sábado, 22 de novembro de 2008

O meu amigo Zé

E é fim-de-semana!! Posso finalmente ter comidinha da mãe na mesa, ficar na cama até ao meio-dia, dar uns beijos à minha gata…

"Ah, todo eu anseio por (...) aqueles momentos em que não tive importância nenhuma, aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender! E havia luar e mar e a solidão, ó Álvaro...” (não gosto da pontuação do Fernandito mas, bom, o que interessa – para além do meu mau feitio – é que este excerto me faz cada vez mais sentido… Ou outro sentido. O Mário Cesariny tinha mais mau feitio “O Álvaro gosta muito de levar no cu”, dizia. Vou deixar os julgamentos ao vosso critério… Mas devo dizer… O Mário rula!!)

2ª fui a Lisboa ver o médico que me acompanha desde os 18. Encheu-me de esperança e optimismo, estivemos pouco mais de uma hora a falar. Mais força para continuar, estava a precisar de uma maneira brutal. Claro que sempre que venho para a Marinha ficou um pedacinho mais em baixo, mas… C’est la vie. Continuo com mil coisas que gostaria de fazer AGORA, mas começo a compreender cada vez mais o DEPOIS, o não imediato. Não quer dizer que isso seja menos doloroso. Continuo a desejar que a recuperação se faça depressa… A minha mãe no outro dia disse-me na brincadeira “entretanto fazes 23”, e o mundo parou na minha cara; VINTE E TRÊS??? Sinto-me uma velha com corpo de adolescente. E já reparei que ando um bocado ás aranhas com a minha identidade; não sou bem aquilo que era, mas também não sei bem o que sou, parece mesmo que estou numa espécie de segunda adolescência.

“Menos uma semana”, dou por mim a pensar naquela meta imprecisa, de “quando estiver bem…”, mas não sei o que é o “bem”, “bem” para trabalhar? “Bem” para conduzir? Ou um “bem” que não faz qualquer sentido quando se sobrevive a uma doença tão má e em que temos de estar gratos por estarmos vivos?
Tenho a doença de querer sempre mais e mais e mais, e a meta de ontem já foi ultrapassada. E se a de hoje não for, amanha será. Esperança e obstinação e… Paciência, sobretudo. O que falha ás vezes, naqueles momentos de puro descontrolo. O meu médico/ amigo/ confidente/ feiticeiro Zé apaziguo-me dizendo que é legitimo o que sinto. Foi a primeira vez que ouvi isso, e tirou-me um peso de cima. Tenho o direito a fraquejar, finalmente deixei de me sentir culpada por ás vezes não aguentar.
Amanhã há-de ser um novo dia. E se não for um dia bom, o outro será. Até à tal meta. A meta em que me vou sentir verdadeiramente feliz, demore o tempo que demorar.



Foto do Gustavo

ESAD d'um caralho...

Ás vezes passo pelo site da escola para ver se já têm algo de novo sobre os mestrados.
Parece que se esqueceram dos primeiros dois anos de teatro que houve naquela escola... Tudo bem, não tinhamos nada, luzes e fotografos e mais aquele material todo (marketing)... Mas porra... Também andamos lá...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Sinusite, faringite, e outras coisas acabadas em "ite..."..

Para que não hajas duvídas, esta é a minha cara de cú quando estou a ter um dia de cão.

Diagnostico:
Faringinte
Sinusite

Sintomas:
Aftas na garganta
Dores de cabeça e no maxilar
Espirros, tosse e olheiras
Ar remeloso

P.S.: Quando se pensa que as dores, as dormências, os ataques de pânico, os traumas etc, etc, não são suficientes, eis que surge sempre outra coisa para nos foder a cabeça. Bom, "Aguenta e Trabalha" (Jonix, podia ser o teu slogan... Mas parece um bocado Estalinista :D)

domingo, 16 de novembro de 2008

Isto agora é privado...

