Rebentação
À carga!! Verifica que estou na linha da frente, Em frente dela, sozinha com a bandeira rasgada do batalhão Sem armas, munida apenas com a haste gasta Não crente na vitória nem na comunhão Vai ali cega para a morte, farta do corpo que arrasta E do sofrimento dos irmãos mudos, Dos irmãos estrangeiros cegos pela crença. Só dos gritos se encontra língua comum, Do desespero, na esperança em esgares agudos Dos medos engolidos e dos corpos manchados pela doença, Venham, que não ha saída para nenhum. Fadados camaradas, que desta tristeza não há quem nos vença, Marchemos para o mar, para a rebentação, Na esperança que o lado de lá nos recompense, Na esperança dos melhores dias ou do de celebração Com canticos ou silêncio por fim, vamos sim Mergulhar sem medo, na esperança que a voz fique suspensa Até ao fim, Até ao fim Sem pensar no que será o final. Mergulhemos no sal como oferenda num ritual.