segunda-feira, 16 de maio de 2016

Carta #3

Amo como um homem, jogo como um - check-mate queres? Deixo o teu rei avançar. Faltar-me-á paciência para seduzir? Óh meu caro, sem sombra de duvida.
Danço sozinha, danço bem. Danço sozinha, danço melhor. Fecho os olhos - o meu corpo vibra à semelhança das vibrações das colunas, tudo se compõe e estou de novo a beijar o linóleo. Toda eu sou música e tesão, independente de saber se está aqui ou não. Solidão? Não. Apenas alheamento propositado. Poucas palavras sairão da minha boca, terás que as arrancar. Queres que te massaje o ego? Claro. Queres que te ouça? Com certeza. Deita-te no divã que faço maravilhas. Sou a melhor psiquiatra de sempre. Amiga, peço perdão. No fundo, nem me importo tanto com mais nada.
Supra-autómato de emoções, aprendemos a fazê-lo nos joguinhos de teatro, em que em palco amamos e fora dele desprezamos. A carga de ter que representar na vida é dura, mas mais duro é esperar sempre pelo melhor. Godot. Daí depreendi que o melhor a fazer é sorrir e acenar e guardar a verdade amarga cá dentro.
Se te dissesse quem és... arrancavas o teu estômago pela boca de tão transparente me pareces. E é assim que te perco antes de te ter.

16 Maio 2016 - 22h25
Música - 1940, The Submarines

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