Bom, vou deixar de dizer “tu” porque sei quem vocês são. São amigos. Pessoas importantes para mim. O Recobro passou a ser privado, com muita pena minha. Falava com muitas pessoas e partilhávamos experiências mas, como tudo o que é público, corremos riscos, e eu corri um grande risco. O Recobro é algo especial para mim, é o sítio onde descarrego tudo, desde alegria até à frustração, se calhar deveria ser mais reservada, mas não faria sentido. Porque inicialmente este era um lugar de encontro entre mim e um “tu”.
Resumindo, houve um “tu” que se sentiu no direito de me roubar a minha privacidade. Tenho mesmo muita pena que assim tenha acontecido. As pessoas julgam que ganhei alguma espécie de super-poder ou uma mega capacidade de compreender o ser humano. Pois então, quanto mais conheço, menos compreendo. As pessoas perderam a capacidade de comunicar, de dizer as coisas que lhe vai na alma.

Tenho muita pena, mesmo muita pena. Os outros leitores não mereciam isto.

domingo, 9 de novembro de 2008

Desafio Aceite

O Sereio desafiou-me. (Ah, Huguinho... Aqui vai.)

1. publicar uma foto pessoal














2. escolher uma banda ou um cantor
Er… a primeira coisa que me meti a ouvir foi Mão Morta (dispenso graçolas porque eu já as fiz, eheheh)

3. responder a algumas perguntas com títulos de músicas ou nomes de cantores e/ou bandas (assumo que não tenho necessariamente que gostar das músicas):

a. és homem ou mulher?
Menina Moça - Martinho da Vila

b. descreve-te.
Eu nao sei o que quero – Garotos Podres

c. o que as pessoas acham de ti?
O Herói – Mão Morta

d. como descreves o teu último relacionamento.
Amor de loca juventud – Buena Vista Social Club

e. descreve o estado actual da tua relação com o teu namorado/companheiro ou parceiro ou whatever.
Extraordinary – Jill Tracy

f. onde querias estar agora?
Warsaw – Joy Division

g. o que pensas a respeito do amor?
Não sei falar de amor - Deolinda

i. o que pedirias se pudesses ter só um desejo?
All Of Me – Billie Holiday


4. Por fim cabe-me desafiar quatro pessoas:
Ri
Nuno
João
Marciano

O Rei Mimado (Mão Morta)

Os meus cordões seguram-me à sanidade por meio de comprimidos amarelos pequenos que se põem na boca e sabem a papel.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

ADIÇÃO +

Re-Cobro Re-Volta

Estes últimos dias foram dos mais intensos que alguma vez vivi. Ainda estou a processar, mas com a quantidade de comprimidos que tomo é difícil. Eles retardam a rapidez normal do pensamento e eu não consigo deixar de pensar e penar. O sentimento de arrojo é originado pelo medo, e ao medo se regressa quando cais em ti e te começas a aperceber do que te rodeia. E não é mais do que medo, o medo recalcado naqueles meses todos em que me sentia feliz – em que não pensava, em que não ansiava, em que tinha certezas, em que era não mais do que um fragmento do que era, a apanhar cacos de mim perdidos no meu cérebro. Mas agora sei, sei demais, sinto mais do que o meu corpo suporta.
Eu, Daniela Maria Morganiça dos Reis, 22 anos, natural da freguesia da Marinha Grande, a viver actualmente nas Caldas da Rainha, começo a duvidar da minha integridade mental após quase 15 meses de ter sofrido um AVC hemorrágico devido a uma malformação congénita. Admito-o sem qualquer problema. Quem és para me julgar? Sinto-me revoltada com o destino ou coincidências, deus ou azar, a minha insurreição tem um só rosto:


O rosto de quem se queimou na alcatifa do quarto depois de ter acordado a ter um ataque epiléptico e se levantou com a cabeça a incendiar-se de mil fragmentos de imagens, palavras, sons. Estava tão perdida que comecei a beber água sem motivo, e foi aí que me sentei e caí redonda no chão, mesmo de cabeça, e o meu ultimo pensamento – e isto é mesmo verdade – foi: “estou fodida.”
Minutos depois levantei-me inconsciente e fui à casa-de-banho. Não conseguia andar e o meu namorado levou-me. Voltei para o quarto e “adormeci”, só para acordar minutos depois, consciente, sem saber onde estava e o que o meu namorado fazia ali.
Depois, bola de neve, medo, medo, medo, medo até de sair à rua, medo de sair da cama.


É agora. Hoje anuncio a minha mediocridade perante ti que me lês, e anuncio também (caso ainda não tenhas reparado…) este aspecto masoquista que tenho de escrever toda a merda que me acontece, portanto isso faz de ti um sádico.