Nada importa mais que a importância que lhe é dada - Dia 10
O cansaço vai para além do passível de descrever.
Das conversas, sou mais ouvinte. Não sentia este tipo de cansaço há uns anos. O constante ajuste não só aos lugares, mas às pessoas, à velocidade da vida - o tempo, também ele, é normativo. E, às tantas, este privilégio deixa de fazer sentido - a recepção de uma obra, pelo seu criador, é um gesto de incrível generosidade e creio que eu devia sentir mais do que este cansaço. Empolamento talvez?
A verdade é que, à medida que nos vamos debruçando sobre as materias e, pelas conversas em paralelo, a questão de "autoria" prevê a "posse". Creio que seja uma tolice achamos que somos "autores" ou "criadores" de seja o que fôr. Como posso eu receber uma criação sem entrar em conflito com o que acredito? Como posso eu agradecer este gesto do Rogério discordando com ele? Com isto tudo que a "arte" pressupõe. Esta naivité de acreditarmos que somos "únicos" e que só nós podemos fazer o que fazemos. Que tolice.
Creio que o Rogério esteja a refletir nisto mesmo, ao "doar" as peças. Talvez o Rogério seja uma versão mais colorida e frenética da mesma escola que eu - que não é o Dogma, mas de onde o dogma origina. O Dogma será o entendimento desta escola para o Rogério o que ainda não defini o que seja para mim. E, até isso para mim, não interessa.
Não me intesessa absolutamente nada para além deste momento, em que escrevo. O amanhã é uma falácia.

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