STOP TRYING
Este não é pesado. São 4h30, vim para a cama depois de horas no computador. Computador significa trabalho ou tentativa de. Parte do dia foi para acabar uma candidatura que tinha visto no início de Agosto e deixei a tab aberta para não me esquecer que, depois do trabalho que estava a fazer, seria a altura de fazer essa candidatura (caso estivesse dentro dos prazos ainda). Com tudo pronto para submissão apercebo-me que fecharam a vaga por falta de fundos - totalmente a minha culpa e olha, o trabalho fica, talvez de forma mais etérea para próximos trabalhos - ou não. Eram 19h30 e aproveitei para tratar do jantar. Volto para o computador, lutar noutra frente - actualizar e modificar o meu CV porque continuo à procura daquele trabalho regular. Foi o resto do da noite. As tonturas voltaram e a dor de cabeça também - não paro para não me sentir culpada, então não tenho percepção do meio.
Estava a arrumar o computador e veio-me esta voz "STOP TRYING".
Esta semana fui fazer o tal teste que o neurologista pediu, ainda estou a espera do resultado (que será, creio eu, que a minha cognição está bem, salvo um ou outro parâmetro). A neuropsicológica ficou sinistramente alarmada com o facto de conduzir, fazendo-me explicar e justificar esta minha habilidade. Isso aborreceu-me - creio que ela deveria ter um entendimento menos perjurativo mas ei, nem na comunidade há consenso, não o posso pensar que era não os tivesse também.
Não tenho saído muito desde Maio e tenho-me mantido por casa. E, em casa, o cérebro grita. O corpo, esse, não tem forma de acompanhar o cérebro. Finalmente fiz a merda do site em português e inglês e tenho inadvertidamente aprendido SaaS, CMS e outras merdas. Quando ocupado o cérebro respira, caso contrário torna-se um pião desgoverno até cair. Estou-me a levantar duma e já vi que estou a dar corda.
Não vejo o mar há demasiado tempo. Não há motivos para tal.
Veio-me também à cabeça quando o Camus escreveu que devíamos imaginar Sisifo feliz e, caralho, quantas camadas de entendimento tem a consciência? Porque hoje bateu-me bem cá dentro o que ele quis dizer. Só me falta encontrar a felicidade, essa audácia preversa. Vou tentar, seja como uma pedra preciosa ou um calhau. E sei que não chegarei lá (mas na minha cabeça é um caminho a seguir, mesmo que não seja um).
Não creio que adiante tentar mais, talvez a única coisa que não tentei foi isso mesmo. Deixar, pelo menos, de insistir. Dar a mão ao meu exército de medos e conversar com eles, um a um. Preceber se existe algum consenso que me permita, por exemplo, cometer uma qualquer loucura, como ir dar um passeio de carro, ir às compras ou até ir à cidade. Devagar, de novo.
E se o palco ficar pelo caminho pois olha, que fique. Talvez volte depois, talvez não. Por enquanto, e como sempre, escrevo primeiro. Bom, mau é o que for.
E nem me lembro porque que achei importante escrever hoje e a esta hora. Talvez para firmar o pensamento intrusivo, para me manter fiel ao meu pensamento intrusivo (não é a primeira vez que a ouço, ignorei-a e agora pago por isso).
A espontaneamente tem o preço que o teu (meu) medo lhe cobra.
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