com um sorriso nos lábios e a dizer maluqueiras. E logo hoje só me apetecia chorar ao ver um homem que andava completamente apoiado na terapeuta a lembrar-me, pela primeira vez, que quando saí da cadeira de rodas, era assim que eu percorria os corredores do Hospital de Santo André, encavalitada na minha mãe, desde a ambulância até à fisioterapia.