Dia solene - Dia 11

Uma mesa cheia de gente, há semelhança das mesas que as minhas avós compunham para receber a quse dezenha de filhos, cônjuges, netos e os vizinhos (que eram extensão da família, amigos também). Fiquei com saudades delas. Desta vez, uma mesa cheia de livros e inquietações partilhadas. Foi um privilégio.

Mesa, lado esquerdo 

Das mesas cheias tenho memória de não preceber muito bem nada. Queria só ir ver a vaca (quando havia), ver os F16 cruzar os céus deitada no terraço ou brincar com a minha irmã e prima na "fonte das bruxas". A mesa sempre foi um pretexto para congregar uma comunidade. Hoje não foi excepção.

Mesa, lado direito

Das conversas, sempre fui mais ouvinte. Um rascal de pensamento, com cérebro esponja. Talvez por isso tenha dificuldade em falar, mesmo que me dêem voz. Decidi falar em inglês, porque existiam pessoas que não falavam português na mesa - não o fiz por capricho, que o meu inglês não impressiona ninguém. Fi-lo porque me lembro bem do sentimento que toma conta de nós quando estamos à mesa onde o idioma é um obstáculo intransponível. O ouvir é duas vezes mais importante que o discurso - ouvir o outro e ouvir o ambiente - lembrar que não custa muito estar atento e dar oportunidade de incluir o máximo de pessoas possíveis e, às tantas não importa o que diga mais do que o cuidado da atenção e ajuste. 

Topo da mesa, lado esquerdo 

O Rogério fez o enquadramento, sempre metódico a jeito de professor que sempre lhe assentou como uma luva, desde que o conheço. As tulipas que a Greg comprou, no centro da mesa, a enquadrar a inquietação do Rogério. Túlipas são as flores favoritas da minha irmã, pelo menos eram quando ela tinha 13 anos. Nota para mim, para lhe comprar umas quando calhar vê-la. Creio que foi no 13° aniversário dela que corri para a florista nos prédio com uns trocados no bolso, na esperança de lhe conseguir comprar uma tulipa e um urso de peluche. Fiquei desconsolada quando verifiquei que não tinha dinheiro suficiente para comprar o urso, mas comprei uma tulipa branca e fui a correr ter com ela, ainda embolida pelas lágrimas e expliquei o sucedido à minha irmã. "Não vaz mal Né" disse-me, e colocou a tulipa na água. A importância dos pequenos gestos ou palavras que ecoam por uma vida.

A Greg, no seu momento de Testemunho 

A Greg será, porventura, dos maiores corações que conheci. Ágil com o seu apoio e disponibilidade, atenta ao que a rodeia, fez-me ter um pouco mais de fé. Tal qual como acólita de outrora, elequente e preparada, partilhou connosco o seu texto bem preparado, pensado, sem ponta solta. Espero que o mundo não seja tão cruel com ela, que estes corações são raros e apetecível. Que a vida insular te proteja minha querida, e as tuas DrMartins também, caso necessário. 


A Mafalda, no seu momento de adoração
 

A Mafalda, de coração tão cheio que rebentou, e espalhou toda essa dedicação para todos nós - para o Rogério, no momento desta fotografia. Mais que boa aluna melhor amiga, Rogério. Curiosa e elequente, a cabeça dela é um arquivo muito bem organizado. Tal como a Greg, veio munida de referências e notas, cada coisa no seu devido lugar. Antes de desapareceres, respira e pára, o tempo que for necessário e seja ele qual for. Da minha vida não desapareces nunca mais, nem da minha nem das pessoas que já se cruzaram contigo, então esse desejo é apenas um pedido de pausa e para isso, esperam por ti os que interessam na tua vida.

Passagem "solene" das obras Vou a Tua Casa "Lado A", que passa a ser da autoria da Greg e "Lado C", que passa a ser da autoria da Mafalda.

Menção honrosa para a passagem da obra "Multiversidade" (espero ter acertado com a peça) para o Pedro Barreiro cuja surpresa pela honra o comoveu, olhando para o chão, para a linha de fuga, tentando distrair as lágrimas que decerto o estavam a incomodar.
Quanto a mim, recebi o "Lado B", aka "No Caminho" e uma suculenta florida, à semelhança da flor que arrancaste e desde ao espectador que a vez crescer. E o caminho faz-se caminhando Rogério, doas as peças mas não te livras de nós. 


O chinês, que juraste que nunca virias

O melhor de tudo é que este fim é apenas outro início. Boa viagem, ou como se diz lá naquele país por cima da Estonia, hyvää matkaa. Até breve!

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